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31/03/2017

 

Divaldo no 1° Encontro Fraternidade Sem Fronteiras

por Djair de Souza Ribeiro
fotos: Sandra Patrocínio

 

O Espaço Guanabara, na cidade de Campinas-SP, recebeu cerca de 600 participantes do 1° Encontro Fraternidade Sem Fronteiras – com o tema “Um só Povo, um só Coração” – evento organizado pela ONG Fraternidade sem Fronteiras, uma organização sem fins lucrativos, que apesar de brasileira, tem a atenção voltada para as regiões mais pobres do mundo.

 

Focando - desde 2009 - na implantação de Centros de Acolhimento em locais onde a fome, a miséria e o desamparo vitimam diariamente inocentes, com destaque por Moçambique, na África, onde o número de órfãos da AIDS não para de crescer, e que obrigam as crianças – na ausência dos pais - a assumirem a responsabilidade de cuidar dos irmãos mais novos, perdendo os direitos mais básicos das crianças: Educação, alimentação, as brincadeiras e os cuidados médicos.

O evento foi aberto pelas palavras de Divaldo Franco que emocionou a todos com a narrativa comovente da vida de Albert Schweitzer (1875 — 1965) teólogo, músico, filósofo e médico alemão, nascido na Alsácia, então parte do Império Alemão que abandonou a vida confortável e de muita fama que usufruía por toda a Europa por ser um dos melhores intérpretes de Bach, além de prestigioso pastor em sua Igreja e professor Universitário.

Abandonou toda essa invejável posição social e dirigiu-se para as colônias francesas na África para atender os nativos que, abandonados à própria sorte, lutavam para manter a vida. Mas para tanto, frequentou a Faculdade de Medicina, tornando-se médico exclusivamente para essa tarefa.

Com a esposa viajou para o Gabão para um local chamado Lambarèné onde cuidava de mais de 40 doentes por dia e paralelamente ao serviço médico, ensinava o Evangelho com uma linguagem apropriada, dando exemplos tirados da natureza sobre a necessidade de agirem em beneficio do próximo.

Por essa atitude altruísta Albert Schweitzer recebeu, em 1952, o Prêmio Nobel da Paz. Homenagem idêntica com a qual foi laureada Madre Teresa de Calcutá em 1979 igualmente por dedicar sua vida em auxiliar o próximo.

Posteriormente Divaldo cita a comovente história de Ananda relatada - em toda sua emoção e detalhes – no livro de Dominique Lapierre (1931), Muito Além do Amor.

Ananda, jovem hindu Pária (classe social inferior), que aos 13 anos foi expulsa de casa por manifestar a Hanseníase. Abandonada foi sequestrada violentada sexualmente e colocada em um prostibulo até o momento em que as feridas da Lepra tornaram-se evidentes resultando na sua expulsão daquele antro.

Uma vez mais abandonada e quase morta de fome foi acolhida por Madre Teresa de Calcutá que não só lhe salvou a vida física tratando-a da moléstia e alimentando-a como também, e principalmente, devolvendo-lhe a dignidade e a vontade de ser útil a seu próximo e inundada de felicidade adotou o Cristianismo passando a integrar a congregação religiosa das Missionárias da Caridade, ordem fundada por Madre Teresa.

Eclodia em todas as partes do Mundo o surto de AIDS fazendo-se acompanhar de terrível preconceito em virtude da ausência de tratamento e cura, o que relegava os aidéticos ao mais completo abandono.

Madre Teresa, fazendo-se acompanhar de outras 10 irmãs da Ordem – incluindo Ananda – que iniciaram, em Nova York, a assistência aos desvalidos, incluindo alguns prisioneiros homicidas e condenados à pena de morte

Um dos condenados afeiçoou-se por Ananda e ela esquivou-se. Um dia ele disse-lhe que era rejeitado por ser aidético. Ela lhe respondeu, tranquila, que não se tratava disso, mas porque era casada com Jesus, e afirmou:

— Perco a vida, mas não trairei Jesus.

