Espiritualidade e Sociedade





William Jacob

>   Crer, saber e vivenciar

Artigos, teses e publicações

William Jacob
>   Crer, saber e vivenciar

 

Léon Denis, no livro O Problema do Ser e do Destino, Capítulo 2, intitulado O Critério da Doutrina dos Espíritos, afirma:

Hoje em dia, crer não é mais o suficiente; queremos saber. Nenhuma concepção filosófica ou moral tem chance de sucesso, se não se apoiar em uma demonstração, ao mesmo tempo, lógica, matemática e positiva, e se, além disso, não for coroada por uma sanção que satisfaça todos os nossos instintos de justiça.”

Pode-se perceber que estas condições, Allan Kardec as preencheu perfeitamente, na magistral exposição contida em seu “O Livro dos Espíritos”.

O Apóstolo do Espiritismo nos chama a atenção para a necessidade do saber, já que a crença desprovida de conhecimento pode se tornar fanática e cega.

Não podemos negar que mesmo a fé cega pode ser útil e benéfica para alguns, mas chega um momento em que, pela falta de uma doutrina lógica e racional, muitos se veem empurrados para a negação e para o ateísmo.

Um dos maiores questionamentos é:

  • Se Deus é justo, por que há tantas injustiças no mundo?
  • Por que uns nascem sadios e outros doentes?
  • Qual a causa da existência dos gênios?
  • Seriam assim por mero capricho da divindade?
  • Se a resposta a esta pergunta for sim, outra dúvida surge.
  • Por que Deus capricha e privilegia alguns e não a todos?

Diante de algumas perguntas, muitos podem dizer, simplesmente, que se trata de mistério, ou
de que Deus faz o que bem entender e que não deve satisfações a nós, criaturas que devemos simplesmente temê-lo.

É aí que entra a importância da Doutrina Espírita, para sanar muitas dúvidas e fortalecer a fé daqueles que estão descontentes com as respostas até então obtidas.

Vale destacar que ninguém é obrigado a deixar de ser católico, protestante, budista, ou membro de qualquer religião, pelo simples fato de ter estudado o Espiritismo. Eu mesmo conheço muitas pessoas que assistem a palestras em Centros Espíritas, leem livros espíritas e continuam frequentando a Igreja ou o templo de sua preferência. Não temos a intenção de converter ninguém, até porque a salvação não depende da crença, mas da atitude caridosa para com os outros.

Voltando à reflexão de Denis, faz-se necessário que coloquemos aqui uma questão de O Livro dos Espíritos, a de número 171, em que o codificador pergunta:

"Em que se funda o dogma da reencarnação?
“Na justiça de Deus e na revelação, pois incessantemente repetimos: o bom pai deixa sempre aberta a seus filhos uma porta para o arrependimento.(...)”

A reencarnação vem mostrar que Deus é justo, que todos, sem exceção, fomos criados simples e ignorantes, e que, de acordo com o uso que fazemos do nosso livre-arbítrio, colhemos flores ou espinhos na estrada que nós mesmos construímos.

Como escreveu Léon Denis, desta vez no livro O Grande Enigma, cap. 9,

A condição atual de qualquer alma é o resultado justo de suas existências passadas. Assim também, nossa existência presente cria, dia após dia, através de nossos atos livres, a sorte a que nós nos submeteremos no futuro.”

Sendo assim, cabe, a cada um de nós, não apenas acreditar, mas estudar e compreender
que somos os arquitetos do nosso destino.

Fazendo isto, estaremos dando um passo muito grande para que, além de crer e saber,
possamos vivenciar os ensinos superiores trazidos por grandes nomes ao longo de nossa história, sendo o principal deles Jesus.

 


Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/05-Revista_CELD_Maio-2018.pdf

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