Espiritualidade e Sociedade





Deise Cravo

>   Ainda precisamos de promessas?

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Deise Cravo
>   Ainda precisamos de promessas?

 

 

No 4º mandamento, encontramos a orientação: “Honrai vosso pai e vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo sobre a terra que o Senhor, vosso Deus, vos dará.”.

Nessa passagem, vemos a promessa de receber de Deus longo tempo na Terra, se cumpríssemos esse mandamento.

Muitos questionam por que consta a promessa de ganhar a Terra, se a finalidade é a conquista do reino celeste.

Kardec nos esclarece, no item 4 do capítulo XIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, que, na época em que Moisés recebeu o decálogo, o povo hebreu não compreendia a vida futura. Eles caminhavam pelo deserto e o maior desejo, no momento, era encontrar um lugar para morar, que para eles era a Terra Prometida. E por isso o estímulo utilizado para que cumprissem o mandamento foi a promessa de viver longo tempo na Terra.

Outros questionamentos surgem: Mas essa promessa não é falsa, já que o objetivo é a construção da vida futura?

No mesmo capítulo, Kardec nos fala que Deus utiliza a linguagem que está ao alcance da compreensão do povo, e a deles não ia “além dos limites da vida corporal”. Também não é falsa, pois se observarmos o capítulo II, item 6, Kardec diz que, caso ninguém se ocupasse com as coisas da Terra, só pensando na vida futura, “tudo nela iria correr perigo.” E, estando aqui, é natural que queiramos viver da melhor forma possível e temos o dever de cuidar do Planeta.

Podemos observar a Lei de Progresso nessas promessas, pois com a vinda de Jesus a promessa mudou. Jesus diz que o seu reino não é deste mundo (João, XVIII: 33), “É esse o mundo que Ele (Jesus) promete àqueles que obedecem aos mandamentos de Deus”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo I, item 3).

Jesus também disse que o Reino está dentro de nós, quando os Fariseus perguntaram quando o Reino de Deus viria. (Lucas. 17:20 e 21)

Então, vamos refletir? Se o Reino está dentro de nós, que recompensa podemos esperar se cumprirmos a Lei de Deus?

Vemos que os pais prometem recompensas aos filhos se comerem a comida toda, se cumprirem pequenas tarefas, se fizerem a lição de casa, se passarem de ano na escola. Tudo isso são estímulos para que cresçam e se desenvolvam. Não é diferente na infância espiritual. Somos estimulados a trabalhar pelo nosso desenvolvimento, tal qual uma criança.

Estamos crescendo e não cabe mais esperarmos por promessas e recompensas, por trabalharmos naquilo que nos elevará e nos tornará livres.

É claro que podemos utilizar estímulos para cumprirmos o nosso dever com a Lei de Deus. A certeza de sermos felizes e de alcançarmos a perfeição deve ser o nosso maior estímulo, para nos impulsionar a trabalhar pela construção desse reino íntimo, para não esmorecermos nem desanimar.

Não devemos mais esperar recompensas de Deus, como: obtermos ganhos materiais, saúde, vida tranquila, harmonia no lar, pois hoje já sabemos que as dificuldades, os desafios são as formas para a construção desse reino. Os bens e a saúde são instrumentos e recursos para o nosso aprendizado, ou consequência das nossas escolhas, e a tranquilidade e a harmonia dependem de nosso trabalho e comportamento.

Sigamos com coragem, com vontade firme e determinação para construirmos o reino de Deus em nós.

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/12-Revista_CELD_Dezembro-2019.pdf

 

 

 

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