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(trecho inicial)
Esta palestra é sobre se
podemos prever o futuro ou se ele é arbitrário e aleatório.
Na antigüidade, o mundo deve ter parecido razoavelmente arbitrário.
Desastres como enchentes ou doenças devem ter se parecido
a acontecimentos sem aviso ou razão aparente. Pessoas primitivas
atribuíram tais fenômenos naturais a um panteão
de deuses e deusas, que comportavam-se de forma caprichosa e mágica.
Não havia meio de prever o que eles fariam, e a única
esperança era ganhar favores em troca de presentes ou ações.
Muitas pessoas ainda assumem parcialmente esta crença, e
tentam fazer um pacto com a sorte. Elas se oferecem a fazer certas
coisas, se ganharem uma nota A em um curso, ou passarem no seu teste
de direção.
Gradualmente, entretanto, as pessoas devem ter notado certas regularidades
no comportamento da natureza. Estas regularidades eram muito óbvias
no movimento dos corpos celestes através do céu. Então
a astronomia foi a primeira ciência a ser desenvolvida. Ela
foi posta sobre uma base matemática firme por Newton, mais
de 300 anos atrás, e ainda usamos a sua teoria da gravidade
para prever o movimento de quase todos os corpos celestes. Seguindo
o exemplo da astronomia, foi descoberto que outros fenômenos
naturais também obedeciam leis científicas definidas.
Isto levou à idéia do determinismo científico,
que parece ter sido expressa publicamente pela primeira vez pelo
cientista francês Laplace. Gostaria de citar para vocês
as palavras originais de Laplace, então pedi a um amigo para
procurá-las. Elas estão em francês, é
claro, não que eu pense que isto seria algum problema para
esta assistência. Mas o problema é que Laplace era
como Prewst, pois escrevia frases de extensão e complexidade
incomuns. Então decidi parafrasear as citações.
Com efeito, o que ele disse foi que, se em um dado momento, soubermos
as posições e as velocidades de todas as partículas
no universo, então poderíamos calcular o seu comportamento
em qualquer outro tempo, no passado ou no futuro. Há uma
história, provavelmente apócrifa, de que quando Laplace
foi perguntado por Napoleão sobre como Deus se encaixava
neste sistema, ele respondeu, 'Senhor, eu não precisei desta
hipótese.' Não acho que Laplace estivesse afirmando
que Deus não existisse. Somente que ele não intervém
para quebrar as leis da Ciência. Esta deve ser a posição
de todo cientista. Uma lei científica não é
uma lei científica se ela somente se aplica quando algum
ser sobrenatural decide deixar as coisas funcionarem e não
intervir.