Um dos princípios
da Doutrina Espírita é a existência de Deus. Inclusive
a primeira pergunta que Kardec apresenta em O Livro dos Espíritos
é “O que é Deus?”
No capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo,
no item 3, Kardec esclarece que sem a ideia de Deus não seria
possível explicar as anomalias, as desigualdades e a utilidade
do sofrimento para sermos felizes. Também fala sobre a importância
da fé no futuro para nos consolar e inspirar a paciência,
mais acrescente que esta fé não é suficiente
para explicar estas “anomalias que parecem desmentir a Justiça
de Deus”. Então ele esclarece de forma lógica
a respeito da existência de Deus e diz que não há
como “concebê-lo sem o infinito das suas perfeições”
e acrescenta que “Ele deve ser todo poder, todo justiça,
todo bondade, sem isso não seria Deus”.
Essa explicação nos mostra que a fé em Deus é
imprescindível para a nossa tranquilidade, mais nós
refletimos sobre a construção dessa fé em nós?
Já paramos para pensar se realmente confiamos em Deus?
Então é sobre a fé em Deus, no seu poder, justiça
e bondade que vamos refletir.
Como entendemos o poder de Deus? — Os Espíritos respondem
a questão número um de O Livro dos Espíritos,
acima mencionada, que “Deus é a inteligência
suprema, causa primeira de todas as coisas”. Dessa forma
a Doutrina Espírita nos esclarece que o poder de Deus abrange
tudo o que existe e que há uma organização e
uma ordem no Universo.
Durante muito tempo acreditamos e, muitos ainda acreditam que Deus
pune aqueles que não cumprem a sua vontade, ou distribui recompensas
para aqueles que obedecem as suas Leis. Hoje, com a Doutrina Espírita,
aprendemos que existe uma Lei justa para todos. Sabemos que os sofrimentos
tem uma causa anterior e sofrer a consequência das nossas ações
é processo educativo, de reajuste, que impulsiona a nossa evolução
porque amplia a nossa consciência, a nossa inteligência,
a nossa percepção e proporciona o desenvolvimento das
potencialidades. Também ensina que Deus não concede
privilégios a ninguém. Deus é justo!
Em sua infinita bondade Ele nos dá diversas oportunidades para
nos ajustarmos com as suas Leis, através da misericórdia
da reencarnação.
Deus é bondade, porque permite que sejamos construtores da
nossa própria felicidade.
Muitos dizem assim: Esses conhecimentos são importantes, mas
quando a dor chega como tudo isso poderá nos ajudar? É
verdade que tudo isso é conhecimento e podemos acreditar ou
não.
Primeiro essas informações irão nos ajudar a
afastar as ideias materialistas, que nos incita à busca da
felicidade imediata, e por isso precisamos observar se estamos agindo
de acordo com estas ideias.
Esses conhecimentos também irão nos ajudar a observar
nossas reações aos desafios. Ficamos descontentes, tristes,
magoados ou revoltados? Precisamos ficar atentos a esses sentimentos
e combatê-los.
Tenhamos bom ânimo. Peçamos a Deus força e coragem
para não esmorecermos. Comecemos a observar a bondade, a justiça
e o poder de Deus nas pequenas situações da nossa vida
e, nas lutas dolorosas que, às vezes, pensamos que não
somos capazes de suportar.
O conhecimento da vida espiritual ajuda a compreender a vida material.
As lutas bem toleradas ajudam a desenvolver os bons sentimentos. O
treinamento da aceitação ajuda a desenvolver a resignação
que é o consentimento do coração. Sentir o poder,
a justiça e a bondade de Deus nos ajuda a desenvolver a Fé
que nos preserva de desistir da vida.