O tema mediunidade é de grande
importância, já que faz parte da grande Lei Divina ou
Natural. Todos a possuem, mesmo que de forma rudimentar, e se trata
da capacidade de percebermos, nos impressionarmos ou simplesmente
sermos influenciados, tocados por outras mentes, quer estejam elas
mergulhadas no campo físico ou não.
Explicou Kardec, em O Livro dos Médiuns, capítulo
14, item 159, que “toda pessoa que sente a influência
dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium.
Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo, não
constitui privilégio. (…) Pode-se dizer, pois, que todos
são mais ou menos médiuns.” (2005)
Vale ampliarmos um pouco mais este conceito, a fim de podermos fazer
algumas diferenciações importantes. A palavra médium
faz referência, principalmente, à capacidade de uma pessoa
ser intermediária entre dois planos da vida (o mundo corporal
e o espiritual). Sendo assim, médium seria “aquele que
está no meio”, o que faz conexão com mentes ou
lugares em outra dimensão e exterioriza o que percebe. Seria
aquele que traz aquilo que percebeu no outro plano da vida para a
dimensão onde está inserido.
Sob este ponto de vista, podemos dizer, ainda, que todos possuem mediunidade,
mas nem todos atuam como médiuns (falo aqui no sentido de atividade
mediúnica). Isso porque aquele que é influenciado por
outras mentes nem sempre servirá de “ponte” entre
os dois planos, tampouco se utilizará de suas capacidades medianímicas
para produzir determinados fenômenos (pintura mediúnica,
psicografia, efeitos físicos etc.). E mais ainda: a maior parte
das pessoas sequer tem consciência de que sofre algum tipo de
influência de outras mentes.
Na verdade, muito se fala sobre os médiuns ostensivos, ou seja,
aqueles que são mais influenciáveis, que percebem mais
concretamente a ação e presença dos Espíritos
(encarnados ou desencarnados), produzindo, por conta de sua predisposição
perispiritual, fenômenos variados.
Ainda no mesmo capítulo acima citado, Kardec salienta que “essa
faculdade (mediunidade) não se revela em todos da mesma maneira.
Os médiuns têm, geralmente, aptidão especial para
esta ou aquela ordem de fenômenos, o que os divide em tantas
variedades quantas são as espécies de manifestações.
As principais são: médiuns de efeitos físicos,
médiuns sensitivos ou impressionáveis, auditivos, falantes,
videntes, sonâmbulos, curadores, pneumatógrafos, escreventes
ou psicógrafos”. (L.M., cap. XIV.)
O presente artigo não pretende esmiuçar estes tipos
de mediunidade, estudados com frequência nas Casas Espíritas,
por meio das obras básicas e complementares. Aqueles que desejam
aprender mais a respeito devem buscar meios para isso, principalmente
a leitura minuciosa de O Livro dos Médiuns, por ser
ele o melhor roteiro para aqueles que se percebem mais sensíveis
e que pretendem desenvolver melhor suas capacidades perceptivas. O
trabalho mediúnico é tarefa séria, que requer
mais que amorosidade: exige também a prática de estudo
constante, autovigilância e dedicação rotineira,
sob risco de erros e quedas graves.
Neste texto buscarei destacar a realidade da mediunidade no nosso
cotidiano, a questão da natureza dos pensamentos e as possíveis
sintonias e conexões firmadas entre nossa mente e a de outros
seres. Isso porque muito do que sentimos, fazemos, pensamos, além
de alguns sintomas físicos, podem ter em sua gênese algo
mais que somente a ação ou sentimentos do próprio
ser reencarnado.
A Natureza dos Pensamentos
Mas, afinal, que são pensamentos? De onde vêm e que ocasionam?
A respeito deste tema existem variadas teorias. Não me deterei
demasiado tempo nas explicações sobre elas (que são
muitas), já que a discussão sobre a relação
mente-cérebro ainda está na pauta da ciência,
em muitas das universidades do mundo todo. O meio acadêmico
ainda não chegou a um consenso a respeito.
Resumidamente, e dividindo estas teorias em dois grandes grupos, podemos
dizer que parte dos neurocientistas – aqueles que se apoiam
em uma base teórica (filosófica) materialista/reducionista
– afirma que a mente é um produto cortical, que os pensamentos
são parte desta mente que nada mais é que uma excreção,
um subproduto de ligações complexas cerebrais. “Frequentemente
acreditam que o cérebro humano é a resposta, que a mente
não existe, ou que é apenas um produto (para alguns,
um epifenômeno, um subproduto ineficiente) da química
e da atividade elétrica cerebral.” – explica
o Prof. Dr. Alexander Moreira-Almeida, da UFJF, no início de
um de seus artigos sobre tal discussão. Para estes, tudo é
matéria e nada existe ou sobrevive ao corpo e seus processos.
