Espiritualidade e Sociedade





Paul Clemens Cavalin

>  Religião, sacrifício e violência

Artigos, teses e publicações

Paul Clemens Cavalin
>  Religião, sacrifício e violência

 


 

Transcrição traduzida ao português de sua palestra em inglês, com o mesmo título, para a aula magna do PPG em Ciência da Religião da PUC-SP, ocorrida em 7 de outubro de 2021. Por se tratar de uma palestra, não há citações e outros elementos típicos da língua acadêmica escrita. Transcrição e tradução por Fábio L. Stern.

Paul Clemens Cavalin - Professor da Nord universitet (Noruega).
Doutor em Religionsvetenskap (Ciência da Religião) (Göteborgs universitet, Suécia).
ORCID: 0000-0002-5836-3539 –

 

(trecho inicial)

Existe uma ligação estreita entre os temas “religião” e “sacrifício”. Na maioria das definições, sacrifício, ao contrário das oferendas em geral, exige que o objeto, arma, animal ou pessoa ofertado seja destruído, o que, no caso de animais, geralmente significa que sua garganta seja cortada e seu corpo seja assado ou queimado por inteiro, ou levado ao deserto para morrer, como o bode expiatório do judaísmo do Antigo Testamento. A categoria oferendas, por outro lado, abrange também o incenso que sobe aos céus, a dispersão de pétalas de rosa, libações de leite, água e vinho. O sacrifício gira em torno do derramamento de sangue, a força vital do bode, ovelha ou touro doada em partes ou no todo à divindade.

(...)

Para o cientista da religião, é conveniente definir sacrifício como um subtipo de oferenda, com as ofertas votivas como seu extremo contraste, presentes aos deuses que se tornam deles e são colocados em solo sagrado (p. ex., dentro de um templo). Apesar das diferenças, o sacrifício segue a estrutura básica de uma oferenda que estabelece e mantém a comunicação com o mundo oculto dos deuses. A maioria dos sacrifícios ani-mais é rodeada por oferendas sem sangue (p.ex., incensos, fluidos e substâncias vegetais).

Implícita na maioria dos discursos sobre religião e violência há uma dimensão política em que a violência é vista como algo a ser cerceado para manter ou recuperar a coexistência pacífica entre grupos e identidades antagônicos. Porém, o sacrifício não é o simples ato de matar ou um assassinato ritual, mas uma forma de sacralizar, regular e transformar a violência. É verdade que, por vezes, esse processo é destrutivo e contrário os direitos e obrigações universais. Contudo, o sacrifício, aliado a uma boa razão, realça a questão da violência necessária e sua legitimidade.

 

>  texto disponível em pdf - clique aqui para acessar a tese em pdf -

 

Fonte: DOI: https://doi.org/10.23925/1677-1222.2021vol21i2a11

CAVALIN, Paul Clemens; STERN, Fábio L. Religião, sacrifício e violência. REVER: Revista de Estudos da Religião, [S. l.], v. 21, n. 2, p. 167–171, 2021. DOI: 10.23925/1677-1222.2021vol21i2a11.
Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/rever/article/view/56665.

 

 

 

* * *

 



topo

 

 

Acessem os Artigos, teses e publicações: ordem pelo sobrenome dos autores :
-  A  |  B  |   C  |   D  |  E   |  F   |  G  |   H  |   I   |  J  |    K   |   L   |   M  |   N   |   O   |   P  
-  Q  |   R  |  S  |   T   |   U   |   V    |   W   |   X    |   Y    |    Z  
-  Allan Kardec      -   Special Page - Translated Titles
* lembrete - obras psicografadas entram pelo nome do autor espiritual :