O criminoso, tomado de um ódio covarde aplicou em Ananda , quando ela estava atendendo outro paciente, sangue retirado do próprio corpo que iria contaminá-la.

Ela sorriu para ele e afirmou sem medo, nem ódio ou raiva:

— Seja feita á vontade de Jesus - e seguiu naturalmente com as suas tarefas.

O condenado morreu poucas semanas depois. Ananda prosseguiu sua missão e nunca desenvolveu a doença.

A atmosfera emocional e espiritual do local onde se realiza a conferência atinge seu ponto culminante. Corações enternecidos pelas narrativas de exemplos vivos de que é possível – quando assim se deseja – atender ao apelo de Jesus, Mestre e Guia de todos nós: — Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros. (João 13:34).

Divaldo dirigindo-se a todos observa que a (ONG) Fraternidade Sem Fronteiras é um braço de Jesus que busca levar o socorro e o amparo a tantos sofredores nas terras distantes de Moçambique e Madagascar por intermédio de jovens sonhadores que por através de ações direcionadas ao bem buscam transformar amargura em sorrisos, cantando o hino da Solidariedade, atendendo ao convite exarado pelo Mestre Jesus: — Vinde a mim todos vós que estais sobrecarregados e aflitos e eu os aliviarei. (Mateus 11:28).

Com o olhar severo, mas com o coração a transbordar amor em suas palavras, Divaldo enfatiza que nessa hora tão dura para toda a Humanidade, silenciemos nossas queixas e busquemos ser Anandas ou como os integrantes da Fraternidade Sem Fronteiras e aproveitemos a oportunidade que Jesus nos oferece — Aquele que crê em mim também fará as obras que faço. (João 14:12).

 

Fonte: http://www.noticiasespiritas.com.br/2017/MARCO/28-03-2017.htm

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Divaldo Franco - Encerramento do 1º Encontro Fraternidade Sem Fronteiras - 26/03/2017

Manhã de domingo, ensolarada e convidando ao lazer ou ao “dolce far niente”. Enquanto muitos ainda deixam se envolver pela natural “depressão domingueira” por vislumbrarem a segunda-feira que se aproxima, uma multidão alegre e bem disposta vai buscando acomodar-se no Espaço Guanabara, em Campinas-SP, para o derradeiro dia do I Encontro da Fraternidade Sem Fronteiras.

A emoção incontida, transborda dos corações luarizados pelas mensagens do dia anterior que mobilizou palestrantes de diversas religiões e atividades profissionais. Não obstante essa multiplicidade de correntes de pensamentos uma característica comum sobressaia: a dedicação em servir ao próximo e a prática da caridade abnegada e desinteressada.

Depoimentos de voluntários que estiveram nos locais devastados pela fome, miséria – social e econômica – e o desamparo oficial tocaram o coração de muitos.

As narrativas das cenas de penúria e fome chocaram os corações mais indiferentes. Todavia a mensagem de esperança falou mais alto, quando foram mostradas imagens das crianças – agora – alimentadas e assistidas.

Entre a miríade de dados e estatísticas divulgados pelos ocupantes que se revezaram na tribuna, a informação mais desconcertante e impactante foi fornecida por Divaldo: Enquanto – nas sociedades mais desenvolvidas economicamente – 40% da população sofre de obesidade, a FAO (Organização das Nações Unida para a Alimentação e Agricultura) alerta que nos próximos 10 anos cerca de 80.000.000 milhões de criaturas humanas morrerão à fome em todo o Planeta. Chocante e estarrecedor para uma Humanidade que conquistou o Cosmo e desvendou os segredos da matéria e das partículas subatômicas.

O primeiro dia terminara. Nas mentes uma certeza: Todos nós podemos e devemos participar da solução desse grave problema que envergonha a raça humana.

Foi nesse clima de expectação, emotividade e uma psicosfera espiritual sublime que teve início o segundo dia do Encontro.

