“Continua o mesmo, apesar
do passar dos anos. Talvez o repórter envelheça mais
depressa. Mude mais rapidamente. Tancredo, o Tata, o paizinho, como
lhe chamam (...) também o trata assim ainda que não
sejamos filhos seu filho de santo, o admiramos como se meu pai fosse”.
(A Luta Democrática, RJ, 09 e 10 de
agosto de 1970)
Diego Uchoa de Amorim discute a atuação
do líder religioso Tancredo da Silva Pinto no processo de africanização
da Umbanda
INTRODUÇÃO:
A região do Vale do Paraíba
Fluminense guarda uma pequena cidade, chamada Cantagalo, a uma distância
de 200 km da capital, compondo com outras localidades a Região
Serrana e o Centro-Norte Fluminense. O início do seu povoamento
data do período colonial. O evento épico inaugural foi
o pedido de Maurício Portugal à Intendência Geral
do Ouro para explorar nos “Sertões do Leste” um
garimpo nos primórdios da Vila de São Pedro de Cantagalo.
Conseguiu a autorização, contudo, mais tarde revogada
pelo Vice-rei. No final do século XVIII, os homens de Manuel
Henriques, o lendário Mão de Luva, aproveitando-se da
situação, invadiram a região a partir de Xopotó
e fundaram, sob “vista grossa” do governador de Minas
Gerais, o garimpo Novas Minas dos Sertões de Cantagalo. O primeiro
fluxo dispersivo de população pelos sertões deu
origem ao arraial de aproximadamente duzentas pessoas sob as ordens
de Mão de Luva (Faria, 2018; Oliveira, 2008).
(...)
Tata Tancredo, como era conhecido
pelas religiões do axé no Rio de Janeiro e grandes cidades
do Brasil, nasceu em 10 de agosto de 1905. Era filho do casal Belmiro
da Silva Pinto e Edwirges de Miranda Pinto. Tancredo da Silva, assim,
era um dos indivíduos que migraram da região do Vale
do Paraíba Fluminense marcada pela experiência cafeeira
e seu repertório cultural formado pelos jongos, calangos, folias
de reis, congadas, culto às almas e outras religiosidades no
Rio de Janeiro e no Brasil durante o século XX no contexto
do Pós-Abolição (Mattos; Rios, 2004, p. 170-198).
Em sua família, o avô materno fundou blocos carnavalescos
pioneiros da cidade: Avança, Treme-Terra e Cordão Místico.
Seu pai era conhecido como um dos melhores tocadores de violão
da redondeza e sua tia Olga da Mata, famosa por sair nos cordões
fantasiada de Rainha Ginja.
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