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05/09/2018

 

 

 

Focalizando o Trabalhador Espírita - Ivan Rene Franzolim

 


Ivan Rene Franzolim

 

 

Ivan pode nos fazer sua apresentação pessoal?

Ismael, sou de 1952, natural da cidade de São Paulo, filho caçula de Mário Franzolim e Reny. Casei em 1977 com Ângela e tivemos dois filhos, Marco e Alexandre. Sou espírita pelo lado racional desde a pré-adolescência. Gostei logo de início das primeiras explicações que ouvi da minha mãe e continuo até hoje a apreciar muito a filosofia espírita. Palestrante, articulista, escritor e pesquisador espírita. Sou vegetariano há 35 anos para manter a coerência com minhas crenças e apaziguar meus sentimentos. Profissionalmente trabalhei na área de sistemas e de marketing no segmento financeiro. Depois da aposentadoria fiquei sócio de uma corretora de seguros. Sou formado em Administração de Empresas com especialização em Marketing de Serviços pela Fundação Getúlio Vargas e pós-graduado em Comunicação Social pela Cásper Líbero.

Como como você conheceu o Espiritismo e desde quando é espírita?

O espiritismo foi influência da minha mãe que conheceu o espiritismo antes de eu nascer. A primeira vez que minha mãe explicou alguns conceitos espíritas foi quando eu tinha 10 a 12 anos, aceitei com muita naturalidade. Li muito sobre espiritismo, espiritualismo, budismo, teosofia, rosacruz, astronomia, psicologia, hipnose e recebia em casa as monografias da rosacruz e a revista do Círculo Esotérico do Pensamento. Aos 14 anos fui internado no colégio católico Liceu Nossa Senhora Auxiliadora, em Campinas. Lembro de ter citado ideais espíritas e de ser chamado algumas vezes pelo padre conselheiro para discutir o espiritismo. Fiz o caminho inverso, primeiro estudei Ramatis e Chico Xavier, depois Kardec e posteriormente León Denis, Gabriel Delanne, Camille Flammarion, Ernesto Bozzano entre outros. Comecei a trabalhar em Centro na década de 1980 e no final dela já participava ativamente do movimento espírita.

Poderia nos fazer uma retrospectiva das atividades que você desenvolveu e desenvolve no movimento espírita?

Sempre gostei de estudar e pesquisar, mas fazia isso sozinho. Em um centro que trabalhei como esclarecedor, eu perguntava muito e o presidente não respondia as minhas inúmeras perguntas, se limitava a pedir que continuasse os estudos para criar uma base que permitiria uma compreensão melhor. Foi o que fiz até fazer as escolas do professor Rino Curti e acabar virando instrutor. Trabalhei como esclarecedor em reuniões de desobsessão e depois descobri que um grupo de jornalistas espíritas se reunia no Instituto de Laborterapia. Fui até lá e me integrei no grupo que contava com presenças como de Altamirando Carneiro, Júlia Nezu, Jorge Rizzini e Wilson Garcia. Depois, escrevi muitos artigos, alguns livros, fiz muitas palestras, cursos e seminários.

Dentre elas quais a que você mais destacaria?

Colaborador e Assessor da USE – União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo em várias gestões.

Diretor fundador da ADE-SP Associação dos Divulgadores do Espiritismo de São Paulo (1989) e presidente em várias gestões.

Fundador em 1997 do Programa Ação 2000 - A Visão da Notícia na Rádio Boa Nova, que analisa as notícias e seu relacionamento com a Doutrina Espírita, ativo até hoje.

Fui consultor para a implantação do processo de planejamento estratégico na USE, Aliança Espírita Evangélica e Núcleo Espírita Segue a Jesus. Fui coaching de um programa estratégico da FEEES – Federação Espírita do Estado do Espírito Santo.

Autor da Pesquisa Nacional para Espíritas, realizada anualmente desde 2015 com o objetivo de conhecer o modo de pensar, de se comportar dos espíritas e sua relação com as instituições.

Como aconteceu seu interesse em escrever?

Desde que fui destacado nas redações do ginásio e nos concursos de poesias da rádio Cacique de Santos. Acreditei que tinha alguma habilidade. No movimento espírita eu me aproximei de jornalistas e escritores. Depois recebi uma indicação do Chico Xavier, pelo seu irmão André Luiz, me incentivando a escrever. Desde então escrevo artigos e publiquei os seguintes livros:

Como Escrever para a Imprensa Espírita. Edições USE. 1992.

Como Melhorar sua Comunicação. EME Editora. 1994.

Como Administrar Melhor o Centro Espírita. Edições USE. 1996.

Como Escrever Melhor e Obter Bons Resultados. Madras. 2004.

Análise do Mercado Editorial Espírita. Mythos Books. 2008

Organização de Eventos para o Terceiro Setor. Mythos Books. 2008

Comunicação e Discernimento. EME Editora. 2012

 

Poderia nos detalhar mais amiúde a motivação para as pesquisas que você tem produzido acerca do nosso Movimento?

A partir da minha experiência com planejamento estratégico tive oportunidade de aplicar pesquisas em várias instituições, sempre com muito êxito e revelando aspectos desconhecidos e outros não quantificados.

Quais as que já foram colocadas à disposição dos espíritas, dos dirigentes e do público em geral?

Em 2014 tive a ideia de pesquisar como pensam e se comportam os espíritas. Lancei em 2015, pelas redes sociais, a primeira edição da Pesquisa para Espíritas. Anualmente refaço a pesquisa com novas questões e público os resultados em meu blog para acesso de todos. Pesquiso também sobre a mediunidade de efeitos físicos no Brasil e já tenho catalogado 135 médiuns que utilizam ou utilizaram o ectoplasma para os fenômenos que produzem.

