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>  “Tabu do século”: Pesquisador alemão debate a ciência da religiosidade humana


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10/09/2016

 

Aquele que teve uma experiência tem conhecimento infalível” — foi com a frase do filósofo medieval João Escoto Erígena que o professor e psicólogo alemão Harald Walach iniciou sua conferência nesta última segunda-feira, dia 29/08/2016.

Diretor do Instituto de Estudos Transculturais em Saúde e professor de Metodologia de Pesquisa da Universidade Europeia Viadrina, localizada na Alemanha, Walach é o convidado internacional da programação do VII Ciclo de Conferências Internacionais em Ciência e Espiritualidade da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).


Fundador do Nupes, Alexander Moreira-Almeida,
ao lado do convidado internacional para conferências na UFJF,
o pesquisador alemão Harald Walach (Foto: Alexandre Dornelas)

 

Paralelos entre experiências científicas e espirituais

Walach comparou o tratamento recebido pela religiosidade com a forma que a sexualidade era vista há décadas atrás.

“Ambos aspectos são inerentes a nós, seres humanos. Ainda que tenham sido registradas ao longo da nossa história, em diferentes momentos culturais da humanidade, as experiências religiosas são associadas a conceitos como os de arcaico e obsoleto.”

Para explicar essas associações, o pesquisador relembra os adventos do Iluminismo, movimento intelectual que trouxe a racionalidade e a ciência para o centro do pensamento filosófico durante o século 18, considerado, historicamente, como o “século das luzes”.

“A concepção de erudição e pensamentos críticos batia de frente com as instituições religiosas da época, o que acabou associando o pensamento espiritual a dogmas religiosos e os rivalizou ao que foi estabelecido como fonte de conhecimento.”

Ao comparar descrições de revelações científicas e religiosas, no entanto, o pesquisador traça um paralelo.

“Até o conceito de ‘iluminação’ é utilizado nos dois campos para relatar como algo ficou claro e inundou alguém de conhecimento, seja esta pessoa um cientista ou um religioso. O que descrevemos como ‘intuição’ também se assemelha. Como detetives, trabalhamos na verificação daquilo que somos capazes de sentir e perceber.”

Porém, o processo de verificação é um obstáculo.

“Ainda é preciso identificar os aspectos das revelações religiosas, o que é algo difícil, uma vez que são baseadas em experiências internas e pessoais, ao contrário das revelações científicas, cujo objeto pode ser demonstrado externamente.”

 

Soluções

Segundo Walach, para avançarmos na análise da espiritualidade humana, o dogma materialista precisa ser questionado, especialmente o que diz respeito à investigação teórica do ser como um ente consciente.

“Precisamos de uma solução viável e não reducionista sobre a relação entre o corpo e a mente humana. Temos que trabalhar a questão da epistemologia das experiências internas, ou seja, precisamos documentar mais a respeito das mesmas, avaliá-las cognitivamente, para um estudo mais amplo e completo de seus impactos na espiritualidade, seus paradigmas e a relação com contextos históricos, sociais e culturais.”

Walach ainda chamou à atenção para perigos da exclusão e da associação dos tópicos espirituais como algo menor ou menos importante do que demais componentes da nossa sociedade, como o extremismo e o fanatismo religioso.

“A espiritualidade é um tópico digno e viável de ser analisado cientificamente”, assegura o pesquisador.

“É fonte de significados e valores em nossa sociedade, além de as experiências internas ainda poderem complementar a abordagem das ciências naturais a respeito das experiências externas em nosso mundo.”

 

Nupes: “Fruto da fé na ciência”

O professor da Faculdade de Medicina da UFJF e fundador do Nupes, Alexander Moreira-Almeida, abriu a conferência relembrando os dez anos do grupo e reafirmando o compromisso de trazer retorno e conhecimento à população, tanto a científica quanto toda a sociedade, e se configurar com produções científicas de renome nacional e internacional. “O Núcleo é fruto da fé. Da fé na Universidade, na ciência, nos pesquisadores e no vencimento de obstáculos. E é assim que vamos prosseguir.”



Fonte: http://www.ufjf.br/noticias/2016/08/30/tabu-do-seculo-pesquisador-alemao-debate-a-ciencia-da-religiosidade-humana/

 

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