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Organização usa livro digital na luta contra analfabetismo em países pobres - O mundo lê mais por causa dos celulares, diz estudo da Unesco

 

 

 

16/05/2014


Ter acesso a livros físicos é quase impossível em lugares como a África subsaariana em função de conflitos étnicos, políticos e militares.

Os números relacionados à educação naquela área são desanimadores: apenas 18% das crianças recebem educação básica, segundo a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). No entanto, o uso da tecnologia tem ajudado a amenizar os baixos índices de analfabetismo na região e em outros países pobres.

Uma das organizações que trabalham com isso é a Worldreader. Ela atua de duas formas: disponibilizando leitores eletrônicos para escolas de países africanos e por meio de um aplicativo chamado Worldreader Mobile. Esse programa pode ser instalado em celulares simples (desde que eles tenham um navegador Java) e dispositivos Android.

Fundada em 2009 por ex-diretores da Microsoft e da Amazon, a instituição atua principalmente em países africanos. `Tentamos disponibilizar conteúdo digital onde, historicamente, os livros nunca chegam`, afirmou Susan Moody, diretora de desenvolvimento e marketing da Worldreader.

Os títulos vão desde livros africanos a guias práticos para uma vida saudável. Há ainda clássicos, como os escritos por William Shakespeare e Jane Austen, além de histórias curtas para pessoas em processo de alfabetização e livros didáticos. Esse conteúdo pode ser baixado em redes de baixa velocidade (2G) graças a uma tecnologia de compressão de dados.


Em conversa com o UOL por telefone, Susan explicou o funcionamento do aplicativo, o surgimento da organização e o desafio de erradicar o analfabetismo no mundo.

Veja abaixo os principais trechos:


UOL Tecnologia: Como surgiu a Worldreader?

Susan Moody: Somos uma organização sem fins lucrativos e vimos uma oportunidade para lutar contra o analfabetismo ao notar o crescimento de três grandes tendências tecnológicas: crescimento do acesso à telefonia móvel, aumento da cobertura de internet móvel e a popularização de livros digitais.

Decidimos tentar disponibilizar conteúdo digital onde, historicamente, os livros nunca chegam.Fazemos isso de duas formas: distribuindo leitores eletrônicos Kindle em algumas escolas e por meio de um aplicativo para celulares simples e dispositivos Android.

UOL Tecnologia: Como funciona o aplicativo de livros digitais para celulares simples?

Susan: Com ele, você consegue acessar nosso acervo de livros em qualquer lugar que tenha sinal de telefonia móvel [não necessariamente 3G]. Fizemos uma parceria com uma empresa chamada Binu. Eles desenvolveram uma tecnologia de alta compressão de arquivos. Os dados são `reduzidos` na internet e isso faz o processo de download ser muito barato e rápido.

UOL Tecnologia: Os leitores digitais que vocês distribuem ficam com os alunos ou na escola?

Susan: Há métodos diferentes e isso depende do que a escola decide. Todos funcionam, mas um dos mais efetivos é o que os estudantes podem levar os leitores eletrônicos para casa. O bom é que o dispositivo acaba sendo compartilhado por outras pessoas da família.

Também temos o modelo `livraria`. Deixamos alguns equipamentos em escolas, e os alunos pegam emprestado. A vantagem é que esse método atinge mais pessoas.

UOL Tecnologia: Qual critério vocês utilizam para atender a determinadas localidades?

Susan: O primeiro critério é chegar a locais onde não há acesso a livros. Há lugares onde há um livro para cada 78 crianças.

Levamos em consideração também nossas parcerias. Algumas fundações já realizam outros tipos de trabalhos nessas localidades e isso facilita nosso acesso.

Temos conteúdos em inglês, francês, espanhol e português. Há também um esforço de contatar editoras locais para disponibilizar esses conteúdos nas línguas de cada país, como suaíli - falado no Quênia e na Tanzânia.

A demanda é imensa, pois os livros na região são escassos. Para a gente é importante conseguir dinheiro para poder licenciar mais títulos e achar parceiros estratégicos para implementar nossos projetos.

UOL Tecnologia: Como vocês se mantêm?

Susan: Recebemos dinheiro de três fontes. Há pessoas físicas, governos [trabalhamos com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento, por exemplo] e instituições. Uma delas é a Fundação Bill e Melinda Gates [instituição de caridade comandada por Bill Gates, cofundador da Microsoft, e sua mulher]. É possível fazer doações via cartão de crédito em nosso site ou via PayPal.

