Espiritualidade e Sociedade





William Jacob

>   O sono e os sonhos

Artigos, teses e publicações

William Jacob
>   O sono e os sonhos - Valorizemos sem fanatismo as experiências que temos enquanto nosso corpo repousa

 

 

Allan Kardec, através das suas obras, nos trouxe reflexões sobre os mais variados assuntos, dentre eles, o sono e os sonhos, que estão, principalmente, em O Livro dos Espíritos, questões 400 a 412, e que merece nosso estudo e meditação.

Fora do meio espírita, alguns acreditam serem os sonhos simples frutos da imaginação do inconsciente do indivíduo, outros dizem ser a busca por algo reprimido, e há quem afirme que são experiências espirituais.

De maneira resumida podemos afirmar que, durante o sono, a alma se afasta do corpo, sem dele se desligar, e se mantém ativa, visita seres, lugares, revive ocorrências do passado, ou pode até acessar, mesmo que raramente, alguma informação do futuro, sem falar nos muitos trabalhos exercidos do outro lado, como nos afirma Léon Denis, no seu livro No Invisível, quando diz, “O espírito de certas pessoas continua a trabalhar durante o sono, e com o auxílio dos conhecimentos adquiridos no passado, chega a realizar obras consideráveis”.

Algumas vezes despertamos com vagas lembranças, outras vezes não temos nenhuma recordação das ocorrência durante o sono, mas, mesmo assim, acordamos com uma sensação agradável, um bem-estar inexplicável, que pode ter sua origem, sua causa, num encontro com os seres que amamos ou na execução de trabalhos edificantes, no outro lado da vida. Mas, vale ressaltar que pode ocorrer o inverso, de despertarmos cansados, com um mal-estar terrível, que pode ter relação com encontros menos felizes e até mesmo com influências obsessivas.

É bom lembrar que não precisamos ficar numa busca frenética de explicação para todos os sonhos, já que nem todos têm significado para a vida corporal. Sobre o assunto, Allan Kardec, na questão 404, recebe a orientação firme dos benfeitores que disseram: “Os sonhos não são verdadeiros como entendem certos adivinhos, porque é um absurdo crer-se que sonhar com tal coisa, anuncia tal coisa. Eles são verdadeiros no sentido de que apresentam imagens reais para o espírito, mas que, frequentemente, não têm relação com o que se passa na vida corporal”.

Portanto, valorizemos o ato de sonhar, mas não nos prendamos nele, com uma empolgação que, frequentemente, nos faz perder muito tempo e energia em busca de respostas que não existem, e, se avaliarmos os sonhos, com calma, sem fanatismos, veremos que a oração pode ser o melhor a se fazer em muitas situações, já que, se sonharmos com alguém em situação de sofrimento, a prece por auxílio será o melhor a fazer por tal espírito, se o sonho for com alguém que esteja bem, a prece para agradecimento será de grande valia.

O sono tem uma importância fundamental, não apenas para o corpo, mas também para o espírito, como disseram os Benfeitores a Kardec na questão 402, “pelo efeito do sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relacionamento com o mundo dos Espíritos, e é isso que faz com que os Espíritos superiores consintam, sem demasiada repulsa, em encarnarem entre vós”, ou seja, o sono alivia a pressão de viver num mundo de provas e expiações, ainda muito material, em que o corpo se apresenta, muitas vezes, como uma prisão, impedindo a manifestação do ser que o habita.

Sendo assim, precisamos nos preparar mais e melhor para as horas que passaremos viajando pelo mundo espiritual, enquanto nosso corpo repousa. Leitura edificante, conversas elevadas e preces, são alguns recursos que possuímos para qualificar as companhias que teremos e as ações que realizaremos durante as horas de sono, a fim de que despertemos e prossigamos a jornada evolutiva a que estamos destinados.


Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/05-Revista_CELD_Maio-2018.pdf

 

 

 

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