Na Introdução
I, do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo,
Kardec nos explica que a obra aponta três aspectos importantes
para todos nós adequarmos nossas vidas à Moral do Cristo:
O primeiro aspecto é a regra
de conduta “abrangendo todas as circunstâncias
da vida privada ou pública, o princípio de todas as
relações sociais fundadas sobre a mais rigorosa justiça”
—
— Com as orientações percebemos, apesar das angústias
iniciais, o quanto estávamos equivocados quanto aos nossos
sentimentos, compreendemos o que precisamos mudar em nós. Essas
descobertas nos impulsionam a continuar nesse processo de autoconhecimento,
nos empenhamos a observar os nossos pensamentos, como reagimos diante
de determinadas situações, paramos para analisar nossos
hábitos e comportamentos quando estamos com outras pessoas
que pensam, agem e se relacionam de formas adversas e também
prestamos atenção nas nossas atitudes quando estamos
sozinhos, pois são nesses momentos que não disfarçamos
nossas tendências, não nos preocupamos em esconder nossos
gostos, não nos preocupamos com o nosso comportamento. Aos
poucos passamos a nos conhecer melhor e descobrimos aspectos de nós
mesmos que antes não nos dávamos conta.
O segundo aspecto é nos mostrar que a reforma íntima
é o caminho infalível da felicidade que há de
vir. A felicidade é o que mais desejamos, e aprendemos
que seguir os exemplos de Jesus é o caminho que nos leva a
Deus, e quando adentrarmos nesse caminho sentimos os resultados imediatos,
como uma vida mais equilibrada, sentimento de paz interior, nos libertamos
de muitos sofrimentos. Começamos a perceber, em cada luta que
se apresenta em nossas vidas, o imenso amor de Deus por nós.
Compreendemos que ele nos dá oportunidade de nos ajustarmos
as suas Leis, ao refazermos os caminhos que foram motivos de tropeços
e entendemos o significado de ser infeliz quando estamos afastados
do bom caminho.
O terceiro aspecto é que esta obra levanta uma
ponta do véu, que oculta à vida futura.
Ela levanta o véu que encobre as verdades mostrando as interpretações
equivocadas, as modificações que as escrituras sofreram
ao longo do tempo, os erros nas reproduções; esclarece
o verdadeiro sentido das passagens evangélicas e a sua a aplicação
na prática da vida.
Nesse aspecto, a Doutrina Espírita descortina novas verdades
que já temos maturidade para entender. Ensina que somos espíritos
imortais; que o Reino de Deus ao qual Jesus falou, refere-se ao Mundo
Espiritual que é a nossa verdadeira morada; que existem diversos
mundos habitados; que transitamos por eles através das reencarnações;
sobre as causas das nossas dores e as consequências das nossas
ações.
Também aprendemos que Deus é Pai bondoso e por isso
não temos que temê-lo, mais respeitá-lo; que ele
nos ama infinitamente e por isso não nos pune, ele nos educa;
ele é justo, age com imparcialidade e não dá
privilégios a ninguém. Como nos diz em os Espíritos
superiores “Os primeiros lugares são acessíveis
a todos: para que possam conquistá-los pelo seu trabalho...”.
Por tudo isso, nós espíritas, já temos condições
de refletir que não haverá transformação
na sociedade, sem que haja mudança em nós; não
haverá cura, sem que haja o esforço necessário
para mantermos bons pensamentos, bons sentimentos e boas ações;
não podemos mais esperar que os outros retribuam ou agradeçam
pelo bem que propiciamos e não podemos mais fazer preces solicitando
que o mal seja afastado do Planeta, pois já sabemos que ele
existe como resultado das nossas imperfeições.
Então, queridos amigos, vamos estudar O Evangelho
Segundo o Espiritismo com o objetivo de adequar a nossa
conduta à moral do Cristo.