UOL Tecnologia: O objetivo da organização é atingir apenas as crianças?

Susan: Sabemos que e-readers funcionam bem com crianças, pois é uma idade crucial para elas aprenderem a ler. O foco é tentar fomentar a leitura nos mais novos.

Porém, o aplicativo tem tido sucesso, pois pode atingir a todos [desde que tenham um telefone celular]. As pessoas utilizam o programa para continuar seus processos de educação, aprendendo e crescendo com a leitura.

UOL Tecnologia: Como essas pessoas tomam conhecimento do aplicativo desenvolvido por vocês?

Susan: Trabalhamos com alguns parceiros que, eventualmente, disponibilizam nosso aplicativo já pré-instalado no aparelho.

Uma vez que um leitor descobre, eles costumam amar. Algumas pessoas nos EUA dizem não entender como tem gente que lê numa tela pequena. No entanto, em países em desenvolvimento têm ocorrido o oposto. Fizemos uma pesquisa recente com a Unesco, e eles entrevistaram pessoas sobre seus hábitos de leitura. Cerca de 60% disseram que gostam de ler em celulares e que gostariam de ler mais. Isso só nos animou mais ainda.

UOL Tecnologia: Vocês têm noção de quantas pessoas já se beneficiaram das ações da Worldreader?

Susan: Contabilizamos 1,7 milhão de livros que foram lidos – uma marca que seria bem difícil alcançar com edições físicas. Em nosso aplicativo, temos mensalmente 200 mil leitores ativos em aparelhos simples e em dispositivos Android.

UOL Tecnologia: Quais são os próximos planos da Worldreader? Há planos para fazer projetos como esses realizados na África na América do Sul?

Susan: Queremos atingir de forma significativa todos os países possíveis. É um problema conseguir investimento para atender a essa grande demanda [de pessoas que não têm acesso a livros]. Queremos chegar o mais longe possível, não importa se pela disponibilização de leitores eletrônicos ou por meio de nosso aplicativo para celulares básicos.

Fonte:
http://www.blogdogaleno.com.br/2014/05/01/organizacao-usa-livro-digital-na-luta-contra-analfabetismo-em-paises-pobres

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O mundo lê mais por causa dos celulares, diz estudo da Unesco



O estudo Reading in the Mobile Era, divulgado pela UNESCO, aponta que pessoas que não têm acesso fácil a livros estão lendo mais utilizando seus celulares. Foram 5.000 pessoas entrevistadas na Etiópia, Gana, Quênia, Nigéria, Paquistão e Índia. Segundo a pesquisa, 62% dos participantes leram mais com os celulares do que por meio de livros físicos.

O estudo foi feito por meio de uma parceria da UNESCO com a Worldreader, uma organização global sem fins lucrativos que investe no alcance de livros digitais para países em que a população não possui o hábito de leitura, e a Nokia, empresa de telefonia celular.

Além do aumento considerável de pessoas que adquiriram o hábito de ler, o estudo também mostra que a leitura por meio de celulares é mais agradável e fácil. Alem disso, foi comprovado que os pais possuem o costume de ler livros para os seus filhos utilizando o celular.

Um dos motivos para o aumento do nível de leitura é que as pessoas perceberam a quantidade de possibilidades que o seu telefone oferece. Ao invés de utilizar o aparelho somente para falar com outras pessoas e mandar mensagens, elas podem transformá-lo em uma biblioteca móvel e compacta.

A outra razão para este fenômeno é o preço dos livros físicos em comparação aos digitais. No Zimbábue, por exemplo, o custo de um livro digital é de 5 a 6 centavos, enquanto o de um livro físico é de 13 dólares. Os valores altos dos livros, que antigamente era um impedimento para cultivar o hábito de leitura, atualmente são facilmente contornados pelos baixos preços dos livros digitais.

Um professor em Zimbábue, Charles, disse que ele passou a utilizar o seu celular como fonte primária de leitura por conta da falta de papel no país, que encarece a produção de livros. Ele tem passado essa ideia para os seus alunos que, agora, podem ler facilmente as obras indicadas por ele.

O estudo também mostra que das 7 bilhões de pessoas no mundo, 6 bilhões já têm acesso fácil a um celular. Ou seja: a tendência é que a porcentagem de pessoas que utilizam o aparelho para a realizarem suas leituras só aumente, em todos os continentes do mundo.

Fonte: 
http://www.blogdogaleno.com.br/2014/04/29/o-mundo-le-mais-por-causa-dos-celulares-diz-estudo-da-unesco

 

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