Não vos inquieteis, pois,
pelo dia de amanhã,
porque o dia de amanhã, cuidará de si mesmo
Jesus (Mateus 6:34)
Os preguiçosos de todos os
tempos nunca perderam o ensejo de interpretar falsamente as afirmativas
evangélicas.
A recomendação de Jesus, referente à
inquietude, é daquelas que mais se prestaram aos argumentos
dos discutidores ociosos.
Depois de reportar-se o Cristo aos lírios do
campo, não foram poucos os que reconheceram a si mesmos na
condição de flores, quando não passam, ainda,
de plantas espinhosas.
Decididamente, o lírio não fia, nem
tece, consoante o ensinamento do Senhor, (Mt 6:25) mas cumpre a vontade
de Deus. Não solicita a admiração alheia, floresce
no jardim ou na terra inculta, dá seu perfume ao vento que
passa, enfeita a alegria ou conforta a tristeza, é útil
à doença e à saúde, não se revolta
quando fenece o brilho que lhe é próprio ou quando mãos
egoístas o separam do berço em que nasceu.
Aceitaria o homem inerte o padrão do lírio,
em relação à existência na comunidade?
Recomendou Jesus não guarde a alma qualquer
ânsia nociva, relativamente à comida, ao vestuário
ou às questões acessórias do campo material;
asseverou que o dia, constituindo a resultante de leis gerais do Universo,
atenderia a si próprio.
Para o discípulo fiel, agasalhar-se e alimentar-se
são verbos de fácil conjugação e o dia
representa oportunidade sublime de colaboração na obra
do bem. Mas basear-se nessas realidades simples para afirmar que o
homem deva marchar, sem cuidado consigo, seria menoscabar o esforço
do Cristo, convertendo-lhe a plataforma salvadora em campanha de irresponsabilidade.
O homem não pode nutrir a pretensão
de retificar o mundo ou os seus semelhantes dum dia para outro, atormentando-se
em aflições descabidas, mas deve ter cuidado de si,
melhorando-se, educando-se e iluminando-se, sempre mais.
Realmente, a ave canta, feliz, mas edifica a própria
casa. A flor adorna-se, tranquila; entretanto, obedece aos desígnios
do Eterno.
O homem deve viver confiante, sempre atento, todavia,
em engrandecer-se na sabedoria e no amor para a obra divina da perfeição.