Léon Denis, no livro O Problema do Ser e do Destino,
Capítulo 23, intitulado O Pensamento, afirma:
“O pensamento é criador.
Ele não atua só em torno de nós, influenciando
nossos semelhantes para o bem ou para o mal; atua principalmente
em nós. Gera nossas palavras, nossas ações
e, com ele, construímos, a cada dia, o edifício, grandioso
ou miserável, de nossa vida, presente e futura.”
A fala de Léon Denis nos chama
a atenção para o cuidado que devemos ter com a qualidade
daquilo que pensamos, já que é no pensamento que nascem
as ações mais nobres, assim como as atitudes mais lamentáveis,
como asseverou Jesus (1), quando disse:
“Não é o que entra
na boca o que torna comum o homem, mas o que sai da boca, isso torna
comum o homem.” Mateus, Cap. 15.
E explica aos discípulos que
“o que sai da boca procede do coração” e
que “do coração saem desígnios maus, homicídios,
adultérios, fornicações, roubos, falsos testemunhos
e blasfêmias.”
Enquanto os fariseus se preocupavam com o cumprimento da tradição
de lavar as mãos antes de se alimentarem, Jesus aproveitou
a situação para orientá-los sobre aquilo com
que devemos realmente nos preocupar. Então, ele, como em outros
momentos, usa do conhecido para falar do desconhecido, recorre a uma
prática cotidiana para falar do cuidado que devemos ter com
nossos pensamentos.
Precisamos pegar a orientação de Jesus e trazê-la
para o nosso dia a dia, já que muita vezes nos revoltamos pelo
que os outros falam de nós, quando, na verdade, deveríamos
nos preocupar com o que falamos dos outros; frequentemente ficamos
preocupados com o que outros pensam sobre determinados assuntos e
pessoas, e não observamos as nossas próprias reações
sobre as mesmas questões; nos inquietamos, quando somos prejudicados,
mas não nos importamos quando prejudicamos; enfim, poderíamos
estender-nos mais, em diversas situações em que focamos
no externo e no outro, e não em nós. Fixamo-nos no que
entra pela boca, simbolicamente falando, e não no que dela
sai.
O espírito Lázaro, em O Evangelho Segundo o Espiritismo,
capítulo 9, traz uma reflexão que podemos relacionar
com o que falamos até o momento. Disse ele:
“Não basta que dos lábios
manem leite e mel. Se o coração de modo algum lhes
está associado, só há hipocrisia. Aquele cuja
afabilidade e doçura não são fingidas nunca
se desmente: é o mesmo, tanto em sociedade, como na intimidade.
Esse, ao demais, sabe que se, pelas aparências, se consegue
enganar os homens, a Deus ninguém engana.” –
Lázaro. (Paris, 1861.)
Não é fácil disciplinar
o pensamento e, consequentemente, as palavras e os atos; isso leva
tempo, e Léon Denis vai nos dar dicas valiosas na obra já
citada, tais como: desenvolver o hábito da prece, da meditação,
o autoconhecimento, ter em quem se inspirar para tomar uma decisão
difícil, ler obras edificantes e outras ações
que deveremos incorporar às práticas diárias.
Enquanto não conseguimos ter somente pensamentos elevados,
cuidemos de vigiar o que falamos e fazemos. Pensar em algo ruim e
não fazer é melhor do que pensar e fazer, até
que um dia, pela prática constante, conseguiremos pensar e
atuar como nos ensinou Jesus.