Espiritualidade e Sociedade





João Paulo de C. Echeverria


>    Sobre o ‘Dia Mundial da Religião’

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João Paulo de C. Echeverria
>    Sobre o ‘Dia Mundial da Religião’

 

 

A religião, enquanto fenômeno superlativo da razão, é naturalmente antiga. Aliás, tanto quanto é antiga a humanidade e, consequentemente, o exercício da razão.

Em poucas palavras, ao menos de um modo geral, pode-se dizer com certa tranquilidade que a religião tem laços diretamente associados aos desafios da consciência, ou com os horizontes do desconhecido que fazem com que os indivíduos estruturem seu pensamento para além da imanência. É o resultado do exercício básico da razão e da busca constante de respostas a toda a realidade com que o indivíduo se depara, em especial com as circunstâncias que não encontra respostas materiais, e que lhes apresenta “um horizonte de futuro”, um conforto diante do desconhecido.

Em última análise, a religião não é mais do que um fenômeno de ligação entre o plano material e imaterial diante do que não se tem resposta.

A religião, portanto, seria tão antiga quanto é a compreensão racional do ser humano. E a importância de se identificar o marco temporal de conhecimento do exercício da religiosidade carrega muito mais do que um repertório da história ou um episódio do desenvolvimento da civilização, pois reconhecer e aceitar os fenômenos da natureza sem qualquer explicação material reflete uma noção de liberdade absoluta dos indivíduos. O despertar das religiões é um grito de que a prisão dos corpos não aprisiona a razão, de que o plano físico não é maior do que o plano metafísico, e de que a liberdade da razão não encontra limites em correntes ou barras de ferro.

É preciso reconhecer que o exercício livre da razão é a última fronteira da liberdade, e que as religiões exercem um papel fundamental em termos de direitos e garantias fundamentais quando se trata do tema da liberdade, pois é melhor dos espelhos do exercício livre da razão.

Em 21 de janeiro de 2022, celebramos o “Dia Mundial das Religiões”, e no Brasil em especial, ainda festejamos o “Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa”, em homenagem a saudosa Mãe Gilda, do terreiro Ilê Abassá de Ogum (BA). É, sim, dia de celebrar as religiões, a tolerância e o respeito ao próximo.

Importante recordar sempre, como feito por São João Paulo II, quando ainda Papa da Igreja Católica Apostólica Romana, que as vezes a verdade pode estar em outro lugar, orientando que é necessário conferir a todos o direito ao exercício livre da sua religiosidade, pois que ao criar limites à liberdade de um, estar-se-á sendo criado um limite à própria liberdade, pois tanto no próximo quanto ti o exercício da razão é o mesmo, igual, humano.

Viva as religiões, viva a liberdade.

 

*João Paulo de C. Echeverria, sócio da Covac Sociedade de Advogados e doutor em Direito e Religião

 

 

 

 

Fonte: https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/sobre-o-dia-mundial-da-religiao/?utm_source=estadao:app

 

 



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