Entretanto, um crescente número de estudiosos vem afirmando
que existem evidências robustas de que a mente é externa
ao corpo e que ela é quem dá o tom aos processos cerebrais
e físicos. Dentre outras frentes de pesquisas, estes cientistas
(grupo do qual faz parte o próprio Dr. Alexander Moreira-Almeida)
seguem realizando estudos sérios a respeito das EQMs (Experiências
de Quase Morte). Teorias unicamente materialistas não conseguem
explicar como as pessoas experienciam pensamentos complexos e vívidos,
que são validados como verídicos posteriormente, em
momentos nos quais a atividade cerebral está aparentemente
ausente.
Para nós, que aqui discutimos a questão da mediunidade
e as influências espirituais, obviamente a mente é externa
ao corpo, preexistente e sobrevivente a ele, e os pensamentos são
resultado de sua atividade e não do cérebro. O que ocorre
é que o cérebro – uma máquina extremamente
influenciável, com sua plasticidade e capacidades próprias,
pode criar caminhos sinápticos de repetição,
promovendo a continuidade de mesmos pensamentos, até quando
a mente (alma) já não mais deseja repeti-los. Vale dizer
que tal “viciação” só ocorre após
muitos estímulos repetidos da mente. Por exemplo, a pessoa,
por conta de uma experiência marcante negativa com alguém,
registra no campo emocional o evento como aversivo e repete pensamentos
de raiva contra aquele que cometeu o suposto mal contra ele. Depois
de algum tempo todo o sistema cerebral estará encharcado com
esta natureza de pensamentos, fazendo-os repetir, mesmo quando estes
se tornam prejudiciais ao ser pensante. E mais: tais pensamentos repetidos
acabam por formar, em torno da pessoa, uma aura específica.
Os fluidos se transformam, absorvendo o tom dado pela mente autora,
exteriorizando-se, modificados. Disse Kardec que “os maus pensamentos
corrompem os fluidos espirituais, como os miasmas deletérios
corrompem o ar respirável”. (L.M., cap. 14 item 16.)
Pode-se concluir assim que em torno de uma pessoa, de uma família,
de uma cidade, de uma nação ou planeta, existe uma atmosfera
espiritual fluídica, que varia vibratoriamente, segundo a natureza
moral dos Espíritos envolvidos.
Atmosfera Fluídica e Sintonia
Emmanuel, na obra “Roteiro”,
esclarece que: “Somos obsidiados por amigos desencarnados
ou não e auxiliados por benfeitores, em qualquer plano da vida,
de conformidade com a nossa condição mental. Daí,
o imperativo de nossa constante renovação para o bem
infinito.”
A questão da natureza dos pensamentos é algo muito mais
sério do que pensam alguns. Jesus já dizia que o adultério
começa nos pensamentos e que já ali a questão
é grave. No livro Nos Domínios da Mediunidade,
ditado pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco
Cândido Xavier, o orientador Aulus comenta que “arrojamos
de nós a energia atuante do próprio pensamento, estabelecendo,
em torno de nossa individualidade, o ambiente psíquico que
nos é particular”. (…) “nossa mente
é um núcleo de forças inteligentes, gerando plasma
sutil que, a exteriorizar-se incessantemente de nós, oferece
recursos de objetividade às figuras de nossa imaginação,
sob o comando de nossos próprios desígnios”.
Mas não paramos por aí. Além de exteriorizarmos
formas-pensamento, acabamos por alterar fluidos e nos sintonizamos
com outras mentes a partir da qualidade desses pensamentos. Diz ainda
o orientador espiritual que “onde há pensamento,
há correntes mentais e onde há correntes mentais existe
associação. E toda associação é
interdependência e influenciação recíproca”.
Estamos aqui destacando a questão da sintonia mental, uma Lei
natural, que nos faz viver em regime de interdependência psíquica,
além da orgânica, como a natureza já nos demonstra,
diuturnamente. Portanto, a ideia de individualidade total e de sigilo
absoluto dos pensamentos é equivocada. A essa atmosfera fluídica
que criamos associam-se seres desencarnados com tendências morais
e vibratórias semelhantes, através da mesma Lei.
