No cap. III, do
livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec analisa a
passagem em que Jesus afirma que há muitas moradas na Casa
do meu Pai, amplia o entendimento a respeito desse tema e no item
3 ele nos fala dos diferentes estados da alma na erraticidade.
Erraticidade “é o estado dos espíritos
não encarnados, ou errantes, ou erráticos, durante os
intervalos de suas diversas existências” (E.S.E.
– Nota 38). Errantes nada têm a ver com erros.
Significa dizer que é o estado do espírito que ainda
possuem compromissos reencarnatórios a cumprir, ou seja, ainda
necessitam reencarnar para se aperfeiçoarem e se reajustarem
a Lei de Deus.
Kardec nos faz refletir sobre o estado e a situação
dos Espíritos nesse intervalo. A partir dessa reflexão
vamos trazer para o nosso estado e situação atual, tendo
em vista que o estado que nos encontraremos na erraticidade será
exatamente o estado em que estaremos aqui no momento do desencarne.
Então qual é o nosso estado hoje? Feliz ou infeliz?
Quais os parâmetros utilizamos para definir o nosso estado de
felicidade?
Há algum tempo recebemos a notícia de uma pesquisa sobre
felicidade. Algumas pessoas acharam sensacional a ideia de se sentirem
felizes com mais idade, já que a pesquisa dizia que as pessoas
são mais felizes na infância e na idade madura. Então
elencaram os motivos de felicidade, que eram as conquistas profissionais,
o corpo, a liberdade de fazerem o que desejassem. Então deduziram
que as crianças não se dão conta dessas coisas
e os que estão na fase madura não se importam com isso.
Vão à praia sem se incomodar com a celulite, fazem o
que querem sem se importar com a opinião alheia.
Kardec esclarece para todos nós que “a situação
do espírito — mais ou menos depurado e desprendido dos
laços materiais — o meio, os aspectos das sensações
e percepções que esses espíritos experimentam
variam ao infinito.”
Vamos pensar como essas situações influenciam em nossa
vida: O meio, o aspecto das coisas, a sensação e a percepção.
Em relação ao meio, dizemos que o meio ruim arrasta
para a infelicidade. Mais para aqueles que estão buscando a
depuração dirão que no meio da dificuldade encontra-se
a oportunidade de se melhorarem. Kardec diz que “A felicidade
depende das qualidades pró- prias dos indivíduos e não
o estado material do meio em que se acham” (Revista
Espírita de março 1865); Quanto ao aspecto das
coisas, podemos lembrar-nos de Jesus caminhando com seus apóstolos
e diante de um cachorro morto, os apóstolos observaram que
a boca era horrível, que ele era assustador, que as patas eram
perigosas, e Jesus olhou para o animal e observou o aspecto dos dentes
lindos; Quanto às sensações e percepções,
podemos dizer que estando num mesmo ambiente todos registram a mesma
sensação, mais a percepção que cada um
possui tem a ver com a sensibilidade de seus sentidos e como cada
um interpreta as coisas e o mundo.
Tudo isso influencia a nossa vida? Sim. Mais não são
determinantes para o nosso estado feliz ou infeliz, presos ou libertos.
Por isso precisamos buscar avaliar melhor as coisas à nossa
volta. Começar a nos observarmos como seres espirituais em
experiência na matéria. Que as coisas matérias
não promovem a nossa felicidade, e sim o uso que fizermos delas
para a nossa transformação moral. Pois a situação
que nos encontramos agora e no futuro poderá ser de espíritos
presos ou livres. Presos às coisas materiais, sem conseguirmos
nos elevar; também poderemos estar presos às culpas,
aos remorsos, aos arrependimentos por não termos dado à
vida o verdadeiro valor que ela representa para a nossa caminhada
evolutiva. Depurados e desprendidos seremos livres, felizes e justos
com a Lei de Deus.