Resumo
Consideramos as diferentes reflexões acadêmicas
convencionais sobre o Jesus Histórico, o Jesus da Fé
e, como alternativa, um novo conceito emergente de Jesus Narrativo.
Se é verdade que Jesus de Nazaré morreu na grande história,
então também é verdade que reviveu na memória
coletiva dos cristãos.
Leandro Seawright Alonso
Doutorando em História Social pela USP e mestre
em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de
São Paulo
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Introdução
Neste artigo pretendemos demonstrar as fragilidades
dos estudos de historiadores convencionais sobre o Jesus Histórico,
principalmente por suas buscas pela “verdade” da concretude
dos documentos objetivos, regulares. Almejamos demonstrar concomitantemente
que, depois do Jesus da Fé, emerge alternativamente
outro conceito acadêmico – no âmbito da história,
da oralidade e das ciências da religião – denominado
de Jesus Narrativo.
Demonstraremos, pois, que o Jesus Histórico,
pretendido axiomaticamente por alguns historiadores convencionais,
e também por teólogos do criticismo, bem como por cientistas
da religião, não se descola do Jesus da Fé,
mas oferece lugar ao Jesus Narrativo como alternativa para
se estudar as diferentes versões de Jesus de Nazaré
na memória coletiva da comunidade cristã. Partiremos
da convicção de que o Jesus Histórico
pertence às buscas da grande história e, ao mesmo tempo,
o Jesus Narrativo – como preferimos denominar –
pertence à memória oral dos crentes.
Justificamos a utilização da expressão
Jesus Narrativo pela demonstração da ritualização
da oralidade própria aos cristãos, com base na Palavra,
na documentação viva, na memória coletiva, na
subjetividade, na conotação, nos mitos, e, sobretudo,
na disciplinaridade da história oral autônoma. Provocativamente,
concebemos que o Jesus Histórico morreu na história
e o Jesus Narrativo ressuscitou na memória oral. “Você
aceita Jesus”?
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