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Joana Bahia
> The Romanticism of the Oyá: Feelings, Bodies,
Memories, and the Multiple Space-Times of the Medium
> O Romantismo do Oyá: Sentimentos, Corpos,
Memórias e os Múltiplos Espaços-Tempos do Meio
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Abstract
Subjective processes of change, dreams, dance, theater
representations, translations, and memories of local and global heritage
— all of these things are a kind of grammar that constitutes parts
of the experiences of mediumship practiced in candomblé in Germany.
I have observed these practices in my fieldwork since 2009. New forms
of sacred agency in bodily practices, the different bodies moving in
dance, music, and theater, and even the processes of trans-nationalization
themselves are crucial for us in thinking about how these religious
practices are recreated through improvisation and creativity in multiple
areas and across borders. It is important to rethink the relationships
and entanglements researchers maintain with the religious phenomena
expressed in their objects of study. This paper stimulates discussions
based on ethnographic experiences and explores the dimensions of human
sensory perception through religious trance, illness, healing, dance,
and ritual theater.
RESUMO:
Processos subjetivos de transformação,
sonhos, dança, representações teatrais, traduções
e memórias do patrimônio local e global constituem uma
espécie de gramática que compõe diferentes dimensões
das experiências de mediunidade praticadas no candomblé
na Alemanha. Tenho observado essas práticas em meu trabalho
de campo desde 2009. Novas formas de agência do sagrado nas
práticas corporais, os diferentes corpos em movimento na dança,
na música e no teatro, bem como os próprios processos
de transnacionalização, são fundamentais para
refletirmos sobre como essas práticas religiosas são
recriadas por meio da improvisação e da criatividade
em múltiplos contextos e para além das fronteiras nacionais.
Torna-se, ainda, importante repensar as relações e os
entrelaçamentos que os pesquisadores estabelecem com os fenômenos
religiosos expressos em seus objetos de estudo. Este artigo promove
uma discussão fundamentada em experiências etnográficas
e explora as dimensões da percepção sensorial
humana por meio do transe religioso, da doença, da cura, da
dança e do teatro ritual.
Introdução: A religião no meu quintal
Cresci em um subúrbio do Rio de Janeiro chamado Encantado e
morei ao lado de um terreiro de Umbanda, que frequentei sem saber
exatamente do que se tratava, já que as crianças eram
quase sempre bem-vindas naquela casa. O terreiro era uma extensão
da minha casa, do meu quintal, e também um espaço que
despertava grande curiosidade. A década de 1970, período
da minha infância, foi marcada pela expansão das religiões
afro-brasileiras na região Sudeste urbana do Brasil (Prandi,
1990; Bahia, 2018). Imagens religiosas coloridas, indígenas,
exus e um universo barroco descortinavam-se diante dos meus olhos.
Eu participava das festas de São Cosme e Damião e, a
cada 27 de setembro, corria para recolher os doces distribuídos
pelos devotos dos santos e pelos praticantes da Umbanda e do Candomblé.
Em meu trabalho, analiso práticas de Umbanda
e Candomblé, mas, neste capítulo, concentro-me mais
especificamente na observação das práticas
de um terreiro de Candomblé em particular. O Candomblé
é uma religião constituída no século
XIX, no estado da Bahia, a partir da tradição iorubá.
Embora muitos terreiros de Candomblé se dediquem exclusivamente
ao culto dos orixás (divindades de origem africana ocidental),
outros também realizam trabalhos com entidades da Umbanda,
de acordo com as necessidades de seus filhos de santo, promovendo
sessões com pombagiras e exus, entidades espirituais que
desfrutam de reconhecido prestígio tanto no Brasil quanto
em Portugal. A Umbanda é uma religião brasileira fundamentada
na incorporação de espíritos. Constituída
no início do século XX, no Rio de Janeiro, combina
elementos das religiões de matriz africana, do Catolicismo,
do Espiritismo — em sua vertente codificada por Allan Kardec
— e de tradições indígenas. Na Umbanda,
cultuam-se e incorporam-se espíritos, diferentemente do Candomblé,
cujo culto é dirigido aos orixás. Os templos religiosos
que constituem o objeto de minha pesquisa praticam tanto o Candomblé
quanto a Umbanda, e esse caráter dual constitui uma das razões
pelas quais a Umbanda é amplamente aceita em Portugal.
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J. Bahia
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Fonte: https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-662-72097-4_10
DOI - https://doi.org/10.1007/978-3-6
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