Para encerrar Divaldo assumiu a tribuna para desenvolver o tema “O Papel da Fraternidade na Transição Planetária”.

Divaldo Franco inicia sua conferência abordando as diversas barreiras para a real fraternidade entre os povos é o idioma e relembra a trajetória de Ludwik Lejzer Zamenhof (1859 — 1917) - oftalmologista e filólogo polonês – motivado por quebrar uma das grandes barreiras para a comunhão universal – a barreira da comunicação, devido às diversidades dos idiomas – dedicou-se a idealizar e criar um idioma Global: o Esperanto, a língua artificial mais falada e bem sucedida no mundo.

Em seguida Divaldo fala-nos do escritor russo Leon Tolstoi (1828 — 1910) um dos grandes nomes da literatura russa do século XIX e que publicou os romances Guerra e Paz e Anna Karenina obras que o consagraram no meio literário mundial, mas que não conseguia, contudo preencher o vazio que ele sentia e em um gesto inesperado, abdicou de seus títulos e passou a viver de forma simples junto dos agricultores de sua antiga propriedade, levando uma existência simples e em proximidade à natureza, pois buscava o Reino de Deus e Sua justiça.

Dessa experiência transcendental publicou em 1.894 aquela que lhe seria a grande obra de não ficção de Tolstói: O Reino de Deus Está em Vós, obra em que Tolstói defende a ideia de que o cristianismo não é uma doutrina abstrata, mas uma proposta prática para a vida.

O livro gerou tanta polêmica que foi proibido pelo czar da Russia, e seu autor excomungado pela Igreja Ortodoxa Russa e por essa razão foi publicado pela primeira vez na Alemanha, pois fora banido em seu país de origem, a Rússia.

Anos mais tarde esse livro foi lido por um indiano radicado na África do Sul e que pela cor da sua pele sofria ignominiosa descriminação. Advogado por formação acadêmica, professando o hinduísmo, esse jovem encontrou a motivação para seguir sua missão.

Era Mohandas Karamchand Gandhi (1869—1948) que deixou a África do Sul e voltou para a, então, colônia inglesa da Índia, onde se tornou, mais conhecido como Mahatma (A Grande Alma) Gandhi e, pacificamente, libertou o povo da subjugação inglesa, utilizando-se da “Satyagraha” a política da Não-Violência.

E o livro que inspirou Gandhi caiu, anos mais tarde, nas mãos do americano Martin Luther King Junior (1929—1968) um pastor protestante que se tornou um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, e no mundo, com uma campanha de não violência e de amor ao próximo.

Em comum entre ambos o fato de terem sido covardemente assassinados. Morreram, mas não os seus ideais e sonhos as quais lograram libertar mais de 1 bilhão de almas da violência da falta de liberdade.

Seguindo com o tema Divaldo aborda a questão da Guerra – a face mais visível do egoísmo e da crueldade humana – emocionando a todos com a narrativa do Rabino Samuel que no ano de 1930 morava próximo a um jovem alemão. Diariamente o Rabino quando passava próximo à residência do jovem germânico cumprimentava-o gentilmente:

Guten Morgen, Her Müller (Em alemão – Bom Dia, Sr. Müller)

O jovem orgulhoso e arrogante mostrava-se indiferente à cordialidade do religioso judeu e jamais retribuirá o cumprimento.

Essa cena repetiu-se centenas de vezes, até a eclosão da 2ª Guerra Mundial e a adoção da política de Hitler de extermínio dos Judeus.

Em uma manhã gelada do inverno europeu, um fila enorme é organizada em um campo de concentração. À frente da fila um oficial das temidas tropas SS nazista segurando nas mãos um rebenque examinava a cada um dos prisioneiros e determinava seu destino.

Se o rebenque fosse apontado para a esquerda o prisioneiro era arrastado às câmaras de gás e assassinado. Caso o rebenque apontasse para a direita o prisioneiro era levado para as cabanas e permanecia vivo – até a próxima vistoria.

