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05/06/2015

 

O ESPIRITISMO NO JAPÃO



Parque Abana Achi Ken - Túnel de flores e luzes


Adriano Marques, conhecido na mídia como o mochileiro, fez recentemente uma extensa visita para o Japão, fazendo estudos pelo movimento deste país. O Professor Jáder Sampaio, editor do blog Espiritismo Comentado conversou com ele sobre suas impressões e experiências no outro lado do mundo, e ele nos acolheu de forma atenciosa, jovial e pronta.

Além do Programa Roteiro, da Rádio Boa Nova, ele coordena a Mocidade Espírita Eurípedes Barsanulfo no Centro Espírita Wantuil de Freitas - São Paulo.


EC
– Adriano, você esteve recentemente visitando o movimento espírita japonês. Quantas horas de viagem de São Paulo até Tóquio?
Mochileiro
– Jáder, são 30 horas de vôo sendo 14 até Abu Dhabi e depois mais 12 até o Japão com mais ou menos 3 a 4 horas de espera entre um vôo e outro.

EC – Suas palestras foram traduzidas para o japonês?
Mochileiro - Não tivemos essa alegria e necessidade, até porque são poucos os Japoneses que frequentam ou conhecem o espiritismo. Porém, nessa segunda vez que estivemos no Japão, mais japoneses estiveram em nossas palestras e os acompanhantes, geralmente esposa ou marido, traduziam ao longo da palestra os pontos principais.


Cidade de Suzuka-shi - Província Mie Ken - Grupo de Estudos Espíritas Amigos da Luz

EC – Nas grandes cidades japonesas os imóveis são muito caros e geralmente menores que os que temos no Brasil. Qual é o tamanho dos centros espíritas que você visitou? Há muitos anos li no GEAE que havia um grupo no qual as pessoas se reuniam em uma pequena sala e parte dos assistentes ficava em um van, na rua, acompanhando por meios eletrônicos a reunião.
Mochileiro - Não tenho essa informação sobre a van, mas, por exemplo, o grupo de orações na cidade de Honjo, na província/estado de Saitama durante 2 anos se reuniu dentro de um automóvel pequeno para fazer evangelho no lar nas ruas na cidade. Em média, as casas são pequenas e os grupos se reúnem em reuniões de 10 a 20 pessoas, exceto alguns grupos que chegam a 40 60 pessoas, como em Honjo, Toki e Kakegawa.

Para se ter uma ideia, Ginza, um bairro de Tokyo, é o metro quadrado mais caro do mundo. Com isso imaginamos qual o valor de um imóvel em Tokyo. Porém, a maioria das casas espiritas estão situadas em casas de presidentes ou de fundadores do grupo, ou em espaços alugados da prefeitura onde se pagam por hora, uma média de mil yenes, o equivalente a 25 reais por 3 horas de uso, aos sábados ou domingos. Outros grupos possuem sede própria e outros ainda dividem o espaço físico com casas de umbanda.

EC – O movimento espírita no Japão é nipo-brasileiro ou apenas de brasileiros que foram trabalhar por lá?
Mochileiro - Se compreendi bem sua pergunta, o movimento espirita no Japão é feito por brasileiros para brasileiros, sendo descendentes ou não.


Grupo de Orações Cidade Honro Shi - Província Saitama Ken


EC – A sociedade japonesa recebe bem os núcleos espíritas?
Mochileiro - Não há divergência, até porque o movimento espirita todo é realizado na língua portuguesa. Então até para que os japoneses não recebam bem, terão que compreender o que está sendo feito. Devido ao incidente há alguns atrás, da seita que matou centenas de pessoas no metrô de Tokyo, o governo proibiu a regulamentação de novas seitas religiões etc. Com isso o espiritismo não é visto pelos japoneses como uma religião.

