Espiritualidade e Sociedade





William Jacob

>   O que sai da boca procede do Coração

Artigos, teses e publicações

William Jacob
>   O que sai da boca procede do Coração

 

 


Léon Denis, no livro O Problema do Ser e do Destino, Capítulo 23, intitulado O Pensamento, afirma:

“O pensamento é criador. Ele não atua só em torno de nós, influenciando nossos semelhantes para o bem ou para o mal; atua principalmente em nós. Gera nossas palavras, nossas ações e, com ele, construímos, a cada dia, o edifício, grandioso ou miserável, de nossa vida, presente e futura.”

A fala de Léon Denis nos chama a atenção para o cuidado que devemos ter com a qualidade daquilo que pensamos, já que é no pensamento que nascem as ações mais nobres, assim como as atitudes mais lamentáveis, como asseverou Jesus (1), quando disse:

“Não é o que entra na boca o que torna comum o homem, mas o que sai da boca, isso torna comum o homem.” Mateus, Cap. 15.

E explica aos discípulos que “o que sai da boca procede do coração” e que “do coração saem desígnios maus, homicídios, adultérios, fornicações, roubos, falsos testemunhos e blasfêmias.”

Enquanto os fariseus se preocupavam com o cumprimento da tradição de lavar as mãos antes de se alimentarem, Jesus aproveitou a situação para orientá-los sobre aquilo com que devemos realmente nos preocupar. Então, ele, como em outros momentos, usa do conhecido para falar do desconhecido, recorre a uma prática cotidiana para falar do cuidado que devemos ter com nossos pensamentos.

Precisamos pegar a orientação de Jesus e trazê-la para o nosso dia a dia, já que muita vezes nos revoltamos pelo que os outros falam de nós, quando, na verdade, deveríamos nos preocupar com o que falamos dos outros; frequentemente ficamos preocupados com o que outros pensam sobre determinados assuntos e pessoas, e não observamos as nossas próprias reações sobre as mesmas questões; nos inquietamos, quando somos prejudicados, mas não nos importamos quando prejudicamos; enfim, poderíamos estender-nos mais, em diversas situações em que focamos no externo e no outro, e não em nós. Fixamo-nos no que entra pela boca, simbolicamente falando, e não no que dela sai.

O espírito Lázaro, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 9, traz uma reflexão que podemos relacionar com o que falamos até o momento. Disse ele:

“Não basta que dos lábios manem leite e mel. Se o coração de modo algum lhes está associado, só há hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas nunca se desmente: é o mesmo, tanto em sociedade, como na intimidade. Esse, ao demais, sabe que se, pelas aparências, se consegue enganar os homens, a Deus ninguém engana.” – Lázaro. (Paris, 1861.)

Não é fácil disciplinar o pensamento e, consequentemente, as palavras e os atos; isso leva tempo, e Léon Denis vai nos dar dicas valiosas na obra já citada, tais como: desenvolver o hábito da prece, da meditação, o autoconhecimento, ter em quem se inspirar para tomar uma decisão difícil, ler obras edificantes e outras ações que deveremos incorporar às práticas diárias.

Enquanto não conseguimos ter somente pensamentos elevados, cuidemos de vigiar o que falamos e fazemos. Pensar em algo ruim e não fazer é melhor do que pensar e fazer, até que um dia, pela prática constante, conseguiremos pensar e atuar como nos ensinou Jesus.

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/04-Revista_CELD_Abril-2020.pdf

 

* * *

 



topo

 

 

Acessem os Artigos, teses e publicações: ordem pelo sobrenome dos autores :
|  B  |   C  |   D   |  F   |  G  |   H  |   I   |  J     K   |   L    M  |   N   |   O   |   P  
-  Q  |   R  |  S  |   T   |   U   |   V    |   W   |   X    |   Y    |    Z  
Allan Kardec      -   Special Page - Translated Titles
* lembrete - obras psicografadas entram pelo nome do autor espiritual :