Espiritualidade e Sociedade





Izaíra Machado Evangelista

>   O Fenômeno de transporte e suas hipóteses científicas

Artigos, teses e publicações

Izaíra Machado Evangelista
>   Uma análise do Espiritismo em Fortaleza - CE, com ênfase na expansão territorial do Grupo Espírita Paulo e Estevão (GEPE), na perspectiva de visibilidade do espaço religioso

 

 

Izaíra Machado Evangelista
Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação do Instituto de Geociências e Ciências Exatas - IGCE, da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de Rio Claro, como requisito para obtenção do título de Doutora em Geografia

Orientadora:
Profª. Drª. Bernadete Aparecida Caprioglio de Castro

Rio Claro – SP
2013

 

>>>   Tese disponível em pdf - clique aqui para acessar

 

 

 

A Terra não é somente origem, ela é presença.
A realidade humana se atualiza como possibilidade,
convocando o ser pelo conjunto das presenças que o cercam. [...]
Não existe povo que não tenha admitido um ‘país da alma’,
um ‘outro mundo’ a se procurar além do horizonte e,
contudo, terrestre.
(Eric Dardel)

 

É o espiritismo a religião de todas as ciências;
é a ciência de todas as filosofias;
é a filosofia de todas as religiões,
porque só o espiritismo pode ajudar
a ciência a sair do labirinto em que
se encontra por causa do materialismo.
(Vianna de Carvalho)

 

RESUMO

A finalidade desse estudo é identificar o trajeto do espiritismo em Fortaleza, com ênfase na expansão territorial do Grupo Espírita Paulo e Estevão (GEPE), na perspectiva de visibilidade do espaço religioso.

Ao estabelecer diálogo entre ciência e religião pontua o papel da ciência geográfica na apreensão da manifestação da cultura no espaço. Investiga como a renovada geografia cultural ampliou seu campo epistemológico ao trazer para centralidade do debate geográfico a subjetividade das representações simbólicas que pontuam as ações humanas, sobretudo, a experiência religiosa. Discorre sobre a produção acadêmica no âmbito da geografia da religião e mostra o estado de arte do espiritismo nesse debate de ideias. Argumenta sobre a difusão do espiritismo no Brasil, assinalando as singularidades adquiridas diante da hegemonia católica no país e o percurso da disseminação da Doutrina Espírita na realidade cearense.

Contextualiza a expansão territorial do GEPE com base no crescimento urbano de Fortaleza diante da crescente pluralidade religiosa, aliada a estrutura metodológica dos estudos doutrinários, que torna esse centro espírita uma referência no âmbito da pedagogia espírita.

Com abstração da concepção dual de espaço sagrado e profano a pesquisa demonstra que o espiritismo ao fundamentar-se numa tríplice articulação epistemológica: ciência, filosofia e religião apresenta uma percepção de mundo multidimensional, em que a visibilidade religiosa é co-partícipe de outras instâncias de interação socioespacial do GEPE.

Ancorada na fenomenologia do conhecimento e no idealismo crítico investe na pesquisa empírica, tendo como estratégia de investigação o estudo de caso, com abordagem qualitativa. Por meio de análise e interpretação dos dados elabora uma síntese comparativa das representações simbólicas, articulando a natureza das espacialidades espíritas à lógica das práticas sociais, que configuram por meio dos atributos específicos os espaços de ação dos adeptos das quatro unidades gepeanas. E conclui que as representações simbólicas das espacialidades gepeanas estão consonância com as distintas dimensões do espaço-mundo de ação do espiritismo. Donde se depreende que, além das espacialidades religiosa e caritativa a espacialidade educativa se destaque como referência cultural na dinâmica socioespacial do GEPE.

 

INTRODUÇÃO

Diante da complexidade que caracteriza a estruturação sócioespacial da humanidade a religião tem se constituído, nas últimas décadas, temática de interesse nas análises geográficas. Sobretudo a partir da década de 1970, com o impulso das filosofias de significado que passou a subsidiar a nova abordagem geográfica da cultura. Essa abertura epistemológica possibilitou um maior aprofundamento na investigação do fenômeno religioso a se projetar no espaço social.

Embora ainda não expresso em termos conceituais já se tinha, desde os primórdios, no âmago do espírito religioso um sentimento de pertença arraigado na terra a se projetar no infinito cosmos, como se fora uma topofilia transcendental. Com a emersão na década de 1970, da abordagem geográfica humanística por Tuan (1980), a subjetividade e a representação simbólica tornam-se componentes indispensáveis na apreensão do sentido dos lugares, inclusive da espacialidade religiosa, tendo a fenomenologia e o existencialismo como suporte filosófico (HOLZER, 2003, p.115).

Porém, de acordo com Santos (2004), somente no início do século XXI que se verifica de fato na ciência geográfica um olhar mais plural com reconhecimento da geografia da religião como um subcampo cultural de significativa projeção no âmbito a epistemologia geográfica. E a partir desse período, os estudos apresentam análise que extrapolam os limites da cultura material religiosa, expressa na descrição dos caminhos da fé ou das marcas impressas na paisagem. Passando-se a priorizar também às intrínsecas representações espaciais da fenomenologia religiosa inerente as ações e atitudes do homem, como se fora uma atualização da geograficidade de Dardel (2011), no sentido de revelar sua condição humana essencial e seu destino na Terra.

(...)

CONSIDERAÇÕES

Nesse estudo, se procurou a partir do entendimento da organização espacial do GEPE identificar a lógica das espacialidades espíritas e dentre elas o papel da dimensão religiosa inerente aos princípios espíritas, tendo como referência as distintas interações sociais e suas respectivas espacialidades em função dos atributos específicos, consubstanciados em representações simbólicas contendo o sentido e o significado intrínseco dos espaços de ação do GEPE, derivados das suas narrativas e práticas cotidianas.

Caminhar por essas trilhas geográficas ancoradas nos postulados doutrinários espíritas em busca de referenciais teóricos que apontem indícios de uma possível geografia do espiritismo em Fortaleza se configurou para nós um esforço intelectual de complexa envergadura. Uma vez, que a proposição central dessa investigação é pontuar o trajeto de difusão do espiritismo em Fortaleza, com ênfase na expansão territorial do GEPE, na perspectiva de visibilidade do espaço religioso. Percurso em que se buscou apreender as representações simbólicas dos espaços de ação do GEPE a partir de distintos olhares dos atores sociais envolvidos na pesquisa empírica, coparticipes nas interlocuções e práticas espíritas a desvelar os meandros das espacialidades no âmbito da geograficidade do espiritismo.

 

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Fonte: https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/e0885562-feba-4343-9970-1222f1f7515f/content

 

 

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