Quanto puderes, mantém-te no
grupo doméstico do Evangelho.
A grande lavoura, no campo enorme, não prescinde
do viveiro minúsculo para as sementes.
Os homens que fulguram nos cenáculos da
fama precisam do pequenino espaço de um lar, em que se refaçam
para a luta.
A ascensão da cultura exige o incessante
intercâmbio com o livro. Assim também a obra da espiritualidade
em nossa vida.
Indiscutivelmente, podemos partilhar o serviço
precioso das doutrinações espetaculares, integrando
a equipe dos pregadores ou a assembleia dos ouvintes, mas, não
podemos dispensar a fonte oculta do estímulo à compreensão
e à fraternidade, entre os corações mais extremamente
afinados com o nosso.
O culto público da fé religiosa é
o mostruário brilhante do conhecimento e da educação,
mas, o culto em casa é a laboriosa oficina de aperfeiçoamento
do caráter, na qual perdemos antigas e contundentes arestas,
melhorando-nos em espírito, uns a frente dos outros.
Atendamos, assim, ao grupo familiar do Evangelho
que nos corrige atitudes e elimina defeitos, auxiliando-nos a atrair
entidades amigas do bem e a conquistar os valores da simpatia, que
constituem os alicerces da nossa verdadeira felicidade.
No templo da fé pública, instruirás
o raciocínio. Na igreja em casa, elevarás o sentimento.
No santuário da praça, o Mestre nos
fala à inteligência, mas, no altar doméstico,
o Senhor nos fala ao coração.