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William Jacob
> O espírita perante as falsas soluções
para a violência
“Onde houver ódio
que eu leve o amor.”
– Francisco de Assis –
Uma questão
tem tomado conta das discussões em nosso país. Devemos
ou não portar armas de fogo? Devemos ou não dar carta
branca para que agentes de segurança matem bandidos?
É natural que cada um se posicione, emita sua opinião
e defenda seu ponto de vista. No entanto, não é recomendado
a ninguém ter pensamentos rasos e simples para problemas profundos
e graves, como os da insegurança. Há quem acredite na
eficácia das frases de impacto, tais como “bandido bom
é bandido morto”, “basta matar 30 mil bandidos
que os outros pensarão duas vezes antes de cometer um crime”,
e tantas outras que empolgam muita gente, mas que, além de
não solucionar o problema, incentiva a cultura do ódio,
já tão presente em nosso país.
O Atlas da Violência, com os dados de 2017, é assustador.
Ele informa, por exemplo, que 63.880 pessoas foram assassinadas, um
crescimento de 2,9% em relação a 2016. As mortes pela
polícia registraram aumento de 20% em relação
ao ano anterior e a situação é considerada preocupante
no Rio de Janeiro, que teve 1.127 pessoas mortas por agentes de segurança
em 2017, taxa de 6,7 por 100 mil habitantes, a mais alta do país.
Não precisamos refletir muito para saber que matar mais não
tem sido a melhor alternativa. Sadam Hussein foi executado com transmissão
ao vivo para o mundo todo e nem por isso o terrorismo deixou de existir.
Diante destes dados alarmantes surgem algumas ideias nada pacíficas,
dentre elas, a de que é preciso armar as pessoas de bem e eliminar
da sociedade alguns criminosos para servir de exemplo aos demais.
Ideias que não deveriam encontrar respaldo entre os cristãos,
mas não é isso que percebemos, e, por isso, precisamos
lembrar que Jesus deu uma lição a Simão Pedro
quando este cortou a orelha do soldado Malco, e, temos ainda que lembrar
de Saulo de Tarso, mandante do assassinato de Estêvão
e que, seguindo para Damasco para assassinar Ananias, se depara com
Jesus, que lhe pergunta: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”,
e ele diz “Senhor, que queres que eu faça?”, tempos
depois veremos Paulo de Tarso divulgando o Evangelho pelas palavras
e pelo exemplo. Nos padrões dos que se dizem cristãos
na atualidade Saulo deveria ter recebido como sentença a pena
de morte, e Simão condecorado pelo ato de “bravura”,
porém, Jesus tem métodos educativos amorosos e não
belicosos.

Mesmo entre os espíritas há
aqueles que não compreenderam a mensagem pacificadora de
Jesus.
Nos vangloriamos de fazer parte de uma doutrina de fé raciocinada;
nos alegramos de ter tido como grande iniciador o francês Allan
Kardec, um homem que recebeu a alcunha de “bom senso encarnado”;
nos orgulhamos de fazer parte, estudar e divulgar a terceira revelação
de Deus aos homens; aceitamos de bom grado a ideia de que o Espiritismo
é de fato o Consolador prometido por Jesus; com pouco mais
de 160 anos de História, tivemos nomes que se destacaram pela
capacidade de se doar, perdoar ofensas, respeitar as diferenças,
resignar na dor, enfim, foram reconhecidos pelo amor oferecido a tudo
e a todos, poderíamos citar Léon Denis, Bezerra de Menezes,
Eurípedes Barsanulfo, Francisco Cândido Xavier, Yvonne
do A. Pereira, e muitos outros.
Motivos não nos faltam para concordar que as tentativas, por
parte das autoridades, de se chegar à paz têm sido fracassadas,
porém, nada nos impede de alimentar a esperança, acreditar
que dias melhores virão e de relembrar a célebre frase
de Gandhi, o pacificador desarmado, que disse “não existe
caminho para a paz, a paz é o caminho”.
Fonte: Revista CELD de Estudos
Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/11-Revista_CELD_Novembro-2018.pdf
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