EC – Como podemos apoiar o movimento japonês?
Mochileiro - Primeiramente, com prece, orações e buscar ajudá-los à medida que os pedidos dos grupos forem sendo realizados. A nossa ida até o Japão demorou 6 anos, devido aos grupos fechados, desconfiança etc., pois, infelizmente, muitas pessoas ao longo dos anos tentaram se aproximar somente para obter vantagens chegando ao ponto de cobrarem pelas palestras. Em outros momentos temos palestrantes no Brasil que fazem muitas exigências como passagem de primeira classe, hotel cinco estrelas, público acima de X número de pessoas e etc. Com isso, é natural o bloqueio e a insegurança dos dirigentes e trabalhadores.

EC – Você entrevistou crianças japonesas sendo evangelizadas, como foi isto?
Mochileiro - Não entrevistei porque não existe esse trabalho sendo realizado, pelo menos nas 15 casas espiritas que visitei. O que existe são trabalhos esporádicos sendo realizados por pessoas dentro de alguns grupos, porém com filhos de trabalhadores e frequentadores, em português, até porque são crianças brasileiras que até falam japonês, porém tudo é feito em português.

EC – O Japão é a terceira economia do mundo, com uma distribuição de renda muito melhor que a nossa. Você teve contato com trabalhos de assistência e promoção social lá? Qual é a diferença dos nossos trabalhos?
Mochileiro - Sim, realmente o Japão é um país de primeiro mundo e somente isso já dá uma visão geral das grandes diferenças entre eles e nós. Visitei e trabalhei em dois grupos assistenciais, tanto na primeira como dessa segunda vez que visitamos o Japão. A diferença, basicamente. é a forma que é conduzido trabalho, os alimentos, a preparação, e os dias de funcionamento. Basicamente, os trabalhos sociais se resumem em atendimento aos homeless, moradores de rua. O grupo que participei fica na cidade de Hamamatsu na província de Shizuoka talvez o lugar com mais brasileiros no Japão, devido à grande quantidade de brasileiros. Até as placas na estação de metrô e shinkansen - trem bala - em hamamatsu estão escritas em português. E, por incrível que pareça, todos os assistidos, dessa vez que participei, 89, eram japoneses. Ano passado havia brasileiros e outras nacionalidades.




EC – Nas reuniões mediúnicas, há médiuns japoneses, psicografando ou falando em japonês? Já existem publicações de livros espíritas produzidos por “filhos do sol”?
Mochileiro - Não se tem notícia de japoneses nas reuniões mediúnicas nem à frente de trabalhos espíritas. Tive contato com pessoas que afirmam ter grupos espíritas criados por japoneses para japoneses, porém não obtive êxito em conseguir contato ou entrevista para a rádio Boa Nova.
Livros, existem sim. O mais conhecido é O Evangelho segundo o Espiritismo, traduzido pelo Sr Tomoh Sumi, que é japonês e morou no Brasil, em Juiz de Fora-MG, onde fez faculdade de Letras. Há também O Livro dos Médiuns, O Céu e o Inferno em dois volumes e O Livro dos Espíritos, mas traduzido por grupos diferentes, inclusive por não espíritas.

Nas reuniões mediúnicas, cheguei a participar de algumas, quando a comunicação pode ser realizada na língua japonesa. Em um dos grupos havia pessoas capacitadas para fazer a doutrinação em japonês, noutro grupo fizemos prece e encaminhamos o espírito, já que não havia como dialogar, devido a ninguém na sala conhecer a fundo a língua nativa.

EC – Conte para nós como foi a entrevista na Globo – Japão.
Mochileiro - A entrevista aconteceu devido à ajuda da Alice, dirigente do Grupo de Estudos Espíritas Amigos da Luz, da cidade de Suzuka que, em contato com Edson Xavier, combinou nossa participação. Fui muito bem atendido pelo apresentador e o bate papo fluiu tranquilo. Confesso não imaginar a repercussão que a entrevista daria, quando fosse ao ar. Até hoje tenho recebido e-mails do Japão inteiro dizendo que ouviram e assistiram a entrevista. Em meu face o vídeo chegou a mais de 3 mil visualizações.

