"Quando criança, eu pensava que Evangelizar
era transformar em anjo!”
Essa frase nos “rouba”
um sorriso carinhoso, daqueles que damos a uma idéia pueril
ou ingênua! Mas... vale uma reflexão: no fundo, existe
alguma coisa relevante nesse pensamento?
Afinal, o que é Evangelizar?
O Evangelho resume as lições
de Jesus e nos mostra como Ele nos apresentou o Reino de Deus e Sua
Justiça e o caminho certo para a verdadeira felicidade e a
paz que tanto desejamos, sempre amparados por um Deus pai, bom e misericordioso
e Suas Leis, que nos dão segurança e liberdade.
Fica claro, então, que quando compreendemos esses ensinamentos
e damos um passo nessa direção, estamos vivenciando
o Evangelho do Cristo e ascendendo na escala do progresso moral.
E o que é o progresso moral? Em O livro dos Espíritos,
Kardec perguntou:
Questão 629. Que
definição se pode dar da moral?
“A moral é a regra para bem se conduzir, isto é,
para a distinção entre o bem e o mal. Ela está
fundamentada na observância da Lei de Deus. O homem
procede bem, quando faz tudo intencionalmente para o bem de todos,
porque, então, cumpre a lei de Deus.”
O nosso processo de progresso moral
acelera sempre que fazemos esforços conscientes para conter
nossas más inclinações e resistimos ao arrastamento
do mal, que é o descumprimento da Lei. Todas as vezes que procedemos
na direção contrária à que nos foi dada
por Jesus, as consequências se tornam dores e sofrimentos e,
longe da paz, vivemos tormentos constantes.
Quando Jesus nos fala, com a doçura de suas palavras sobre
as Bem-aventuranças e com a firmeza dos seus exemplos de como
devemos amar o irmão, nos sentindo filhos de um mesmo Pai,
mostra a direção certa a seguir!
Sendo assim, ao apresentarmos o Evangelho para alguém, estamos
“Evangelizando”, mostrando esse caminho seguro que nos
conduz à perfeição, ajudando esse alguém
a ser melhor.
Mas existe diferença entre doutrinar e evangelizar? Emmanuel
nos responde no livro Sublime Sementeira (questão 237):
“Há grande diversidade
entre ambas as tarefas. Para doutrinar, basta o conhecimento intelectual
dos postulados do Espiritismo; para evangelizar é necessário
a luz do amor no íntimo. Na primeira bastarão a leitura
e o conhecimento; na segunda, é preciso vibrar e sentir com
o Cristo. Por estes motivos, o doutrinador muitas vezes não
é senão o canal dos ensinamentos, mas o sincero evangelizador
será sempre o reservatório da verdade, habilitado
a servir às necessidades de outrem, sem privar-se da fortuna
espiritual de si mesmo”.
Aí está a arte de Evangelizar:
deixar o bom sentimento conduzir e perceber como apresentar as lições
de Jesus de maneira que faça sentido para o evangelizando e
ele, compreendendo então, modifique seus pensamentos, sentimentos
e ações, tornando-se melhor a cada dia, purificando
o seu ser e ficando em harmonia com as leis de Deus! É importante
lembrar que Jesus resumiu todas as Leis e os profetas em: “Amar
a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.
Mais trabalhosa se torna esta tarefa, porém mais proveitosa
e valorosa, quando o Evangelizador realiza com o maior amor que tiver
no coração!!!
Fortalecendo essa ideia e o valor dessa ação, Santo
Agostinho nos lembra em O Evangelho Segundo o Espiritismo
(Capítulo XIV - 9) que “desde
pequenina, a criança manifesta seus instintos bons ou maus
que traz de existências anteriores” e “todos os
males têm seu princípio no egoísmo e no orgulho”.
Ele recomenda aos pais em relação aos seus filhos: “Usai
todo o vosso amor na tarefa de aproximar essa alma de Deus!”
Com essa orientação, ressalta o que é mais importante:
desenvolver o bom senso para as escolhas que a vida solicita. Com
esse entendimento, se fortalece a maior meta na divina tarefa de evangelizar,
apresentando as lições e auxiliando no processo de amadurecimento
moral do evangelizando, mostrando a importância de domar as
más inclinações.
No contato com o Evangelizando, é importante observar as verdadeiras
necessidades que ele apresenta e não menosprezar os menores
sinais do que precisa ser “trabalhado”, pois, detrás
de algo que parece tão simples, pode haver uma dificuldade
muito maior, que precisa de muita ajuda, esclarecimento e cuidado.
Há uma magia na arte de Evangelizar! “Se meditarmos
sobre assuntos elevados, sobre a sabedoria, o dever, o sacrifício,
nosso ser se impregna, pouco a pouco, das qualidades de nosso pensamento”
(Léon Denis, O Problema do Ser e do Destino
- 3ª Parte, 24). Os esforços do evangelizador em
oferecer o melhor também se voltam para suas próprias
mudanças internas, como Espírito imortal. A clarividência
da natureza das faltas e o compromisso de se tornar melhor para melhor
ajudar criam forças para vencer as suas próprias más
inclinações. Sendo assim, ajudando, também se
eleva!
Léon Denis, ao falar sobre a Educação (Depois
da Morte - Cap LIV), diz: “Tão essencial quanto
saber ler, escrever, calcular, é ensinar a governar-se, a conduzir-se
como ser racional e consciente; é entrar na vida, armado não
apenas para a luta material, mas sobretudo para a luta moral.”
Aproveitando essa orientação, vamos entendendo que o
trabalho do Evangelizador envolve o esclarecimento de como as chagas
morais atrapalham nossa harmonia no mundo e com o mundo. Estudar,
compreender, lutar e auxiliar o outro a ser consciente e responsável
pelo seu processo evolutivo é ajudar na sua elevação.
Na questão 113 de O Livro dos Espíritos, Kardec
nos apresenta a primeira ordem na Escala do Progresso Moral, os Espíritos
Puros:
“Percorreram todos os graus
da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria.
(...) Gozam de uma felicidade inalterável, porque não
estão sujeitos às necessidades, nem às vicissitudes
da vida material (...) Eles são os mensageiros e os ministros
de Deus, cujas ordens executam, para a manutenção
da harmonia universal. São designados, algumas vezes, sob
os nomes de anjos, arcanjos ou serafins.”
Se o Evangelizador auxilia no processo
de elevação e purificação do Espírito
pelo esclarecimento e entendimento das Leis de Deus, iluminando as
mentes para o caminho da verdadeira felicidade, falando sobre o Reino
dos Céus que Jesus nos apresentou, incentivando às escolhas
no Bem, então, mesmo que sejam pequenos passos para essa longa
jornada, podemos concluir que: “Evangelizar é
transformar em anjo!”