Como você avalia os resultados conhecidos?

Os resultados da Pesquisa para Espíritas permitem uma visão mais clara da realidade do movimento espírita. Eles constituem indicadores para a gestão das casas espíritas e das ações de comunicação do movimento. Deveriam ser estudados em cada casa espírita para identificar oportunidades de melhoria.

E os próximos passos nesse trabalho?

Continuar com essa pesquisa nos próximos anos e criar uma outra com a finalidade de estudar as crenças espiritualistas dos brasileiros com e sem religião, buscando elementos para compreender melhor as crenças dos espíritas. Este ano estou tentando atualizar o trabalho sobre os livros espíritas, mas tenho encontrado muita resistência de editoras e distribuidoras de fornecerem dados, como acontece com os principais segmentos do mercado.

Pessoalmente como enxerga o nosso movimento espírita da atualidade?

Os dirigentes espíritas possuem elevada escolaridade e ótimo potencial para desenvolverem excelente gestão de suas casas. Alguns estão fazendo, mas creio que a maioria esbarra em crenças e hábitos culturais espíritas que limitam essa ação. Ainda estamos formando espíritas para serem deslumbrados com a espiritualidade, a aceitarem tudo e não desenvolverem raciocínio crítico. Ainda buscamos líderes para nos liderarem em vez de cada um fazer a sua parte. Poucos espíritas demonstram perceber o potencial das ideias espíritas para transformar o mundo para melhor. A época dos grandes líderes já passou e nós nos acostumamos a deixar parte da nossa responsabilidade com eles.

Apontaria alguns pontos que precisam ser melhorados?

Precisamos rever todos os nossos serviços, formas de atendimento, cursos, gestão e, principalmente da comunicação. Buscar soluções atuais e criativas que encantem as pessoas, sem se afastar da necessária fidelidade ao conhecimento espírita.

Como tem visto a utilização dos meios de comunicação na divulgação da Doutrina Espírita?

A internet facilita muito comunicar mensagens espíritas. Isso é muito bom desde que bem utilizado. Veja, por exemplo boa parte dos grupos espíritas nas redes sociais. As pessoas, agora com acesso à comunicação publicam coisas que mais parecem católicas, do que espíritas, tanto no texto como nas imagens. Quando se colocam temas mais complexos ou que necessitam de maior profundidade na abordagem, as pessoas se desinteressam. Por outro lado, as postagens mais emocionais e religiosas são aquelas que mais curtidas e comentários recebem, pois não pedem para pensar.

Acha que os espíritas estão aproveitando bem as diversas mídias no trabalho de divulgação do Espiritismo?

Não! Utilizamos muito pouco os recursos oferecidos pelas redes sociais, principalmente de modo planejado, organizado com objetivos e metas a serem perseguidos. Temos poucos sites e portais bem estruturados e com bons serviços. Ainda engatinhamos no desenvolvimento de aplicativos espíritas com boas funcionalidades. Ainda persistimos manter uma linguagem, imagens, designs e diagramações não atuais e pouco atraentes para os jovens, justamente o público que temos maior necessidade.

Quais as perspectivas futuras nesse processo de divulgação? Você tem percepção desse futuro em termos de novas tecnologias?

O futuro da tecnologia mostra a tendência de autosserviços com PLICAÇÕES deMachine Learning (campo da inteligência artificial), mas ainda temos de usar bem o que já está disponível, como as possibilidades de criação de portais potentes na internet, da computação em nuvem, bancos de dados interligados. Produção de conteúdos bem estruturados e fundamentados, com novos enfoques e originalidade. Interações com grupos de estudos, cursos à distância, incentivo à pesquisa, desenvolvimento de teses, críticas construtivas de livros e artigos de opinião.

Acredita que essa evolução tecnológica poderia levar os adeptos e simpatizantes a permanecerem em casa renunciando à presença física na Casa Espírita?

O público é heterogêneo, tem necessidades diferentes e passam por momentos distintos. Ter a possibilidade de relacionamento virtual pode ajudar a conseguirem um contato presencial mais à frente. Não é o ideal, mas é uma alternativa que pode aproximar muitas pessoas ao espiritismo.

Algo mais que queira acrescentar?

Quero deixar a mensagem que o espírita deve sempre procurar oportunidade para aprofundar o conhecimento da doutrina, sempre reler as obras básicas, analisar as afirmações de outras obras espíritas, comparar com a codificação e ler sobre tudo. Mais ainda, sempre procurar ser útil ao movimento espírita, compreender que tem o seu papel a desempenhar. Compartilhar suas ideias com pessoas mais próximas, no sentido de melhorá-las. Aceitar críticas e fazer reparos. Depois buscar sua realização na instituição que participa, sempre levando em conta o benefício de todos os envolvidos.

Suas despedidas aos nossos leitores.

Essas entrevistas são muito relevantes para conhecermos tanta gente esforçada que procura fazer um bom trabalho. Isso gera um impulso motivacional que contagia positivamente. Fiquei muito lisonjeado por poder compartilhar minhas informações e pensamentos.



Ivan Rene Franzolim. Estúdio da Rádio Boa Nova

 


Programa Ação 2000. Ivan Rene Franzolim no alto à esquerda.

 

 

 

 

Fonte: http://www.noticiasespiritas.com.br/2018/SETEMBRO/05-09-2018.htm

 

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