De uma maneira tranquila, falamos aquilo que em duas viagens ao Japão, sendo 30 dias cada visita, conseguimos conhecer. Como dissemos anteriormente, o movimento espirita japonês ainda está no início e muita coisa precisa ser esclarecida aprendida e ensinada. Por isso há muita desconfiança, no sentido de conhecer nosso trabalho para abrir as portas dos grupos, até porque muitos estão localizados nas próprias residências das pessoas etc. Mas muito nos alegra termos participado dessa entrevista num veiculo mundialmente conhecido e termos falado por mais de 4 minutos.

Assistam o Vídeo:


https://www.youtube.com/watch?v=xTeB6c8LIiw&feature=youtu.be


EC – Você pode contar ao nosso leitor alguma peculiaridade dos centros espíritas japoneses?
Mochileiro - São várias, mas tentarei resumir. O fato de, na entrada, você ter que tirar o sapato, como é o costume japonês, já nos causa estranheza. O segundo ponto é que, como a grande maioria, arrisco dizer que como 90% dos espíritas japoneses conheceu o espiritismo no Japão, ainda existem as orações reminiscentes do catolicismo como o Pai Nosso, Ave Maria etc., seja no estudo do evangelho ou nas reuniões mediúnicas e palestras públicas.

As comunicações de espíitos na reunião mediúnica, em japonês, na minha opinião é a peculiaridade mais especial. Como sou apaixonado pela língua japonesa acaba sendo gostoso e nos desperta mais amor no momento da comunicação, por exemplo, de espíritos que, sofredores ainda, não conseguem discernir que já estão desencarnados e são levados pela espiritualidade maior para tratamento.

EC – Que autores/médiuns ocidentais espíritas são lidos pelos japoneses, além de Kardec e Chico Xavier?
Mochileiro - São muitos, porém Zíbia Gasparetto é a mais lida, sem sombra de duvida, devido aos romances.


IV Simpósio Espírita da ADE Japão - Cidade Isesaki-Shi, Província de Gunma-Ken


EC – O que emocionou você na viagem?
Mochileiro - Jáder, a viagem toda, em si, é uma emoção. Há muitos anos sonhávamos viajar o mundo levando livros, espiritismo e a Rádio Boa Nova, e por duas vezes em dois anos demos a volta ao mundo. Ir ao Japão é a realização não somente de um sonho, mas sim, de um projeto que provavelmente durará por longas décadas. Primeiro, pelo que plantamos e por todo trabalho iniciado na seara espirita. Segundo, porque há muito o que ser feito e realizado e graças ao nosso trabalho e temos tido total apoio, respeito e convite para retornarmos e darmos continuidade ao trabalho iniciado em 2014.

Passar 30 horas de voo, com a sensação de que tudo será novo, é algo imensurável. Em 2014 não conhecíamos ninguém, nem sequer onde ficaríamos hospedados, eram ouvintes que nos convidaram e nós aceitamos. Imagina o nervosismo, as dúvidas, o medo, porém a fé em cristo foi maior e colocamos a mochila nas costas e levamos 310 livros para distribuição em 2014. Neste ano foram 450 livros da lavra de Francisco Candido Xavier doados pela editora GEEM. Então entregar os livros, dar palestras, entrar ao vivo pela Rádio Boa Nova em nosso programa Roteiro, direto do Japão, foi algo esplendoroso até porque a Radio Boa Nova tem 50 anos de existência e fomos os primeiros a ir ao outro lado do mundo.

E, por fim, mas não menos importante, fazer amizades, conhecer uma nova cultura, lugares, religiões, grupos que, com muita dificuldade, longe da família e do pais de origem, seguem firme, mantendo alto a bandeira do espiritismo.

EC – Você tem um link que possibilite, aos espíritas latino-americanos e aos japoneses interessados, conhecer um centro espírita no Japão?
Mochileiro - Não tem um link especifico, mas quem quiser pode nos adicionar no Facebook - Adriano Marques - Programa Roteiro - que indicaremos os grupos de cada região:

Rádio Boa Nova

 

 

Fonte: http://www.espiritismocomentado.blogspot.com.br/2015/05/o-espiritismo-no-japao.html


 

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