Por esta razão, os Espíritos superiores recomendam que
nossa conduta, nas relações com a vida, seja a mais
elevada possível. Uma criatura que vive entregue ao pessimismo
e aos maus pensamentos tem em volta de si uma atmosfera espiritual
escura, da qual se aproximam Espíritos doentios. A angústia,
a tristeza e a desesperança aparecem, formando um quadro físico-psíquico
deprimente, que pode ser modificado sob a orientação
dos ensinos morais de Jesus.
Perispírito, mediunidade e as várias
dimensões em que a vida acontece
Kardec tomou alguns cuidados ao organizar
a doutrina dos Espíritos. Um deles foi o de criar palavras
novas para conceitos novos, a fim de evitar confusões teóricas.
Dentre elas, passa a chamar de períspirito o envoltório
fluídico que dá forma à alma, constituído
de matéria sutil, não perceptível aos olhos físicos.
Antes dele, diversas culturas já falavam a respeito deste corpo
espiritual, usando outros nomes, mas destacando propriedades específicas,
tais como a dos Centros de Força (Chakras, para os hindus),
que foi tão bem explicado, posteriormente, pelo Espírito
André Luiz.
Logo no início de sua mais famosa obra, Zimmermann, no livro
“Perispírito”, explica que “Perispírito
é o envoltório sutil e perene da alma, que possibilita
sua interação com os meios espiritual e físico”
(Cap. I, p.23).
Possui a propriedade de ponderabilidade (pode ser submetido à
medida de peso) e luminosidade (pode ser mais ou menos luminoso, de
acordo com as características evolutivas da alma).
Outra propriedade é a de penetrabilidade. Por conta dela, os
espíritos podem atravessar paredes ou qualquer barreira física.
Contudo, os desencarnados que ainda são muito ligados à
matéria podem não conseguir atravessar obstáculos
físicos em decorrência de seu estado mental de baixo
potencial vibratório, o que condiciona suas possibilidades,
visto que seu perispírito está revestido de matéria
mais densa.
Outra característica do perispírito é a de expansibilidade,
que significa a ampliação do campo de sensibilidade
do perispírito. E é por conta desta característica
que acontecem diversos processos de percepção mediúnica.
O perispírito, quando materializado, pode ser tocado, portanto
é dotado de tangibilidade. Esta é uma das formas de
manifestação dos Espíritos.
O perispírito é perene, está ligado à
alma e, como esta, não pode ser destruído. Possui, ainda,
a característica de mutabilidade. Zimmermann afirma que: “O
perispírito, no decorrer do processo evolutivo, se não
é suscetível de modificar-se no que se refere à
sua substância, o é com relação à
sua estrutura e forma”. (Zimmermann, Perispírito,
Cap. II, p.55).
Graças às suas propriedades, também é
reservatório de memórias do Espírito, possuindo
plasticidade, podendo alterar sua forma, de acordo com as predisposições
e vontade da mente.
O mais importante a se saber aqui, por conta do tema proposto, é
que o perispírito apresenta densidade variável de acordo
com a evolução do Espírito. Por ser suscetível
de transformar-se estruturalmente, o perispírito pode tornar-se
mais ou menos denso, de acordo com nossos pensamentos/ sentimentos.
Sendo assim, quando cultivamos ideias negativas, maldosas, de desistência,
raiva etc., automaticamente alteramos o “peso” e a densidade
do perispírito, passando a vibrar em dimensões também
mais pesadas, onde transitam almas no mesmo padrão. Basta alterarmos
nossos sentimentos para sairmos de uma paisagem vibratória
para outra, instantaneamente. O oposto é verdadeiro: quando
vibramos amor, no mesmo instante saímos de uma dimensão
mais densa para outra, mais elevada, pacificada, harmoniosa.
Oração, Desdobramento e Espíritos
Orientadores
Dado o fato de que vivemos em um mundo
de provas e expiações, por necessidade e merecimento,
estamos sempre recebendo inputs de natureza inferior, assim
como, por conta de nossa própria imaturidade psíquica/espiritual,
continuamos lançando no mundo nossos próprios dardos
mentais, alterando negativamente os fluidos que nos envolvem, influenciando
também o meio no qual estamos inseridos.
A questão é que nossa essência real é divina,
portanto amor, paz. E sempre que nos desviamos do caminho amoroso,
sofremos, porque nos afastamos do nosso eu real, divino, cósmico.
A dor entra nesse processo como instrumento pedagógico, capaz
de nos fazer retornar ao bom caminho, reconhecendo a trilha do bem
como sendo a melhor possível.
