É preciso saber viver para melhor
morrer
A bagagem que nos acompanha além-túmulo é obra
nossa
A grande certeza que o ser humano traz consigo é
a da morte, não se sabe quando e como, mas não se nega
que um dia deixaremos este mundo.
Neste ponto concordarmos todos, espíritas, católicos,
protestantes, budistas e até mesmo os ateus, mas o que ocorre
após a morte é motivo de divergências, já
que alguns defendem a ideia do nada, outros apostam na existência
do céu e inferno, e nós, os espíritas, sabemos,
e não apenas acreditamos, que há uma continuidade, com
várias moradas e possibilidades para que prossigamos nossa
trajetória de espíritos imortais.
O saber espírita não se apoia em suposições,
mas em fatos, provas produzidas por aqueles que já morreram,
ou melhor, deixaram seus corpos, e, utilizando-se da mediunidade dos
encarnados, nos informaram que continuam vivos, e mais do que isso,
que carregam consigo aquilo que alimentaram ao longo de suas existências.
A fim de nos esclarecer sobre esse assunto, Léon Denis, o Apóstolo
do Espiritismo, escreveu no livro No Invisível:
“Sabemos que a morte não traz mudança
alguma essencial à natureza íntima do ser, que permanece,
em todos os meios, o que se fez, conduzindo para o além-túmulo
seus pendores, suas afeições, e seus ódios,
suas grandezas e suas fraquezas; (...)”
A partir desta frase de Denis podemos afirmar que
a morte não nos transforma em anjos, nem em demônios,
não mudamos intimamente, de imediato, do mesmo modo que a mudança
de cidade, país, não torna ninguém nem mais e
nem menos inteligente ou virtuoso.
Ao desencarnar levaremos apenas o que é nosso, e nesse ponto,
vale ressaltar que é de propriedade do espírito apenas
o que não vemos e não tocamos, como escreveu Exupéry,
“O essencial é invisível aos olhos”.
Perder o corpo não significa deixar nele nem mesmo os vícios
que carregamos ao longo da encarnação e que não
foram devidamente combatidos e transformados, como o vício
em drogas, em sexo, nos jogos de azar, e outros que nos prejudicam
não apenas aqui, mas também do outro lado. A vontade
é um atributo do Espírito e não do corpo, aquilo
que a criatura deseja como encarnada continuará desejando no
mundo espiritual, e será, então, atraída para
lugares e pessoas que estejam na mesma sintonia.
Do mesmo modo, aqueles que se alegram em fazer o bem não perdem
tal gosto ao deixar o corpo físico, e se sentirão atraídos
para grupos e pessoas afins, sempre guiados pela lei de atração.
A grande questão é, se desencarnássemos hoje,
seríamos atraídos para que tipo de tarefa, local ou
pessoas?
Não quero com isso causar nenhum pânico, apenas provocar
uma reflexão, já que muitas vezes adiamos para o futuro
o combate aos vícios ou a vinculação ao trabalho
no bem, quase sempre amparados em diversas justificativas que servem
como desculpas, mas que não solucionam o problema.
A resposta para a indagação acima pode ser um alívio
ou um alerta, cabe-nos ter o cuidado e a disposição
de fazer o bem em prol de si, dos outros e da vida.