
“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a
terra” (Mt 5:5)
“Mas os mansos herdarão a terra e se deleitarão
na abundância de paz”(Sl
37:11)
O Espírito Emmanuel, com a
precisão e compreensão que lhe são características,
grafou e nos legou, para quando buscarmos analisar e interpretar o
Evangelho, a assertiva de que “Todas as sentenças
evangélicas permanecem assinaladas de beleza e sabedoria ocultas.
Indispensável meditar, estabelecer comparações
no silêncio e examinar experiências diárias para
descobri-las” (Vinha de Luz, Cap.
95). O mesmo benfeitor espiritual ainda recomenda que “Na
leitura do Evangelho, é necessário fixar o pensamento
nas lições divinas, para que lhe sorvamos o conteúdo
de sabedoria” (idem, Cap. 126).
Reconhecemos que a simples interpretação
literal nos conduz, quase sempre, a um entendimento superficial, quando
não, equivocado. Os reais significados e ensinamentos do texto
evangélico, como assinala Emmanuel, estão, via de regra,
ocultos. Bem compreendê-los, ainda segundo o benemérito
instrutor, requer, de cada um de nós, a fixação
do pensamento, a meditação e a experiência diária.
Assim, atentos a esta diretriz, busquemos compreender e meditar sobre
o significado da lição transmitida pelo Divino Mestre,
nas bem-aventuranças (Mt 5:5) e presente também em Salmos
(37:11), respectivamente: “Bem-aventurados os mansos, porque
herdarão a terra”; e: “Mas os mansos herdarão
a terra e se deleitarão na abundância de paz”.
Afinal, quem são os mansos a que se refere Jesus?
Os mansos são todos aqueles Espíritos que, aproveitando
as várias oportunidades reencarnatórias no planeta Terra,
se depuraram e evoluíram segundo os ensinamentos passados pelo
Divino Mestre, ou seja, aqueles que verdadeiramente aprenderam e vivenciaram
o amor a Deus e ao próximo; aqueles que fraternalmente contribuíram
para com o desenvolvimento espiritual do planeta; aqueles que humildemente
e com resignação aceitaram e suportaram as suas provas
e expiações e se depuraram; aqueles que engrossaram
as fileiras do trabalho redentor na seara divina; aqueles que, individual
e coletivamente, contribuíram para o desenvolvimento social
e científico da humanidade; aqueles que efetivamente contribuíram
para o desenvolvimento de seus irmãos de caminhada na senda
evolutiva.
Mas, e a terra? Que ou qual Terra, herdarão os mansos?
A terra a que se refere o Meigo Mestre é o planeta! O planeta
Terra! Não se trata, portanto, de um pedaço de terra
geograficamente delimitado.
Jesus quer nos mostrar que chegará o momento em que, no planeta
Terra, somente reencarnarão os Espíritos que, ao longo
de suas experiências, passaram a vibrar na faixa do amor, da
compreensão, da caridade, da fraternidade e da liberdade.
Corroborando esse entendimento, o Espírito Cairbar Schutel
(A Hora do Apocalipse, p. 130), nos legou a seguinte mensagem:
“Quando os mansos herdarem
a terra, cumprindo-se a promessa de Jesus, já não
haverá lugar para os maus e os que, de qualquer forma, entravam
o progresso espiritual da humanidade. Por absoluta incompatibilidade
com a vibração evangélica dos bons e dos libertos,
irão os maus automaticamente para as trevas exteriores. Delas
retornarão um dia para a luz do Mestre, que não quer
que ninguém se perca”.
“Até lá, o mundo terá alcançado
tal progresso que mesmo um retorno um tanto antecipado, por acréscimo
de misericórdia, de algum espírito ainda não
integralmente evangelizado, longe de causar qualquer perturbação,
será estímulo sagrado para os demais, no sentido do
amparo fraternal”.
Mas, e o deleite na abundância de paz?
É sabido que estamos vivendo a fase de transição
em que o planeta Terra se elevará na hierarquia dos mundos,
deixando de ser um mundo de provas e expiações, para
se tornar um mundo de regeneração.
Nesse diapasão, assim nos ensinou o Espírito Agostinho
(O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. III, item 19), quando
adentra a lição sobre a progressão dos mundos:
“O progresso é lei
da Natureza. A essa lei todos os seres da Criação,
animados e inanimados, foram submetidos pela bondade de Deus, que
quer que tudo se engrandeça e prospere. (…) Ao mesmo
tempo em que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem
materialmente os mundos em que eles habitam. (…) Segundo aquela
lei, este mundo esteve material e moralmente num estado inferior
ao em que hoje se acha e se alçará sob esse duplo
aspecto a um grau mais elevado. Ele há chegado a um dos seus
períodos de transformação, em que, de orbe
expiatório, mudar-se-á em planeta de regeneração,
onde os homens serão ditosos, porque nele imperará
a lei de Deus”.
Bem-aventurados, então, os
dignos de permanecer junto à nova psicosfera terrestre (“Os
mundos regeneradores servem de transição entre os mundos
de expiação e os mundos felizes. A alma penitente encontra
neles a calma e o repouso e acaba por depurar-se”; O Evangelho
Segundo o Espiritismo, Cap. III, item 17), pois viverão
e desfrutarão de um mundo em que a paz e a harmonia prevalecerão
em abundância.
Acerca do tema, diz ainda o Espírito de Cairbar Schutel, obra
citada: “Reinarão os bons de forma absoluta e total,
sob a égide do Divino Mestre e de seus prepostos”.
Mas, e os que não herdarem a Terra? Poderão a ela retornar
algum dia?
Deixemos a resposta desta intrigante questão a cargo de Cairbar
Schutel, mesma obra:
“E que as bênçãos
do Criador e de Jesus amparem os Exilados da Terra para que, em
breve, retornem à casa abençoada, que a Divina Misericórdia
lhes concedeu habitarem no universo. E se escolherem por permanecer
no Novo Lar, a que serão conduzidos para aprendizado bendito,
que as bênçãos de Deus lhes possibilitem, nessa
nova seara, um trabalho profícuo no campo da evangelização
coletiva”.
Somos os mansos e dignos que herdarão e permanecerão
na Terra?
As nossas lutas, experiências e vivências diárias
responderão.