Ao longo da história do Espiritismo,
vários jovens se destacaram naquilo que se propuseram a fazer.
Impossível falar deste assunto e não nos lembrarmos
das irmãs Kate Fox, com 11 e Margareth Fox, com 14 anos de
idade, que, em 1848, produziram fenômenos que abalaram a pequena
cidade de Hydesville, nos Estados Unidos, dando ensejo ao que Arthur
Conan Doyle classificou como “a invasão organizada dos
Espíritos”. Allan Kardec, durante a codificação,
trabalhou com várias médiuns, dentre elas Ermance Dufaux,
14 anos, Caroline e Julie Baudin, 14 e 16 anos, Ruth Celine Japeth
e Aline Carlotti, ambas com 18 anos de idade.
Poderíamos falar de Gabriel Dellane, Léon Denis, Chico
Xavier e tantos outros que, apesar da pouca idade, davam mostras de
comprometimento com a causa espírita. Mas é preciso
analisar o presente, e a realidade de muitas casas espíritas
é um notório envelhecimento do público que a
frequenta. Claro que há grupos com uma juventude vibrante e
atuante, mas percebo que estes fazem parte da minoria, e, como bons
exemplos que são, precisam ajudar os demais centros a encontrar
respostas para a pergunta que não sai da mente de muitos: “O
que é preciso fazer para atrair os jovens para a casa espírita?”
Claro que a resposta não é simples e fácil. E,
dentro da sua complexidade, é preciso que reflitamos sobre
o que cada um de nós tem feito para mudar o cenário
atual.
Enquanto dirigentes, ainda achamos que os jovens servem apenas para
carregar cadeiras e fazer campanha do quilo, ou entendemos que eles
pensam e têm ideias que podem melhorar o centro em vários
aspectos?
Na condição de pais, temos noção de como
a mocidade espírita pode fazer bem para nossos filhos, mesmo
que estes não compreendam e muitas vezes resistam em participar?
E, por fim, como jovens, temos procurado o diálogo com os dirigentes
em busca de espaço para melhor atuarmos em prol da mocidade,
da casa, da causa, de um mundo melhor, ou, diante do primeiro obstáculo,
temos desistido e nos acomodado achando que nunca seremos ouvidos
e atendidos?

Para cada pergunta feita aparecerão várias
respostas, que dão ensejo a novos questionamentos e novas reflexões
que precisamos fazer urgentemente, não necessariamente para
que os jovens aumentem o número de adeptos do Espiritismo,
ou para que a casa fique cheia, mas para que eles encontrem, também
no Espiritismo, o apoio de que precisam para suportar e superar os
desafios da vida e para que deixem de ser apenas a eterna promessa
para se tornarem agentes transformadores da realidade do mundo em
que vivemos.
Vejamos e reflitamos sobre o que escreveu Léon Denis, no livro
Um Olhar Sobre o Tempo Presente, em relação
à juventude: “Se for orientada de maneira sábia
e esclarecida, esta juventude laboriosa executará grandes coisas
e atingirá o propósito supremo da vida: criará
um mundo novo. Eis a primeira condição para as grandes
conquistas do futuro: a liberdade da inteligência na busca do
verdadeiro, a liberdade da consciência na prática do
bem.”
Abramos as casas espíritas para a os jovens, ofereçamos
a eles as condições necessárias para que atuem,
mas, acima de tudo, abramos os nossos corações, para
que, cheios de energia e disposição, encontrem em nós
a ajuda de que precisam para fazer mais e melhor.
Os jovens não são parte do problema, mas parte da solução.
Confiemos e sigamos juntos na construção de um mundo
melhor.