Espiritualidade e Sociedade





William Jacob

>   É preciso saber viver para melhor morrer

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William Jacob
>   É preciso saber viver para melhor morrer

 

 

É preciso saber viver para melhor morrer
A bagagem que nos acompanha além-túmulo é obra nossa

 

A grande certeza que o ser humano traz consigo é a da morte, não se sabe quando e como, mas não se nega que um dia deixaremos este mundo.

Neste ponto concordarmos todos, espíritas, católicos, protestantes, budistas e até mesmo os ateus, mas o que ocorre após a morte é motivo de divergências, já que alguns defendem a ideia do nada, outros apostam na existência do céu e inferno, e nós, os espíritas, sabemos, e não apenas acreditamos, que há uma continuidade, com várias moradas e possibilidades para que prossigamos nossa trajetória de espíritos imortais.

O saber espírita não se apoia em suposições, mas em fatos, provas produzidas por aqueles que já morreram, ou melhor, deixaram seus corpos, e, utilizando-se da mediunidade dos encarnados, nos informaram que continuam vivos, e mais do que isso, que carregam consigo aquilo que alimentaram ao longo de suas existências.

A fim de nos esclarecer sobre esse assunto, Léon Denis, o Apóstolo do Espiritismo, escreveu no livro No Invisível:

Sabemos que a morte não traz mudança alguma essencial à natureza íntima do ser, que permanece, em todos os meios, o que se fez, conduzindo para o além-túmulo seus pendores, suas afeições, e seus ódios, suas grandezas e suas fraquezas; (...)”

A partir desta frase de Denis podemos afirmar que a morte não nos transforma em anjos, nem em demônios, não mudamos intimamente, de imediato, do mesmo modo que a mudança de cidade, país, não torna ninguém nem mais e nem menos inteligente ou virtuoso.

Ao desencarnar levaremos apenas o que é nosso, e nesse ponto, vale ressaltar que é de propriedade do espírito apenas o que não vemos e não tocamos, como escreveu Exupéry, “O essencial é invisível aos olhos”.

Perder o corpo não significa deixar nele nem mesmo os vícios que carregamos ao longo da encarnação e que não foram devidamente combatidos e transformados, como o vício em drogas, em sexo, nos jogos de azar, e outros que nos prejudicam não apenas aqui, mas também do outro lado. A vontade é um atributo do Espírito e não do corpo, aquilo que a criatura deseja como encarnada continuará desejando no mundo espiritual, e será, então, atraída para lugares e pessoas que estejam na mesma sintonia.

Do mesmo modo, aqueles que se alegram em fazer o bem não perdem tal gosto ao deixar o corpo físico, e se sentirão atraídos para grupos e pessoas afins, sempre guiados pela lei de atração.

A grande questão é, se desencarnássemos hoje, seríamos atraídos para que tipo de tarefa, local ou pessoas?

Não quero com isso causar nenhum pânico, apenas provocar uma reflexão, já que muitas vezes adiamos para o futuro o combate aos vícios ou a vinculação ao trabalho no bem, quase sempre amparados em diversas justificativas que servem como desculpas, mas que não solucionam o problema.

A resposta para a indagação acima pode ser um alívio ou um alerta, cabe-nos ter o cuidado e a disposição de fazer o bem em prol de si, dos outros e da vida.

 

 

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/10-Revista_CELD_Outubro-2018.pdf

 

 

 

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