Jesus disse que “no mundo
tereis aflições” (João, 16:33).
Se Jesus afirmou que teremos aflição,
para que ela serve? Uma resposta simples é de que a aflição
nos ajuda a evoluir.
Então questionamos: Deus não possui outro método
para nos ajudar no nosso desenvolvimento? A resposta é de que
a dor é o último processo educativo utilizado para nos
fazer crescer. Primeiro temos o Amor que chega através dos
ensinamentos amorosos dos nossos pais, dos amigos encarnados e desencarnados,
dos nossos guias e mentores. Também temos o exemplo: Através
da observação da natureza, das dores que vemos à
nossa volta, da forma com que nossos irmãos de caminhada enfrentam
as lutas, podemos tirar muitas lições e decidirmos qual
o caminho que queremos para nós, mais muitas vezes não
damos atenção a esses sinalizadores e então vem
a aflição como recurso para nos mostrar que estamos
desrespeitando a Lei universal.
Se não sentíssemos dor de dente, não saberíamos
que ele está careado, se não sentíssemos dor
renal, não saberíamos que há uma pedra obstruindo
a passagem das impurezas que devem ser eliminadas. Assim também
são as dores da alma. Elas sinalizam de que algo não
está em harmonia com a Lei de Deus.
A Doutrina Espírita nos esclarece que as aflições
ocorrem na Terra “pela sua destinação e pela
natureza daqueles que a habitam” (E.S.E., cap. V, item
6). A Terra é um planeta de provas e expiações,
onde os habitantes que se comprometeram com a Lei têm a oportunidade
de resgatar “os erros do seu passado e que os sofrimentos
são como crises salutares que trazem a cura e a depuração
que assegura a felicidade nas existências futuras.”
(E.S.E., cap. VI, item 4.)
Com esses esclarecimentos que os espíritos nos trazem e com
as nossas reflexões sobre as diversas situações
que já enfrentamos na vida, podemos constatar quanta experiência
adquirimos e o quanto crescemos com cada desafio.
Por muito tempo deixamo-nos conduzir pelas ideias materialistas, e
hoje com a visão do mundo espiritual estamos adquirindo conhecimentos
que são libertadores para nossa alma, mais precisamos analisar
se já estamos nos deixando conduzir pela verdade ensinada e
exemplificada por Jesus, pois ela nos exige esforço, determinação
e muitas vezes sacrifícios, e o resultado dessa perseverança
não se apresenta de forma imediata.
Prestemos atenção se estamos nos deixando levar pela
felicidade ilusória da vida material que tem curta duração,
pois quando essa felicidade passa, parece que as lutas retornam com
mais intensidade, porque na verdade ela foi apenas adiada.
Não esqueçamos de que Deus é nosso Pai, e segundo
Lacordaire, no item 18, no tema Bem e mal sofre, afirma que Ele “não
envia um fardo pesado para ombros frágeis; o fardo é
proporcional às forças”.
Reflitamos sobre todas as orientações que recebemos
desses espíritos amigos. Léon Denis nos diz que “quando
compreendemos o mecanismo desta lei admirável, ficamos mais
inclinados a nos submetermos a ela”, e acrescenta dizendo
que “isto redunda em mais serenidade da alma, maior confiança
em Deus, mais forças nas adversidades e maior resolução
perante o dever.” (Livro: Um Olhar
sobre o Tempo Presente.)
E acima de tudo, não nos esqueçamos das palavras
do nosso Mestre Jesus: “Tenho-vos dito isto, para que em
mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende
bom ânimo, eu venci o mundo”.
(João, 16:33.)