Espiritualidade e Sociedade





Alberto Groisman

>  Ethnographic Incorporation: Research, Mediunity, and (Re-) flexible(-ive) Ontology

Artigos, teses e publicações

Alberto Groisman
>  Ethnographic Incorporation: Research, Mediunity, and (Re-) flexible(-ive) Ontology
>  Incorporação Etnográfica: Pesquisa, Mediunidade e Ontologia (Re)flexível(-iva)

 

A. Groisman
Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis (SC), Brazil

 

 

Abstract

Reflections on mediunship in the social sciences have often been constructed inconsistently. It seems that this inconsistency is linked to an epistemo-methodological conviction, namely, that mediumship is a “phenomenon” of the “other”, of the one who “believes in spirits”. In fieldwork on spiritualists collectivites it is not rare to came across a statement that argues that an ethnographer is also a medium, whether he wants or admits to be or not. An unwillingness to accept this theo-cosmological principle is often motivated by the implications of peer prestige. The article analytically tries to address an event that occurred in a fieldwork among daimistas in the late 1980s, when I incorporated an entity. The purpose of the article, therefore, is to explore the analogy “medium-ethnographer”, particularly by addressing issues raised by a critical allusion to anthropologist “formation” and the experience of “ethnographic incorporation”. From the experience, I gradually elaborated and began to live with what I would call a (re-)flexible(-ive) ontology.

 

Resumo
(tradução por IA)

As reflexões sobre a mediunidade nas ciências sociais têm sido frequentemente construídas de forma inconsistente. Parece que essa inconsistência está ligada a uma convicção epistemo-metodológica, a saber, a de que a mediunidade é um “fenômeno” do “outro”, daquele que “acredita em espíritos”. Em trabalhos de campo sobre coletividades espiritualistas, não é raro encontrar afirmações que argumentam que um etnógrafo também é um médium, quer ele queira ou admita sê-lo ou não. A relutância em aceitar esse princípio teo-cosmológico é frequentemente motivada pelas implicações que isso pode acarretar para o prestígio entre os pares acadêmicos. O presente artigo busca analisar um evento ocorrido durante um trabalho de campo realizado entre daimistas no final da década de 1980, quando incorporei uma entidade espiritual. O objetivo do artigo, portanto, é explorar a analogia “médium-etnógrafo”, particularmente abordando questões levantadas por uma alusão crítica à “formação” antropológica e à experiência de “incorporação etnográfica”. A partir dessa experiência, elaborei gradualmente e passei a conviver com o que denomino uma ontologia (re)flexível/(re)flexiva.



Introdução

A difusão da noção de “antropologia simétrica” (Latour, 1994) teve grande repercussão nas ciências sociais contemporâneas, pelo menos no Brasil. Um dos aspectos por ela abordados foi o problema das relações de poder entre “antropólogos” e “nativos”. O que estava em jogo era o “direito” dos antropólogos de formular generalizações culturalistas sobre os nativos, tais como “eles são assim”, “eles pensam assim”, “eles agem assim”, etc. A principal implicação era que reivindicar para si a posição de “autoridade” sobre a cultura dos outros poderia constituir um resquício da ligação entre a antropologia e o colonialismo. Isso implicava abrir espaço para refletir sobre a ideia de ontologia.

Em meados da década de 2010, Descola (2013) e Latour (2013) retomaram esse debate ao propor a ideia de pluralismo ontológico como um alívio para os dilemas enfrentados pelos antropólogos diante da convivência com as ontologias dos “outros” e da necessidade de abordá-las. Trata-se das ontologias dos “outros” encontradas na produção etnográfica, sem deslegitimá-las como formas consistentes de compreender o mundo.

 

 

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Fonte: https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-662-72097-4_2 
https://doi.org/10.1007/9

 

 

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