No 4º mandamento, encontramos a orientação:
“Honrai vosso pai e vossa mãe, a fim de viverdes
longo tempo sobre a terra que o Senhor, vosso Deus, vos dará.”.
Nessa passagem, vemos a promessa de receber de Deus longo tempo na
Terra, se cumpríssemos esse mandamento.
Muitos questionam por que consta a promessa de ganhar a Terra, se
a finalidade é a conquista do reino celeste.
Kardec nos esclarece, no item 4 do capítulo XIV de O Evangelho
Segundo o Espiritismo, que, na época em que Moisés
recebeu o decálogo, o povo hebreu não compreendia a
vida futura. Eles caminhavam pelo deserto e o maior desejo, no momento,
era encontrar um lugar para morar, que para eles era a Terra Prometida.
E por isso o estímulo utilizado para que cumprissem o mandamento
foi a promessa de viver longo tempo na Terra.
Outros questionamentos surgem: Mas essa promessa não é
falsa, já que o objetivo é a construção
da vida futura?
No mesmo capítulo, Kardec nos fala que Deus utiliza a linguagem
que está ao alcance da compreensão do povo, e a deles
não ia “além dos limites da vida corporal”.
Também não é falsa, pois se observarmos o capítulo
II, item 6, Kardec diz que, caso ninguém se ocupasse com as
coisas da Terra, só pensando na vida futura, “tudo nela
iria correr perigo.” E, estando aqui, é natural que queiramos
viver da melhor forma possível e temos o dever de cuidar do
Planeta.
Podemos observar a Lei de Progresso nessas promessas, pois
com a vinda de Jesus a promessa mudou. Jesus diz que o seu reino não
é deste mundo (João, XVIII: 33), “É
esse o mundo que Ele (Jesus) promete àqueles que obedecem aos
mandamentos de Deus”. (O Evangelho
Segundo o Espiritismo, capítulo I, item 3).
Jesus também disse que o Reino está dentro de nós,
quando os Fariseus perguntaram quando o Reino de Deus viria. (Lucas.
17:20 e 21)
Então, vamos refletir? Se o Reino está
dentro de nós, que recompensa podemos esperar se cumprirmos
a Lei de Deus?
Vemos que os pais prometem recompensas aos filhos se comerem a comida
toda, se cumprirem pequenas tarefas, se fizerem a lição
de casa, se passarem de ano na escola. Tudo isso são estímulos
para que cresçam e se desenvolvam. Não é diferente
na infância espiritual. Somos estimulados a trabalhar pelo nosso
desenvolvimento, tal qual uma criança.
Estamos crescendo e não cabe mais esperarmos por promessas
e recompensas, por trabalharmos naquilo que nos elevará e nos
tornará livres.
É claro que podemos utilizar estímulos para cumprirmos
o nosso dever com a Lei de Deus. A certeza de sermos felizes e de
alcançarmos a perfeição deve ser o nosso maior
estímulo, para nos impulsionar a trabalhar pela construção
desse reino íntimo, para não esmorecermos nem desanimar.
Não devemos mais esperar recompensas de Deus, como: obtermos
ganhos materiais, saúde, vida tranquila, harmonia no lar, pois
hoje já sabemos que as dificuldades, os desafios são
as formas para a construção desse reino. Os bens e a
saúde são instrumentos e recursos para o nosso aprendizado,
ou consequência das nossas escolhas, e a tranquilidade e a harmonia
dependem de nosso trabalho e comportamento.
Sigamos com coragem, com vontade firme e determinação
para construirmos o reino de Deus em nós.