Espirituialidades e Sociedade



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Sônia Maria Dias - entrevistada por Marcus Braga sobre Família

 

 

 

17/05/2014


por Marcus Braga

Sônia Maria Dias:
“A família é a única instituição divina na Terra”


Com 25 anos de experiência na promoção de Encontros de Casais, a conhecida fundadora da Casa de Emmanuel – CEmm fala sobre a família e os desafios da atualidade

 

Espírita de berço, Sônia Maria Dias (foto), radicada no Rio de Janeiro (RJ) e fundadora da Casa de Emmanuel – CEmm, que completou em março último 19 anos de vida, fala-nos nesta entrevista sobre sua relação com o Espiritismo e, em especial, sobre a sempre importante temática da família.

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Sônia, em que atividades no meio espírita você tem trabalhado atualmente?

Além do trabalho na Casa de Emmanuel, estou envolvida em outros projetos: Sinfonia de Corais, Auto de Natal – representação do Nascimento de Jesus (em praça pública), Ceia de Natal no dia 25 de dezembro – para as pessoas em situação de rua (ao ar livre) – e iniciamos a realização de Encontros de Casais... Faço palestras. A essência de todas as tarefas está na educação do ser integral. Nossa CEmm promove encontros mensais para os pais, para os vovôs...

Fale-nos sobre sua relação com a temática da família e sua experiência com os Encontros de Casais.

Desde quando começamos em Angra dos Reis (RJ) e até o ano de 2013 completei 25 anos de Encontros de Casais. De tudo que faço, vejo no Encontro de Casais o evento de maior importância. A família é a única instituição divina na Terra. O primeiro evento ao qual compareceu Jesus foi as Bodas de Caná e durante os festejos Ele atendeu Sua Mãe e transformou a água em vinho, dando vida, cor e continuidade às bodas.

"A melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do caráter", diz Emmanuel na questão 110 do livro O Consolador.

Em O Livro dos Espíritos, questão 775, lemos:

- Qual seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família?

“Uma recrudescência do egoísmo.”

A ideia é oferecer aos casais a oportunidade de refletir sobre a vida a dois. O evento é exclusivo para casais. Partimos desta premissa: se o casal não vai bem, nada mais vai...

O casal é a viga mestra do lar! Não discutimos nele a temática “filho”; sugerimos que participem de outros eventos que discutam essa temática. O tema, as dinâmicas, tudo se volta para a vida do casal. O encontro tem duração de um dia.

Fala-se muito da família moderna. O que, na opinião da senhora, não pode se perder nessas mutações da família?

O convívio. Estar juntos. Criar situações comuns para a participação de todos: passeios, refeições, filmes, teatros, sentar e jogar a conversa fora, rir junto. Há pouco presenciei uma mãe com mais de 70 anos, filhos médicos, todos juntos no sepultamento de um parente. Lindo de ver o cuidado deles com ela... Lembro-me dos almoços, dos jantares, das festas natalinas, quando todos se reuniam com a mãe e o pai... Hábito extremamente necessário para se manter viva a chama da convivência familiar, criar laços...

A legislação recente facilitou o divórcio. Mas, em termos de relacionamento humano, que dificuldades enfrentam aqueles que se divorciam, nos diversos aspectos: material, sentimental, espiritual?

A separação conjugal é uma violência das maiores que existe, gera desconforto em níveis diversos: mudança de status, a falta da presença física, afetiva, da parceria, da cumplicidade. Sentimentalmente é preciso muita coragem para sobrepor a perda pela separação do outro. Quando não há acordos amigáveis, esforços mútuos para uma convivência pacífica, tudo fica mais difícil.

O discurso de que “eu me separei foi de seu pai, não foi de você” ou “de sua mãe” é desproposital, pois na verdade a separação se dá com o núcleo familiar que é rompido, fica desconectado... Laços se afrouxam... Filhos sofrem, passam por grandes problemas de relações com o mundo. Espiritualmente, a alma vira de ponta-cabeça. Temos visto muitos casais se separando por motivos diversos e quando as duas partes estão longe uma da outra começam as esquisitices, os comportamentos estranhos. Mudanças de hábitos; um sentimento doentio de vingança e muitas das vezes a pessoa se perde achando que vai atingir o outro... Tem casos em que tudo é diferente do que citei... Passa a existir mais harmonia entre todos e mais compreensão entre os ex-cônjuges depois da separação.

