A Doutrina Espírita
amplia a visão do ser humano, pois não só cogita
do homem existente, mas também daquele que se comunica com
o Mundo dos Espíritos, ao qual está ligado por débitos
e alegrias de um passado próximo ou distante, e com o qual
se sintoniza pelos sentimentos e pensamentos.
A promoção
e assistência social espírita valorizam o ser humano
e consideram o seu lado espiritual e imortal. Sua característica
básica é a promoção do homem.
Promover o ser humano é, acima
de tudo, oferecer-lhe condições para superar a vulnerabilidade
socio-econômica-moral-espiritual. Na mais ampla acepção
da palavra, promoção é auxílio para que
o homem ultrapasse as suas limitações, reconhecendo
que essas limitações, embora sejam características
da sua atual personalidade, são transitórias em sua
individualidade espiritual: nenhum ser foi criado para o mal ou para
os infortúnios eternos. Fazê-lo sentir-se Espírito
livre e responsável pelo seu destino é descortinar-lhe
as amplas possibilidades que traz adormecidas em seu interior e que
precisam ser trabalhadas por meio do próprio esforço,
nas experiências do dia-a-dia, a fim de que adquira habilidades
e competências não só em termos materiais, mas
principalmente espirituais.
A promoção
e assistência social espírita são, portanto,
o exercício da caridade em todos os momentos; a assistência
material realizada sem paternalismos ou acordos; o esclarecimento
quanto à valorização da vida corpórea
e da oportunidade de aprendizado que a reencarnação
proporciona.
Trabalho assistencial, sob a
ótica espírita, significa sensibilização
do SER, para que ele compreenda, à luz da “LEI DE CAUSA
E EFEITO”, o motivo de seus sofrimentos atuais.
Caridade e Família
Se tocado no mais profundo de si mesmo pela grandiosidade dos valores
morais emanados dos ensinos de Jesus e do Espiritismo, o usuário
vai se evangelizando paulatinamente, de forma consciente e livre.
Sendo assim, é essencial realçar a importância
do seu papel na composição familiar, em que pese o fato
de, algumas vezes, não possuir uma família dentro do
modelo patriarcal (pais e filhos), cabendo aqui reconhecer os novos
arranjos familiares.
Arranjos esses, que vão além da união estável
(art. 226, parágrafo 3º) e da família monoparental
(art. 226, parágrafo 4º) previstos na Constituição
Federal. Isto porque o princípio da dignidade da pessoa humana
(art. 1º, III) é o principal marco de mudança do
paradigma da família, uma vez que abarca todo e qualquer agrupamento
de pessoas onde permeie o elemento afeto (affectio familiae). Em outras
palavras, o ordenamento jurídico deverá sempre reconhecer
como família todo e qualquer grupo no qual os seus membros
enxergam uns aos outros como seu familiar. Logo a família é
aquela escolhida para passar as provas e expiações,
que escolheu para passar as horas vazias ou repousar.
Possuindo, entretanto, um lar, cumpre alertá-lo quanto à
sua posição transitória neste mundo, ajudando-o
a compreender as tarefas que lhe dizem respeito junto aos familiares
que a Misericórdia Divina lhe concedeu, a fim de que possa
contribuir para estreitar os laços de amor dentro da família.
Recordando seu compromisso reencarnatório e a sua própria
consciência, conforme ensina o Espiritismo.
Por outro lado, ao atender-se a pessoa, deve-se procurar assistir
sua família direta, assim como outras pessoas que lhe compartilham
o núcleo familiar. Na família, ainda, destaca-se a criança
como Espírito no início de um novo trajeto reencarnatório,
com mais possibilidades de aprendizado e aprimoramento.

O Serviço de Assistência e Promoção Espírita
caracteriza-se pela simplicidade.
A Casa Espírita, portanto, deve ser um espaço de convivência,
em que a fraternidade não é apenas um ideal, mas um
exercício de construção de relações.
Mais do que uma casa prestadora de serviços, um espaço
de convivência, onde o usuário, em sua condição
de cidadão – sujeito de direitos – gosta de estar;
onde seja recebido como é, com o seu jeito, com as suas características
e onde possa encontrar quem se disponha a conversar com ele de forma
natural, de irmão para irmão, dando-lhe tempo para que
caminhe do ponto em que se encontra e vá permitindo acesso
ao seu coração e acabe abrindo-se, também, para
o coração do outro, à semelhança da Parábola
Bom Samaritano (Lucas 10:25-37 –
E.S.E Cap. XV, Item 2).
A parábola do bom
samaritano oferece pontos significativos para uma análise
com vistas à metodologia de ação que deve ser
adotada no serviço de assistência e promoção
social da casa espírita.
Vale ressaltar a pergunta 643
de O Livro dos Espíritos:
Haverá quem, pela sua posição, não tenha
possibilidade de fazer o bem?
“Não há quem não possa fazer o bem. Somente
o egoísta nunca encontra ensejo de o praticar. Basta que se
esteja em relações com outros homens para que se tenha
ocasião de fazer o bem, e não há dia da existência
que não ofereça, a quem não se ache cego pelo
egoísmo, oportunidade de praticá-lo. Porque, fazer o
bem não consiste, para o homem, apenas em ser caridoso, mas
em ser útil, na medida do possível, todas as vezes que
o seu concurso venha ser necessário”.

O Espiritismo, com Allan Kardec,
traz nova luz à tarefa assistencial, realçando a responsabilidade
de seus seguidores, pelo preceito “Fora da Caridade não
há Salvação”;
Destacam-se os capítulos X, XI, XII, XIII e XV de O Evangelho
segundo o Espiritismo sobre o assunto.
A primeira campanha promovida por entidade espírita de que
se tem notícia foi realizada por Kardec, através da
Revista Espírita (janeiro de 1863), com o objetivo de arrecadar
recursos para socorrer os operários de Rouen, França,
vitimados por rigoroso inverno. Graças às doações
recebidas foi possível levar alguma tranquilidade a inúmeras
famílias em provação.
No Brasil, muitos foram os espíritas cuja dedicação
assistencial, se transformaram em exemplo. Entre eles, destacam-se
Bezerra de Menezes, Eurípedes Barsanulfo, Anália Franco,
Batuíra, Aura Celeste e Altivo Pamphiro.


Referências bibliográficas
O NOVO TESTAMENTO - LUCAS (10:25-37
e 6:31);
O LIVRO dos ESPÍRITOS — Allan Kardec - Edições
Leon Denis
O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - Allan Kardec -
Edições LEON DENIS
OBRAS PÓSTUMAS - Allan Kardec - Edições Leon
Denis
APOSTILA DO CELD HISTÓRIA DO ESPIRITISMO
GRANDES VULTOS DOS ESPIRITISMO – Paulo Alves Godoy
– Edições FEESP
RELAÇÕES SOCIAIS E SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL -
Marilda Iamamoto - Raul de Carvalho - Edições ABDR