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26/06/2019

 

 

Taxa de suicídio nos EUA atinge maior patamar desde a 2ª Guerra

Acesso facilitado a armas e aumento do consumo de drogas estão entre razões para o fenômeno

 

Por Marina Dias / Jornal Folha de São Paulo

 


Foto: Alissa Harrington, irmã do fuzileiro naval Justin Miller, que se matou em 2018, visita seu túmulo
- Jenn Ackerman - 13.dez.18/The Washington Post

 

Os casos de suicídio nos EUA vem registrando uma escalada desde 2006, e seu crescimento pode ser observado em todos os grupos da população americana: homens e mulheres de várias idades, raças e etnias.

Em termos absolutos, homens continuam se matando mais do que mulheres no país. Dificuldades econômicas, acesso a armas e a disseminação do uso de drogas opioides, como a heroína, estão entre os principais motivos para os números tragicamente históricos.

Apesar de ter havido aumento expressivo de suicídios de jovens e adultos entre 15 e 34 anos, os índices mais altos se concentram entre pessoas que têm de 45 a 64 anos.

Dos 36.782 homens que se mataram em 2017 nos EUA, por exemplo, cerca de 12,3 mil estavam dentro dessa faixa etária. Entre as 10.391 americanas que cometeram suicídio, aproximadamente 4.000 tinham de 45 a 64 anos.

 

Em termos relativos, a taxa de suicídio entre as mulheres aumentou 53% de 1999 a 2017, enquanto o índice para os homens subiu 26% no mesmo período.

Entre as mulheres, é possível notar aumento significativo nos suicídios entre meninas de 10 a 14 anos, jovens de 15 a 24 e entre as que se declaram americanas nativas —indígenas e descendentes. Nesse caso, o crescimento foi vertiginoso, de 139%, em relação a 1999.

Apesar de generalizado, o aumento das taxas de suicídio não foi igualmente acentuado em todos os grupos.

Aqueles que se identificam como nativos do Alasca ou indígenas tiveram o maior aumento da taxa de suicídio entre todos os grupos pesquisados há dois anos.

O índice sobe de maneira mais aguda quando se trata de mulheres, jovens e adultos de 15 a 44 anos. Os homens desse grupo viram um aumento de 71% na taxa de suicídio.

Esses americanos estão entre os mais pobres e com menor índice de escolaridade do país e, segundo especialistas, também são vítimas de alguns traumas históricos, como o alcoolismo entre indígenas, e da negligência do governo, o que pode ter transformado o suicídio em uma crise para esse nicho.

Além disso, mais da metade das mulheres deste grupo relata ter sofrido violência sexual.

A pesquisa do CDC tem limitações, uma vez que as divisões por grupos raciais e étnicos geralmente apresentam inconsistências, visto que as pessoas se declaram brancas, negras, hispânicas, indígenas, nativos do Alasca, asiáticos etc.


Há pelo menos uma década o suicídio figura entre uma das dez principais causas de morte nos EUA. Em 2016, tornou-se a segunda maior entre pessoas de 10 a 34 anos. Infarto, câncer, overdose de drogas, diabetes e pneumonia também fazem parte dessa lista.

O suicídio e o abuso de entorpecentes influíram em outro índice importante para os americanos: a expectativa de vida.

Em 2017, os EUA registraram cerca de 72 mil mortes por overdose, a maior parte delas pelo uso de opioides como heroína, fentanil, oxicodona, entre outros —o aumento registrado foi de 10% em relação a 2016.

Outro relatório do CDC, publicado no fim do ano passado, mostra que a média de vida dos americanos caiu pelo terceiro ano consecutivo. Em 2016, uma pessoa nos EUA vivia cerca de 78,6 anos, quando em 2015 esse número chegava a 78,8 —mulheres vivem mais (81,1 anos), enquanto homens chegam à casa dos 76,1 anos.

De 1999 a 2017 também aumentou a discrepância entre suicídios em áreas rurais e urbanas —há 18 anos, a diferença era de 1,4, passando para 1,8. A taxa de suicídio nas cidades subiu 16% ante 1999, enquanto nos centros mais afastados e, consequentemente mais pobres, aumentou 53%.

 

COMO AJUDAR QUEM PENSA EM SE SUICIDAR
O CVV (Centro de Valorização da Vida) dá apoio emocional e preventivo ao suicídio. Se você está em busca de ajuda, ligue para 188 (ligação gratuita) ou acesse o site.


 

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/06/taxa-de-suicidio-nos-eua-atinge-maior-patamar-desde-a-2a-guerra.shtml

 

 

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