Lázaro no livro O Evangelho
Segundo o Espiritismo, item 8, do cap. 11, esclarece que “Na
sua origem o homem só tem instintos; mais avançado e
corrompido, só tem sensações; mais instruído
e purificado, tem sentimentos.”
E Léon Denis diz que “O
instinto torna-se sensibilidade, inteligência, consciência,
razão.” (O Grande Enigma, cap.
6 – As leis universais.)
Percebemos então que em nosso progresso evolutivo passamos
por diversas fases. De acordo com Lázaro e Léon Denis,
iniciamos nossa caminhada com o instinto, avançamos para o
desenvolvimento das sensações que irá favorecer
o despertar da sensibilidade, e é sobre ela que queremos refletir.
Santo Agostinho ao esclarecer a classificação dos espíritos
encarnados na Terra, ele diz que aqueles que estão em expiação,
(...) já viveram em outros mundos e por terem passados por
diversas experiências desenvolveram mais sensibilidade e por
isso “as misérias da vida têm mais amargor para
essas raças, ao serem atingidas pelas contrariedades”
(E.S.E. Cap. 3, item 14).
Essa informação nos ajuda a entender porque uns sofrem
mais que outros; sentem e veem coisas que outros não percebem,
porque sentimos tanto com as atitudes e agressões que sofremos.
Já sabemos que somos espíritos em processo de aperfeiçoamento
e que as nossas imperfeições podem atingir os nossos
semelhantes, tanto quanto os outros podem nos causar dor e sofrimento.
Então vamos pensar como está a nossa sensibilidade ao
recebermos uma ofensa? Pensemos se a forma com a qual reagimos está
adequada.
Joanna de Ângelis ensina: “Não revides as agressões
mentais com que investem contra ti. Permanece em calma e amortece
o dardo que dispararam, fazendo-o desagregar-se ao
atingir o algodão da tua sensibilidade.” (Momentos
de Meditação, cap. 12.)
Emmanuel diz: “Se te encontras diante de um
caso de agressão, não respondas com outra
agressão, a fim de que a intemperança mental não
te precipite na vala da delinquência. Pacifica a própria
sensibilidade, para que a razão te oriente os impulsos.”
(Livro Urgência).
Esse comportamento exigirá esforço, determinação
e paciência. Mais o conhecimento que já possuímos,
de que devemos aprender a perdoar, a ser indulgente, a compreender
os nossos irmãos, tal qual desejamos que assim eles façam
conosco, deve ser o estímulo para não desistirmos de
tentar, pois já sabemos que é essa a forma para atingirmos
a perfeição e a felicidade.
Léon Denis, no livro O Problema do Ser e do Destino,
nos diz que “a alma deve conquistar (...), todos os atributos
de sua grandeza (...). Por isso, (...), a necessidade das provas e
da dor, nas etapas inferiores, a fim de que sua sensibilidade desperte
e que, ao mesmo tempo, exerça sua livre escolha e cresçam-lhe
a vontade e a consciência.” (...)
Então essas experiências com os nossos irmãos
de caminhada irão nos auxiliar a despertar a sensibilidade;
ajudará na tomada de decisão, em que avaliaremos o que
é certo e errado, o bem e o mal, e assim desenvolvemos a razão;
e ampliará nossa vontade e consciência, ou seja, propiciará
o nosso progresso.
Sigamos a orientação de Kardec, que nos diz que devemos
agradecer a Deus por nos submeter às provas e também
agradecer aos irmãos que nos possibilitaram a oportunidade
de demonstrarmos a nossa paciência e resignação.
(E.S.E. cap. 12.)
Por isso não pensemos em fugir dos desafios que nos deparamos
em nossa caminhada pela vida. Não desistamos das experiências
junto à família, os ambientes de trabalho, os trabalhos
assistenciais, pois esses são os ambientes propícios
para depurar a nossa sensibilidade e partirmos para a próxima
etapa da nossa escalada evolutiva.