Allan Kardec, através das suas
obras, nos trouxe reflexões sobre os mais variados assuntos,
dentre eles, o sono e os sonhos, que estão, principalmente,
em O Livro dos Espíritos, questões 400 a 412,
e que merece nosso estudo e meditação.
Fora do meio espírita, alguns acreditam serem os sonhos simples
frutos da imaginação do inconsciente do indivíduo,
outros dizem ser a busca por algo reprimido, e há quem afirme
que são experiências espirituais.
De maneira resumida podemos afirmar que, durante o sono, a alma se
afasta do corpo, sem dele se desligar, e se mantém ativa, visita
seres, lugares, revive ocorrências do passado, ou pode até
acessar, mesmo que raramente, alguma informação do futuro,
sem falar nos muitos trabalhos exercidos do outro lado, como nos afirma
Léon Denis, no seu livro No Invisível, quando
diz, “O espírito de certas pessoas continua a trabalhar
durante o sono, e com o auxílio dos conhecimentos adquiridos
no passado, chega a realizar obras consideráveis”.
Algumas vezes despertamos com vagas lembranças, outras vezes
não temos nenhuma recordação das ocorrência
durante o sono, mas, mesmo assim, acordamos com uma sensação
agradável, um bem-estar inexplicável, que pode ter sua
origem, sua causa, num encontro com os seres que amamos ou na execução
de trabalhos edificantes, no outro lado da vida. Mas, vale ressaltar
que pode ocorrer o inverso, de despertarmos cansados, com um mal-estar
terrível, que pode ter relação com encontros
menos felizes e até mesmo com influências obsessivas.
É bom lembrar que não precisamos ficar numa busca frenética
de explicação para todos os sonhos, já que nem
todos têm significado para a vida corporal. Sobre o assunto,
Allan Kardec, na questão 404, recebe a orientação
firme dos benfeitores que disseram: “Os sonhos não são
verdadeiros como entendem certos adivinhos, porque é um absurdo
crer-se que sonhar com tal coisa, anuncia tal coisa. Eles são
verdadeiros no sentido de que apresentam imagens reais para o espírito,
mas que, frequentemente, não têm relação
com o que se passa na vida corporal”.
Portanto, valorizemos o ato de sonhar, mas não nos prendamos
nele, com uma empolgação que, frequentemente, nos faz
perder muito tempo e energia em busca de respostas que não
existem, e, se avaliarmos os sonhos, com calma, sem fanatismos, veremos
que a oração pode ser o melhor a se fazer em muitas
situações, já que, se sonharmos com alguém
em situação de sofrimento, a prece por auxílio
será o melhor a fazer por tal espírito, se o sonho for
com alguém que esteja bem, a prece para agradecimento será
de grande valia.
O sono tem uma importância fundamental, não apenas para
o corpo, mas também para o espírito, como disseram os
Benfeitores a Kardec na questão 402, “pelo efeito do
sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relacionamento
com o mundo dos Espíritos, e é isso que faz com que
os Espíritos superiores consintam, sem demasiada repulsa, em
encarnarem entre vós”, ou seja, o sono alivia a pressão
de viver num mundo de provas e expiações, ainda muito
material, em que o corpo se apresenta, muitas vezes, como uma prisão,
impedindo a manifestação do ser que o habita.
Sendo assim, precisamos nos preparar mais e melhor para as horas que
passaremos viajando pelo mundo espiritual, enquanto nosso corpo repousa.
Leitura edificante, conversas elevadas e preces, são alguns
recursos que possuímos para qualificar as companhias que teremos
e as ações que realizaremos durante as horas de sono,
a fim de que despertemos e prossigamos a jornada evolutiva a que estamos
destinados.