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Jáder Sampaio

>   Satisfação, Desligamento e sofrimento de voluntários espíritas
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5.º ENLIHPE 2009
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Jáder Sampaio
>   Satisfação, Desligamento e sofrimento de voluntários espíritas -

 
5.º ENLIHPE - Trabalhos apresentados

Durante o 5º Encontro da Liga Historiadores e Pesquisadores do Espiritismo (ENLIHPE), em 2009, foi apresentada a palestra abaixo, a qual apresentamos parcialmente logo após uma entrevista com o palestrante:

 

SATISFAÇÃO, DESLIGAMENTO E SOFRIMENTO DE VOLUNTÁRIOS ESPÍRITAS


RESUMO DO TRABALHO

Com a emergência de temas relacionados à responsabilidade e voluntariado na teoria administrativa há trabalhos sendo comunicados que enfocam o desenvolvimento de habilidades sociais por empregados que se voluntariam. São escassos os estudos sobre a paradoxal relação sofrimento-prazer desta forma de trabalho em organizações de terceiro setor. Empregou-se a metodologia de história de vida (Becker, 1994) de oito voluntários de uma organização espírita de Belo Horizonte. Este estudo é parte do resultado de uma tese de doutoramento, que inclui uma análise da cultura organizacional e da dinâmica motivacional dos voluntários. As entrevistas foram gravadas e parcialmente transcritas, sendo analisadas com base no referencial teórico desenvolvido por Christophe Dejours. A satisfação foi analisada a partir de um modelo teórico desenvolvido com base na revisão longitudinal de três autores: Maslow, McClelland e Joseph Nuttin. Observou-se a existência de relatos de sofrimento e prazer pelos voluntários, além de outro fenômeno que foi identificado como desligamento do sofrimento psíquico exterior à esfera do trabalho na organização estudada (geralmente familiar ou profissional). Como mecanismos de defesa individuais e coletivos utilizados pelos voluntários observou-se o uso do humor, o afastamento temporário do trabalho voluntário, o uso de contrapartidas, evitar-se falar de eventos desagradáveis e a idealização do líder carismático. Como fonte de satisfação observou-se o estabelecimento de contatos pessoais com trocas afetivas prazerosas, a valorização da auto-imagem, aprendizagem social e realização de projetos e aspirações pessoais.

Introdução

Com a resignificação do trabalho voluntário nos anos 90 e a construção da ideia de um terceiro setor, especialmente nas ciências administrativas e sociais, surgiram estudos enfatizando a importância desta prática para o bem estar do trabalhador ou para o desenvolvimento de suas capacidades (SILVA, ANTUNES, 2002; SANTOS, CARRION, COSTA, 2002). Paradoxalmente, surgiu também uma corrente crítica, reduzindo o trabalho voluntário aos interesses pessoais e colocando em questão o altruísmo (SARAIVA, 2006).

Contudo, muitos dos defensores do bem-estar promovido pelo trabalho no terceiro setor o fazem com estudos pontuais de metodologia apriorística, instrumentalizando assim sua visão pessoal, e muitos dos críticos o fazem com base em argumentos apoiados em pressupostos macroeconômicos e macrossociais ou teórico-ideológicos, que caem como castelos de cartas se um de seus pilares é posto em questão.

No pensamento de Kardec (1995), a prática da caridade não se apóia na lógica da ação desinteressada. Embora os espíritos que dialogam com o codificador entendam que a "ação pelo bem do próximo, sem pensamento oculto" seja virtuosa (questão 893), eles também reconhecem que "o verdadeiro desinteresse é coisa ainda tão rara na Terra que, quando se patenteia todos o admiram como se fora um fenômeno" (questão 895).

Considerando esta polêmica, realizou-se um estudo em profundidade com metodologia qualitativa com voluntários de uma creche espírita de Belo Horizonte. Este estudo baseia-se uma tese de doutoramento defendida na Universidade de São Paulo (SAMPAIO, 2004). O que se investiga é a dinâmica psicológica de voluntários espíritas.



VÍDEO - entrevista e parte da palestra


Para assistir no Youtube: - https://youtu.be/RRzsLxzBpBM

 


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