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22/10/2016

 

Passado: patrimônio precioso

Preservar a memória espírita é essencial, mas são muitos os desafios a serem superados

por Martha Rios Guimarães
revista O Consolador


 

Em uma tarde chuvosa e fria na cidade de São Paulo, dirigentes de instituições espíritas da capital e região estiveram presentes ao “Diálogo da USE Regional São Paulo”, cujo tema proposto para a ocasião foi “Preservando a Memória Espírita”. Trata-se de uma iniciativa que tem por objetivo promover discussões sobre assuntos relevantes para os que estão na liderança espírita, tornando o ambiente de reunião mais produtivo e dinâmico.

Sob o comando de Jeferson Betarello (Mestre em Ciências da Religião, pela PUC/SP, pesquisador, escritor e membro do departamento de orientação doutrinária da Regional SP), o debate foi aberto com a constatação de que “o registro de acontecimentos importantes na história do Espiritismo é essencial para entendermos a nossa trajetória através do tempo, quais os obstáculos enfrentados e a decisões tomadas”, conforme afirmou Betarello.

Para tanto são muitas as fontes que podemos utilizar para a coleta de informações passadas, assim como para registro da história que nós próprios estamos produzindo. Entre elas podemos destacar: atas de reuniões, fotos, banners, convites, folders, livros, jornais, revistas, sites, vídeos, entrevistas.

 

Luzi Caccacci, integrante da USE Distrital Brás, uma das mais antigas do estado paulista, lembrou a responsabilidade de quem redige a ata: “é preciso ter consciência de que a ata é um documento e, como tal, deve retratar fielmente o que foi discutido nas reuniões”. A partir dessa colocação, outras pessoas presentes frisaram a importância de uma ata bem redigida, com conteúdo condizente com o que foi tratado, mas lembraram que os demais dirigentes, que leem o documento, também são responsáveis para que ela exprima a verdade da reunião, devendo avisar o redator sobre eventuais correções a serem feitas.

Os desafios do registro de memória

As fotos também foram motivo de amplo debate, uma vez que muitas delas foram guardadas sem legendas que informem qual o acontecimento, a data e o local em que ocorreu, quais as pessoas na foto (nome, função, instituição, etc.). Tais dados devem constar no verso das fotografias, escritas sobre uma etiqueta autocolante, evitando marcar a foto – as fotos digitais não dispensam esses mesmos cuidados. Memórias pessoais também são fonte muito ricas de informações, porém nem sempre são devidamente registradas. “Muitos companheiros, pela participação e pelo tempo de dedicação às instituições, são fonte de conhecimento precioso. Precisamos entrevistá-los, registrar suas memórias para a posteridade, antes que elas se percam”, lembra Jeferson.

Em tempos de tecnologia também precisamos ficar atentos quanto à obtenção e registro de fontes. Muitas publicações atualmente encontram-se apenas no meio digital, o que é bastante positivo, desde que haja o cuidado de guardarmos e catalogarmos o material, facilitando a busca em eventuais pesquisas futuras. Dependendo da importância e da disponibilidade, pode-se manter um acervo de papel para pesquisa de quem não possui acesso digital (muito raro, mas não impossível de ocorrer).

Todos foram unânimes em afirmar que preservar a história é essencial, porém há muitos desafios a serem superados. O primeiro deles é cultural e não é exclusivo do meio espírita: no geral, o brasileiro não tem o hábito de preservar sua memória e costuma desprezar o que é considerado “velho”.

Faz-se necessário, portanto, sensibilizar os dirigentes espíritas quanto à importância da preservação histórica e instituir responsáveis para essa tarefa, preparando-os adequadamente para o bom desempenho da função. A fase seguinte é a busca de materiais que poderão fazer parte do acervo (incluindo a memória oral), identificação de cada item coletado e considerado importante para o centro de memória e classificação (interesse geral, interesse restrito, interesse para pesquisadores, etc.). Por fim, vem o armazenamento correto e seguro do acervo (essencial para preservação) e a divulgação de conteúdo – tanto para o público da própria instituição, quanto para o público externo.

 

Exemplos que merecem ser divulgados

Jeferson Betarello destacou que os cuidados com a preservação da memória espírita é algo relativamente novo, mas citou alguns exemplos que considera importantes.

O primeiro deles são as secretarias das instituições espíritas, onde são armazenadas atas, estatutos, periódicos e outros materiais que constituem a memória do local e do meio espírita. Bibliotecas Espíritas também podem ser espaços interessantes e, entre elas, destacou a Biblioteca Espírita Fonte de Luz, da USE São Paulo, comandada há 16 anos por Etevaldo Souza (com apoio de uma equipe de voluntários), onde é possível encontrar obras raras.

Um dos maiores locais destinados à memória do Espiritismo é o Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo Eduardo Carvalho de Monteiro, na zona sul de São Paulo. Iniciado com o acervo do pesquisador espírita Eduardo Carvalho, o CCDPE costuma receber materiais de doadores diversos, inclusive de outros estados, o que vem consolidando-o como um dos maiores espaços históricos da Doutrina Espírita.

O Museu Espírita da Lapa, na zona oeste, é outro local destinado à cultura espírita e conta com obras raras, jornais, revistas, entre outros. Finalizando os exemplos, foi citada a Galeria Espírita Vasículo Gomes, do Centro Espírita Gabriel Ferreira (zona norte da capital), com um acervo que inclui livros raros, réplica da mesa pé de galo e da prancheta de bico (ambas usadas no início da Codificação), fotografias, biografias dos participantes da instituição, móveis e outros itens.

Ao final do diálogo todos perceberam que há muito a ser feito para a preservação da memória espírita. Nesse sentido, a Regional São Paulo criou o projeto “Memórias” e vem coletando informações das instituições da capital e região, incluindo entrevista com lideranças mais antigas. Um dos maiores destaques, sem dúvida alguma, fica por conta da digitalização de todas as edições do jornal Unificação, criado no final dos anos 40 para ser o órgão oficial da USE.

 


Participantes da Oficina

Esse rico material histórico, em breve, estará à disposição de todos através do site da Regional São Paulo.

 

 

Fonte: http://www.oconsolador.com.br/ano10/487/especial2.html

 

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