Espiritualidade e Sociedade





Elena de Fátima

>   Promoção e assistência social com o Espiritismo

Artigos, teses e publicações

Elena de Fátima
>   Promoção e assistência social com o Espiritismo


A Doutrina Espírita amplia a visão do ser humano, pois não só cogita do homem existente, mas também daquele que se comunica com o Mundo dos Espíritos, ao qual está ligado por débitos e alegrias de um passado próximo ou distante, e com o qual se sintoniza pelos sentimentos e pensamentos.

A promoção e assistência social espírita valorizam o ser humano e consideram o seu lado espiritual e imortal. Sua característica básica é a promoção do homem.

Promover o ser humano é, acima de tudo, oferecer-lhe condições para superar a vulnerabilidade socio-econômica-moral-espiritual. Na mais ampla acepção da palavra, promoção é auxílio para que o homem ultrapasse as suas limitações, reconhecendo que essas limitações, embora sejam características da sua atual personalidade, são transitórias em sua individualidade espiritual: nenhum ser foi criado para o mal ou para os infortúnios eternos. Fazê-lo sentir-se Espírito livre e responsável pelo seu destino é descortinar-lhe as amplas possibilidades que traz adormecidas em seu interior e que precisam ser trabalhadas por meio do próprio esforço, nas experiências do dia-a-dia, a fim de que adquira habilidades e competências não só em termos materiais, mas principalmente espirituais.

A promoção e assistência social espírita são, portanto, o exercício da caridade em todos os momentos; a assistência material realizada sem paternalismos ou acordos; o esclarecimento quanto à valorização da vida corpórea e da oportunidade de aprendizado que a reencarnação proporciona.

Trabalho assistencial, sob a ótica espírita, significa sensibilização do SER, para que ele compreenda, à luz da “LEI DE CAUSA E EFEITO”, o motivo de seus sofrimentos atuais.


Caridade e Família


Se tocado no mais profundo de si mesmo pela grandiosidade dos valores morais emanados dos ensinos de Jesus e do Espiritismo, o usuário vai se evangelizando paulatinamente, de forma consciente e livre.

Sendo assim, é essencial realçar a importância do seu papel na composição familiar, em que pese o fato de, algumas vezes, não possuir uma família dentro do modelo patriarcal (pais e filhos), cabendo aqui reconhecer os novos arranjos familiares.

Arranjos esses, que vão além da união estável (art. 226, parágrafo 3º) e da família monoparental (art. 226, parágrafo 4º) previstos na Constituição Federal. Isto porque o princípio da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III) é o principal marco de mudança do paradigma da família, uma vez que abarca todo e qualquer agrupamento de pessoas onde permeie o elemento afeto (affectio familiae). Em outras palavras, o ordenamento jurídico deverá sempre reconhecer como família todo e qualquer grupo no qual os seus membros enxergam uns aos outros como seu familiar. Logo a família é aquela escolhida para passar as provas e expiações, que escolheu para passar as horas vazias ou repousar.

Possuindo, entretanto, um lar, cumpre alertá-lo quanto à sua posição transitória neste mundo, ajudando-o a compreender as tarefas que lhe dizem respeito junto aos familiares que a Misericórdia Divina lhe concedeu, a fim de que possa contribuir para estreitar os laços de amor dentro da família. Recordando seu compromisso reencarnatório e a sua própria consciência, conforme ensina o Espiritismo.

Por outro lado, ao atender-se a pessoa, deve-se procurar assistir sua família direta, assim como outras pessoas que lhe compartilham o núcleo familiar. Na família, ainda, destaca-se a criança como Espírito no início de um novo trajeto reencarnatório, com mais possibilidades de aprendizado e aprimoramento.





O Serviço de Assistência e Promoção Espírita caracteriza-se pela simplicidade.

A Casa Espírita, portanto, deve ser um espaço de convivência, em que a fraternidade não é apenas um ideal, mas um exercício de construção de relações. Mais do que uma casa prestadora de serviços, um espaço de convivência, onde o usuário, em sua condição de cidadão – sujeito de direitos – gosta de estar; onde seja recebido como é, com o seu jeito, com as suas características e onde possa encontrar quem se disponha a conversar com ele de forma natural, de irmão para irmão, dando-lhe tempo para que caminhe do ponto em que se encontra e vá permitindo acesso ao seu coração e acabe abrindo-se, também, para o coração do outro, à semelhança da Parábola Bom Samaritano
(Lucas 10:25-37 – E.S.E Cap. XV, Item 2).

A parábola do bom samaritano oferece pontos significativos para uma análise com vistas à metodologia de ação que deve ser adotada no serviço de assistência e promoção social da casa espírita.

Vale ressaltar a pergunta 643 de O Livro dos Espíritos:

Haverá quem, pela sua posição, não tenha possibilidade de fazer o bem?

“Não há quem não possa fazer o bem. Somente o egoísta nunca encontra ensejo de o praticar. Basta que se esteja em relações com outros homens para que se tenha ocasião de fazer o bem, e não há dia da existência que não ofereça, a quem não se ache cego pelo egoísmo, oportunidade de praticá-lo. Porque, fazer o bem não consiste, para o homem, apenas em ser caridoso, mas em ser útil, na medida do possível, todas as vezes que o seu concurso venha ser necessário”.


O Espiritismo, com Allan Kardec, traz nova luz à tarefa assistencial, realçando a responsabilidade de seus seguidores, pelo preceito “Fora da Caridade não há Salvação”;

Destacam-se os capítulos X, XI, XII, XIII e XV de O Evangelho segundo o Espiritismo sobre o assunto.

A primeira campanha promovida por entidade espírita de que se tem notícia foi realizada por Kardec, através da Revista Espírita (janeiro de 1863), com o objetivo de arrecadar recursos para socorrer os operários de Rouen, França, vitimados por rigoroso inverno. Graças às doações recebidas foi possível levar alguma tranquilidade a inúmeras famílias em provação.

No Brasil, muitos foram os espíritas cuja dedicação assistencial, se transformaram em exemplo. Entre eles, destacam-se Bezerra de Menezes, Eurípedes Barsanulfo, Anália Franco, Batuíra, Aura Celeste e Altivo Pamphiro.

 

 

Referências bibliográficas

O NOVO TESTAMENTO - LUCAS (10:25-37 e 6:31);
O LIVRO dos ESPÍRITOS — Allan Kardec - Edições Leon Denis
O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - Allan Kardec -
Edições LEON DENIS
OBRAS PÓSTUMAS - Allan Kardec - Edições Leon Denis
APOSTILA DO CELD HISTÓRIA DO ESPIRITISMO
GRANDES VULTOS DOS ESPIRITISMO – Paulo Alves Godoy
– Edições FEESP
RELAÇÕES SOCIAIS E SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL -
Marilda Iamamoto - Raul de Carvalho - Edições ABDR

 

 

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espírita
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/04-Revista_CELD_Abril-2020.pdf

 

 

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