Léon Denis, no livro O
Problema do Ser e do Destino, Capítulo 2, intitulado
O Critério da Doutrina dos Espíritos, afirma:
“Hoje em dia, crer não
é mais o suficiente; queremos saber. Nenhuma concepção
filosófica ou moral tem chance de sucesso, se não
se apoiar em uma demonstração, ao mesmo tempo, lógica,
matemática e positiva, e se, além disso, não
for coroada por uma sanção que satisfaça todos
os nossos instintos de justiça.”
Pode-se perceber que estas condições,
Allan Kardec as preencheu perfeitamente, na magistral exposição
contida em seu “O Livro dos Espíritos”.
O Apóstolo do Espiritismo nos chama a atenção
para a necessidade do saber, já que a crença desprovida
de conhecimento pode se tornar fanática e cega.
Não podemos negar que mesmo a fé cega pode ser útil
e benéfica para alguns, mas chega um momento em que, pela falta
de uma doutrina lógica e racional, muitos se veem empurrados
para a negação e para o ateísmo.
Um dos maiores questionamentos é:
- Se Deus é justo, por que há tantas
injustiças no mundo?
- Por que uns nascem sadios e outros doentes?
- Qual a causa da existência dos gênios?
- Seriam assim por mero capricho da divindade?
- Se a resposta a esta pergunta for sim, outra dúvida
surge.
- Por que Deus capricha e privilegia alguns
e não a todos?
Diante de algumas perguntas, muitos
podem dizer, simplesmente, que se trata de mistério, ou
de que Deus faz o que bem entender e que não deve satisfações
a nós, criaturas que devemos simplesmente temê-lo.
É aí que entra a importância da Doutrina Espírita,
para sanar muitas dúvidas e fortalecer a fé daqueles
que estão descontentes com as respostas até então
obtidas.
Vale destacar que ninguém é obrigado a deixar de ser
católico, protestante, budista, ou membro de qualquer religião,
pelo simples fato de ter estudado o Espiritismo. Eu mesmo conheço
muitas pessoas que assistem a palestras em Centros Espíritas,
leem livros espíritas e continuam frequentando a Igreja ou
o templo de sua preferência. Não temos a intenção
de converter ninguém, até porque a salvação
não depende da crença, mas da atitude caridosa para
com os outros.
Voltando à reflexão de Denis, faz-se necessário
que coloquemos aqui uma questão de O Livro dos
Espíritos, a de número 171, em que o codificador
pergunta:
"Em que se funda o dogma
da reencarnação?
“Na justiça de Deus e na revelação, pois
incessantemente repetimos: o bom pai deixa sempre aberta a seus
filhos uma porta para o arrependimento.(...)”
A reencarnação vem mostrar
que Deus é justo, que todos, sem exceção, fomos
criados simples e ignorantes, e que, de acordo com o uso que fazemos
do nosso livre-arbítrio, colhemos flores ou espinhos na estrada
que nós mesmos construímos.
Como escreveu Léon Denis, desta vez no livro O Grande Enigma,
cap. 9,
“A condição atual de qualquer alma é
o resultado justo de suas existências passadas. Assim também,
nossa existência presente cria, dia após dia, através
de nossos atos livres, a sorte a que nós nos submeteremos no
futuro.”
Sendo assim, cabe, a cada um de nós,
não apenas acreditar, mas estudar e compreender
que somos os arquitetos do nosso destino.
Fazendo isto, estaremos dando um passo muito grande para que, além
de crer e saber,
possamos vivenciar os ensinos superiores trazidos por grandes nomes
ao longo de nossa história, sendo o principal deles Jesus.