Sempre que pensamos e realizamos coisas boas, as sensações
são as melhores possíveis, só sendo diferente
nos casos de profunda viciação junto ao mal. Na maior
parte dos casos, quando acertamos o passo, logo sentimos melhora geral.
E, para conseguirmos melhorar neste caminho cheio de dificuldades,
Jesus e outros sábios da antiguidade nos ensinaram o valor
da prece.
Se nossos pensamentos modificam os fluidos, tanto positiva como negativamente,
e se esses fluidos atraem outras mentes, entendemos que para atrairmos
o concurso dos bons espíritos precisamos elevar o tom mental.
Recordemos que André Luiz só recebeu o socorro de que
tanto necessitava após utilizar-se do recurso da prece, oito
anos após sua chegada a uma das regiões densas do mundo
espiritual. Mesmo a intervenção constante de sua mãe
– espírito de alta hierarquia moral – e de outros
amigos dela não foi suficiente para retirá-lo de sua
situação miserável. Foi preciso um movimento
dele, no sentido de dar algo de si, alterando a própria densidade
perispiritual, a fim de poder abrir-se para a ajuda que ali estava
desde antes.
Faz recordar a passagem evangélica, narrada pelos quatro evangelistas,
sobre quando Jesus teria alimentado uma multidão de pessoas,
antes de ensiná-los sobre a Boa-Nova, nos arredores de Betsaida.
De acordo com os evangelhos, quando Jesus ouviu que João Batista
havia sido morto, partiu solitariamente para a pequena vila de Pescadores.
Mas o povo o seguiu e, estando lá, Jesus se compadeceu deles,
curando muitos doentes.
À noite, muitos estavam com fome e os discípulos procuraram
o Mestre, dizendo que as pessoas deveriam ir embora em busca de alimentos.
Porém, Jesus pergunta aos amigos quais alimentos poderiam oferecer,
ao que responderam: “apenas cinco pães e dois peixes,
Senhor”. Jesus os toma e multiplica-os, a ponto de conseguir
alimentar 4.000 pessoas, com sobra de dez cestos…
Assim também se dá nas questões da alma. Quando
buscamos melhorar nosso padrão mental, conseguimos ligar-nos
aos bons amigos espirituais e eles então multiplicam nossas
possibilidades existenciais, de maneira positiva, inspirando-nos no
bom caminho, amparando-nos em nossas dores, aliviando nossos pesares.
Não foi por outro motivo que Jesus também nos ensinou
que “àquele que tiver, mais será dado…”
Na questão 495 de O Livro dos Espíritos, Santo
Agostinho e São Luís comentam sobre a ação
dos Espíritos Protetores. Pedem que mantenhamos contato constante
com eles, melhorando nossas condições mentais, psíquicas,
emocionais. Vejamos a parte final de seus elevados comentários:
“Não temais fatigar-nos com as vossas perguntas;
permanecei, pelo contrário, sempre em contato conosco: sereis
então mais fortes e mais felizes. São essas comunicações
de cada homem com seu Espírito familiar que fazem médiuns
a todos os homens, médiuns hoje ignorados, mas que mais tarde
se manifestarão, derramando-se como um oceano sem bordas para
fazer refluir a incredulidade e a ignorância. Homens instruídos,
instruí; homens de talento, educai vossos irmãos. Não
sabeis que a obra assim realizais é a do Cristo, a que Deus
vos impõe. Por que Deus vos concedeu a inteligência e
a ciência, senão para as repartirdes com vossos irmãos,
para os adiantar na senda da ventura e da eterna bem aventurança?”
(São Luís, Santo Agostinho)
Temos aprendido, ainda na mesma obra, que o Espírito, no momento
do sono físico, não fica enclausurado junto ao corpo,
mas sai dele, num processo denominado desdobramento. Isso fica claro
na questão 401, quando Kardec faz a seguinte pergunta: “Durante
o sono, a alma repousa como o corpo?” E a resposta dos
Espíritos é direta: “— Não, o
Espírito jamais fica inativo. Durante o sono, os liames que
o unem ao corpo se afrouxam e o corpo não necessita do Espírito.
Então, ele percorre o espaço e entra em relação
mais direta com os outros Espíritos.”
Diante de todo o exposto até aqui, fica claro que, por questões
de vontade, afinidade e sintonia, nos ligaremos aos espíritos
que comungam do mesmo padrão que o nosso. E estando parcialmente
libertos na média de 8 horas de sono do corpo, entendemos que
podemos melhorar, manter ou piorar nossa existência, nossa posição
no quadro evolutivo, de acordo com o que realizamos neste 1/3 de tempo
que nos é concedido pela vida com maior liberdade espiritual.
