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Wadson Fernandes Alves, da ABRARTE - fala sobre arte, espiritismo, processo de criação e direção artística

 


06/08/2012

‘O processo de criação e direção artística deve ter como base o respeito ao outro e o desejo de servir’

Wadson Fernandes Alves é natural de Belo Horizonte (MG). Formado em Ciências da Computação. É coordenador do DAJ – Departamento de Apoio à Juventude da Aliança Municipal Espírita de Belo Horizonte, há 15 anos. Integrante da Companhia Espírita Laboro e do Grupo Meu Cantar. É associado da Abrarte desde dezembro de 2007.

1. Como você começou seu trabalho com arte espírita?

Quando entrei para o Espiritismo, tinha 20 anos. Comecei tocando violão nas reuniões de juventude espírita e fazendo pequenas apresentações em eventos comemorativos ou de apoio à evangelização infanto-juvenil no centro que participo. Mais tarde, comecei a participar de encontros de jovens e me engajei como trabalhador em comissões de artes e/ou integração, onde montávamos esquetes ou ensaiávamos musicas para o evento. Algum tempo depois, entrei para a Companhia Laboro e o Grupo Meu Cantar, onde estou até hoje, mas sem me afastar desse cenário onde iniciei.

2. Como você define a arte espírita?

Penso que ainda não sei o que é arte. E muito menos o que é arte espírita! Sei que é instrumento de manifestação e aperfeiçoamento espiritual, que permite consolar e me traz consolo. É a arte que traz humildade à minha aridez.

3. A Cia. Laboro se caracteriza por unir teatro e música que, aliado aos conteúdos evangélicos, dão a cada espetáculo um aspecto de leveza e encantamento. Como surgiu essa proposta de trabalho?

A Cia. Laboro, em seu inicio, contava com três integrantes. Dois desses, Adriano Alves e Daniela Tonidandel, participaram de uma oficina de teatro oferecida pela prefeitura de Belo Horizonte durante dois anos. A participação nessa oficina, unida à identificação dos integrantes da Laboro com o trabalho de outros grupo de teatro de nossa cidade, como o Grupo Galpão, a Cia. Burlantins e o Ponto de Partida, influenciaram fortemente para que também seguíssemos essa proposta de teatro.

4. Uma das características da companhia é a ausência de um diretor, sendo que a direção dos espetáculos é feita de forma coletiva. Como é o processo de criação e direção das peças? Como é feita a escolha da temática a ser desenvolvida?

Essa é um proposta desafiadora, inclusive para nós mesmos. O processo de criação e direção tem como base os mesmos princípios que devem haver em qualquer trabalho espírita-cristão: o respeito ao outro, o desejo de servir. Com esses pilares, vamos aprendendo a ouvir o que o outro tem a dizer; aprendendo a fazer o que é melhor segundo o grupo, e não segundo o que queremos; buscamos no sintonizar entre nós e também com a Espiritualidade que nos acompanha. De forma geral, um tema é sugerido. A partir daí, trazemos textos e ideias que fortaleçam aquele tema e elegemos uma pessoa para escrever. Até 2007, os textos foram escritos pelo ex-integrante Adriano, e depois dele, pela Juliana. Mas ambos escreviam com contribuições e ideias de todos do grupo. Com parte do texto na mão, iniciávamos as montagens. Durante o processo de construção, o restante do texto vai recebendo complementos e alterações, sempre contando com a contribuição de todos.

5. E com relação ao Grupo Meu Cantar, poderia nos falar um pouco a respeito deste grupo? Como e quando começou, quantos CDs já foram lançados, e quais seus projetos?

O Grupo Espírita Meu Cantar nasceu de um desejo de trabalhar com música na Doutrina. Buscávamos fazer arranjos vocais para músicas espíritas que cantávamos no movimento espírita de BH. Quando nasceu, o grupo contava com oito integrantes e seis deles participavam também da Cia. Laboro. Isso permitia que os benefícios alcançados pelo Meu Cantar também se refletissem na Laboro e vice-versa. O tempo foi passando e buscamos preservar a identidade de um trabalho mais vocal, onde o instrumento aparece apenas para nos orientar. O Meu Cantar gravou o primeiro CD, intitulado “Passos em Comunhão”, no ano 2001. Em 2006, tivemos o segundo CD, o “Ave, Cristo”; e em 2009 gravamos o "Para ter a vida". Nosso próximo projeto consiste em gravarmos, em áudio e vídeo, 14 músicas do Willi de Barros, compositor de Belo Horizonte, e disponibilizarmos na internet, juntamente com os trabalhos anteriores que já se encontram disponíveis para baixar, tanto o áudio quanto as partituras e cifras.

6. Como está o movimento artístico espírita em Belo Horizonte?

Vejo com bons olhos o movimento artístico de BH. Vários grupos nascendo e se firmando, todos em busca de linguagem própria, de qualidade técnica, e sobretudo de servir de coração a Deus. Há também os grupos com mais tempo de caminhada que de uma forma ou de outra contribuem para a efervescência pela qual passamos. Atribuo isso a uma serie de iniciativas e eventos que vem acontecendo na cidade nos últimos anos tais como fóruns, mostras, festivais e a campanha de popularização de arte. Eventos da Abrarte, como o Fórum de Arte Espírita e a Semana Nacional, contribuíram para o fortalecimento desses grupos, criando espaço para o debate e divulgação dessa arte no movimento espírita belorizontino.

Fonte: Informativo virtual da Abrarte

Associação Brasileira de Artistas Espíritas

Fundada em 08/06/2007 - Site: www.abrarte.org.br / Portal Arte Espírita: www.arteespirita.com.br

 

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