A fila seguia sua cadência trágica - Esquerda: Morte. Direita: Vida - até que postou-se diante do oficial um senhor alquebrado pelos sofrimentos e em um gesto audacioso ousou dirigir a palavra ao comandante nazisya:

Guten Morgen, Her Müller.

O soldado, que trazia afivelada ao rosto a máscara da indiferença, estremeceu ao reconhecer a voz de seu antigo vizinho e diante daqueles olhos humildes que o fitavam, apontou o rebenque para a direita. Vida!

Finda a Guerra o rabino Samuel foi convidado a testemunhar as atrocidades e participar do julgamento de vários dos carrascos nazistas que não lograram fugir ou suicidar-se.

Diante de Herr. Müller – agora prisioneiro de Guerra – o rabino voltou a cumprimenta-lo: — Guten Morgen, Her Müller – e respondendo ao juiz que lhe indagara sobre o réu, o antigo prisioneiro dos campos de extermínio reconheceu que aquele jovem à sua frente havia-o salvado.

Ao sair do tribunal – que o condenara - o ex-soldado nazista deteve-se diante do Rabino e lhe sussurrou:

Vielen Danke, Herr Rabino (Em alemão – Muito obrigado, Sr. Rabino).

Guerras. Conforme o pesquisador Kenneth Boudling (1910-1993), em o livro Paz Estável, nos últimos 3.500 anos de registros históricos, o mundo só teve 268 sem guerras. Somente nas guerras do século XX morreram 98.000.000 de seres humanos. O pior dessa estatística é que a maioria das guerras ocorreu por motivos religiosos. Hipocritamete alegando amar a Deus mas odiando ao seu irmão.

São chegados os momentos da Transição Moral da Humanidade. Ocasião em que o joio – a erva daninha – será separado do trigo.

Para tanto, os candidatos ao “Trigo de Deus” deverão derrubar as fronteiras – não somente as fronteiras geográficas , mas principalmente aquelas que erigimos - por trás das quais nos ocultamos e que nos impedem de ver ao nosso próximo que do outro lado dessa barreira de indiferença clama por socorro, físico ou moral.

Muitos se perguntam quando dar-se-á a Transição Planetária?

Divaldo silencia por uns poucos segundos e como que olhando para cada um de nós, adverte com a severidade assertiva de quem dedicou a vida ao próximo:

— Este dia chegará, quando aprendermos a estender as mãos ao nosso próximo e sem fronteiras de nenhuma espécie chama-lo de irmão. A verdadeira fraternidade.

No exato instante em que a conferência aproximava-se do final uma falha na rede elétrica emudeceu os microfones, mas que foi incapaz de silenciar Divaldo Franco.

Em meio a um silêncio completo Divaldo ergueu sua voz poderosa e convidou-nos a todos a seguirmos os passos desses valorosos trabalhadores do bem da Fraternidade Sem Fronteiras, lembrando-nos a todos com ênfase:

— Agora é o teu momento de fazer algo pelos que choram e pedem amparo. Compaixão e não piedade!

Olhos nublados de lágrimas emolduravam a maioria das fisionomias. Nas mentes a certeza de que podemos fazer a diferença e tornar o Mundo melhor. Silenciar nossas queixas e agirmos de conformidade com a lição imorredoura de Jesus e registrado pelo evangelista Mateus no capítulo 25 do versículo 31 ao 46:

Quando o Filho do homem vier em sua glória, reunirá todas as nações diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.

Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita:

— Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram.

Então os justos lhe responderão:

— Mas Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?

O Rei responderá:

— Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram.

Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda:

— Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram.

Eles também responderão:

— Mas Senhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos?

Ele responderá:

— Digo-lhes a verdade: o que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo.

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO

Fonte: http://www.noticiasespiritas.com.br/2017/MARCO/29-03-2017.htm

 

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