Daí a importância da prece antes do adormecimento físico.
Não a prece decorada, seca, vazia, desprovida de sentimento
nobre, mas aquela que nasce do ângulo mais sagrado do nosso
coração, para que possamos alterar nossas condições
internas e externas e, assim, conseguirmos contatar os irmãos
mais maduros e sábios que nós e, com eles, seguirmos
em frente, trabalhando, estudando e nos instrumentalizando, para,
enfim, construirmos em nós e fora de nós o tão
almejado Reino de Deus.
A Prática do Evangelho no Lar e a
mediunidade com Jesus
Inegável que a energia, a atmosfera
psíquica dos templos sagrados, onde se cultivam as preces feitas
com uma fé robusta, é salutar. Lugares onde as pessoas
buscam realizar aquilo que de melhor levam em seus corações.
A essa energia peculiar, agradável e curadora, também
damos o nome de egrégora. Trata-se de uma força fluídica
criada a partir da soma de energias coletivas (mentais, emocionais).
No lar não é diferente. Ensinam-nos
os Espíritos amigos que, quando nos reunimos em nome de Deus,
independentemente da religião professada pelos familiares,
tendo por objetivo principal a união das almas, em busca do
sagrado, de inspirações salutares e proteção
espiritual, os bons Espíritos assumem conosco este compromisso
de contato e oração, fazendo formar uma sinergia especial,
capaz de produzir uma blindagem energética, protetora. Tais
Espíritos também retiram do ambiente doméstico
as energias mais densas, acumuladas pelas vivências cotidianas.
Além disto, no momento do sono, continuam conosco, a fim de
nos orientarem nas atividades da noite.
Ou seja, quando evocamos estes benfeitores, para com eles unirmos
forças emocionais, através da prece ao Criador, a Jesus,
podemos promover mais facilmente, em nós e no grupo familiar,
uma sensível alteração nos padrões psíquicos.
Podemos sentir maior alívio em nossas preocupações,
coragem no enfrentamento de nossos desafios, paciência no contato
com os outros etc.
Por certo que esta prática só produz resultados quando
a vontade for sincera e a dedicação à mudança
íntima estiver sempre presente.
Cabe aos pais e responsáveis
promoverem este encontro com as esferas mais elevadas da vida, a fim
de manter o grupo familiar em caminho mais seguro, rumo a vitórias
coletivas.
Recordemos que, seja qual for nossa
missão na Terra, ela sempre está atrelada à melhora
do eu, desfazendo-nos da nossa pequenez egoica, aprofundando-nos na
nossa porção mais sagrada, divina, concomitantemente
auxiliando nossos irmãos do caminho neste processo.
E, neste caminhar, nada melhor que
usarmos nossa mediunidade, ou seja, a nossa capacidade de conexão
espiritual, para contatarmos as forças do Cristo. Porque, assim
como nosso querido Mestre nos ensinou, sua energia, seus exemplos
e palavras são, sem dúvida alguma, o caminho, a verdade
e a vida. E é através desta sintonia sagrada que poderemos
aumentar nossas capacidades de mudança positiva, sejam elas
de ordem íntima, familiar ou planetária.
Referências
KARDEC A. O Livro dos médiuns ou Guia dos
médiuns e dos evocadores. Trad. de Guillon Ribeiro da 49. ed.
francesa. 76. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.
___________. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad.
de Guillon Ribeiro da 3. ed. francesa rev., corrig. e modif. pelo
autor em 1866. 124. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.
__________. O Livro dos Espíritos: princípios
da Doutrina Espírita. Trad. de Guillon Ribeiro. 86. ed. Rio
de Janeiro: FEB, 2005.
___________A Gênese: os milagres e as predições
segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro da 5. ed. francesa.
48. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.
MOREIRA-ALMEIDA, A. Explorando a relação
mente-cérebro: reflexões e diretrizes- Exploring mind-brain
relationship: reflections and guidelines, Rev. psiquiatr. clín.
vol.40 no.3 São Paulo 2013.
XAVIER, F C. Roteiro. Pelo Espírito Emmanuel.
7.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB. 1986.
____________. Nos domínios da mediunidade.
Pelo Espírito André Luiz. 32. ed. Rio de Janeiro: FEB,
2005.
____________. Entre a Terra e o Céu. Pelo
Espírito André Luiz. 23. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.
ZIMMERMANN, Z. Perispírito. 1ª ed. Campinas,
SP: CEAK, 2000.