Espiritualidade e Sociedade





Deise Cravo

>   Para que buscamos Jesus?

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Deise Cravo
>   Para que buscamos Jesus?

 

 

No capítulo XVI do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec reúne, no início do capítulo, quatro passagens evangélicas para facilitar nosso entendimento a respeito do que significa caminhar em busca do aperfeiçoamento.

Primeiro é o diálogo entre Jesus e o jovem que deseja saber como adquirir a vida eterna (Mateus, XIX: 16 a 24; Lucas, XVIII: 18 a 25; Marcos, X: 17 a 25.). Jesus propõe a ele o cumprimento dos mandamentos: Não matar, não cometer adultério, não furtar, não prestar falso testemunho, honrar pai e mãe e amar o próximo como a si mesmo, ao que o jovem responde que os respeita. Jesus percebe que ele ambiciona a perfeição imediata e então diz que, para ele alcançar a vida eterna, deveria vender seus bens, doar aos pobres e segui-lo. Ouvindo isso, o rapaz se entristece, pois não conseguiria cumprir essa nova proposta. Conhecedor do coração humano, Jesus sabia que, para aquele jovem, cumprir os mandamentos era o possível naquele momento.

A segunda passagem é a do homem que, em meio à multidão, solicita que Jesus convença seu irmão a partilhar a herança (Lucas, XII: 13 a 15.). Jesus deixa claro que não veio resolver as questões da vida material e alerta quanto à ambição que nos afasta do objetivo real da vida. Então, conta a parábola do homem rico (Lucas, XII: 16 a 21.), que queria acumular a colheita para desfrutar a vida sem ocupações e preocupações, para nos mostrar o equívoco que cometemos ao correr atrás de aquisições materiais, ao acumular bens que deixaremos ao retornar para a vida espiritual e, por isso, nos iludimos acreditando que esses bens serão imortais e acabamos por desprezar a conquista dos verdadeiros bens.

Jesus veio nos ensinar a trabalhar pelo nosso aperfeiçoamento moral, com vistas à imortalidade da alma; veio nos ensinar o caminho para a vida futura e lembrar-nos de que devemos aproveitar esse tempo para aprendermos o valor da consciência tranquila, ao agirmos de acordo com a Lei Divina.

Em seguida, ele nos faz refletir sobre a situação de Zaqueu (Lucas, XIX: 1 a 10.), que possuía bens materiais, tanto quanto os outros dois. Trabalhou para acumular mais e garantir uma vida tranquila no futuro, mas percebeu que os bens que possuía não eram capazes de proporcionar a paz e a tranquilidade íntima que tanto almejava e, por isso, foi ao encontro de Jesus e percebeu o verdadeiro sentido da vida.

Vemos, no jovem, o desejo do objetivo real, mas queria uma fórmula prática para alcançá-lo imediatamente; no homem, observamos o equívoco em buscar Jesus para resolver as questões da vida material, e Zaqueu que, após desfrutar dos bens materiais percebeu que não adquiriu a felicidade verdadeira. Compreendeu que o caminho certo é aproveitar essa grande oportunidade da vida para trabalhar pela conquista da vida espiritual. Reconheceu que precisava corrigir os prejuízos que causou aos outros e, como o jovem, não pergunta a Jesus o que deveria fazer, mas, observando seus próprios limites, decide, por si mesmo, os passos que deveria dar, para trilhar o caminho do bem. Então, diz que dará aos pobres a metade dos seus bens e restituirá àqueles a quem prejudicou.

Percebemos, então, que Jesus não fala para Zaqueu que ele deveria vender seus bens, doar aos pobres e segui-lo. Por que, para o jovem, a proposta de largar tudo e segui-lo e Zaqueu ganhou a salvação doando a metade de seus bens? Jesus foi muito exigente com o jovem e deu privilégios a Zaqueu? Não, Jesus instigou o jovem a pensar e a refletir sobre os interesses que o levaram a buscá-lo.

Observamos a importância da pluralidade das existências. A reencarnação é o meio para atingirmos a perfeição, pois o tempo que passamos em uma encarnação de 80, 90 anos não nos possibilita atingirmos o nível máximo, a vida eterna. Essa conquista é um trabalho paulatino e, em cada existência, adquirimos experiências que se acumulam e nos preparam para outra etapa de evolução. Foi por isso que Jesus mostrou ao jovem que ele não tinha possibilidade de alcançá-la de um salto e, com isso, nos mostrou que depende de esforços contínuos, no limite das nossas possibilidades.

É claro que muitos conseguem transpor barreiras mais complexas, mas, para isso, já possuem conquistas e experiências de outras existências e não buscam Jesus para indicar maneiras práticas, mas o procuram para aprender a utilizar os recursos que estão em suas mãos, transformá-los em aprendizado e em meios para a conquista dos verdadeiros bens.

É através dessa oportunidade que deixamos para trás nossas paixões, desejos, vícios; adquirimos conhecimentos e qualidades morais que nos levarão a atingir a perfeição e a felicidade. Por isso precisamos prestar atenção a quais são os nossos interesses ao irmos ao encontro de Jesus.

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/04-Revista_CELD_Abril-2020.pdf

 

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