A adoção, antes vítima de preconceito, hoje se torna mais vulgarizada. O que a senhora pode nos falar da importância dessa prática em uma visão de espiritualidade?

Primeiramente nunca adotar por pena da criança e também nunca adotar para preencher vazios de falta de filhos, ou pela ausência de um filho pela morte. O adotado precisa ser incorporado ao lar como filho e não como um coitadinho. Os pais precisam ser vistos como pais e não como pessoas especiais e caridosas... Ambas as partes estão em processos seriíssimos e profundos de reajuste diante da Lei de Deus, assim como todos que estão na Terra.

Hoje temos o fenômeno das pessoas que se casam novamente e levam consigo filhos de outros casamentos. Qual a chave para harmonizar relações tão complexas?

É um casa e descasa... Penso assim: Por que não dão um tempo maior para que tenham filhos? O principal em suas vidas não é ter um companheiro? Difícil ver homens e mulheres renunciando a si mesmos em função de seus filhos, para protegê-los dos atropelamentos de novas relações... A meu ver a prioridade máxima deveria ser os filhos... Uma vez que não é assim, então precisamos rever nossas escolhas para a segunda, terceira união... Quem são essas pessoas, conhecer o seu caráter, avaliar as suas tendências, observar seus hábitos antes da vida a dois. E perguntar o tempo todo se essas novas pessoas servem para estar perto de seus filhos, ajudar na educação deles, e se conseguirão respeitá-los.

As uniões terrenas, na maioria dos casos, são uniões provacionais (é o que informa o livro Nosso Lar, de André Luiz, psicografia de Chico Xavier). Por isso tantos riscos, desacertos infelizes... Muita cautela é preciso, pois, na montagem de novas relações. E o exercício diário de companheirismo, muita conversação, muita calma... Todos os membros de nova família precisarão de tempo para adaptação ao novo modelo familiar, visto que, dadas as perdas anteriores, trazem suas cismas, dúvidas, insegurança, medos e muitas expectativas... Tudo, porém, fica menos difícil quando a família procura os processos de evangelização. Família evangelizada é paz assegurada.

Os filhos antigamente buscavam a sua independência e hoje demoram a sair da casa dos pais. Qual a sua opinião sobre esse fenômeno?

Um modelo novo de família. Poucos jovens ganham o suficiente para montar uma vida para morar sozinhos – a vida lá fora está caríssima. Ficar em casa dos pais inspira comodidade para uns, apoio para outros e para muitos a falta de maturidade e perspectivas. As escolas não apresentam mais líderes, os professores não são mais líderes, os pais com suas lutas diárias, ausências e desencontros familiares também não são mais líderes... Vivemos uma sociedade atual sem líderes que arrastam e impulsionam a uma vida melhor, com maiores responsabilidades. Os líderes estão na televisão, nos esportes, na fama, na riqueza, no poder... Na visão de muitos jovens, esses sim sabem viver... Acomodam-se, pois se sentem impotentes de conseguirem tantas facilidades como os outros conseguiram... O sexo se banalizou em cada esquina em que eles dobram...

Encerrando a entrevista, para os que desejam casar e constituir uma família, que dicas a senhora daria?

Casem. Unam-se pelos laços do afeto, pelos laços do respeito mútuo procurando se conhecer todos os dias e aprender a valorizar e dar ênfase ao que é bom que cada um tem... Uma experiência pra lá de norteadora de Vida é o casamento, quando nos propomos a viver com alguém e compartilhar com essa pessoa a nossa própria vida. Vida a Dois precisa ser aquecida todos os dias com o tempero do namoro, uma conquista diária do outro.


Fonte: 

http://www.oconsolador.com.br/ano8/363/entrevista.html

 

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