Espirituialidades e Sociedade



Notícias :


Edmundo Cezar, da ABRARTE - fala sobre arte e teatro espírita

 

 

 

31/07/2012

EDMUNDO CEZAR

‘O teatro é o espaço onde o humano encontra com o humano’

Edmundo Cezar Barbosa Santos é natural do Rio de janeiro, residiu um bom tempo em Salvador e atualmente está domiciliado em Curitiba. Ator e diretor teatral, formado em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Estado da Bahia, também é professor de teatro. Foi um dos fundadores da Comunidade Arte e Paz, de Salvador, e coordenador de Artes da Federação Espírita do Estado da Bahia, entre 2005 e 2010. É associado fundador da Abrarte, tendo sido seu primeiro vice-presidente, e atualmente é membro do Conselho Doutrinário.


1. Como você começou seu trabalho com arte espírita?

Em 1985, aos 15 anos de idade, participava de um grupo de teatro amador no bairro de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Uma instituição espírita, o Templo Espírita Luz e Caridade, estabeleceu um grupo de teatro e eu, que conhecia alguns participantes, me aproximei. Como para participar do grupo de teatro era necessário estar vinculado a uma instituição espírita, aconteceu ali minha iniciação no Espiritismo e na arte espírita.

2. Como você define a arte espírita?

Manifestação cultural dos espíritas.

3. Qual a importância do teatro na difusão do Espiritismo?

O teatro, arte milenar, foi “ameaçado de morte” após a invenção do cinema e da popularização da televisão. Sobreviveu e sobreviverá, como manifestação artística de uma cultura e com o espaço onde o humano encontra com o humano. Fazer e assistir teatro é oportunidade de participar de um fato que acontece de verdade, ao vivo, sem truques, onde o inesperado pode acontecer. Quando comecei a fazer teatro espírita, acreditava que seu principal objetivo era a divulgação do Espiritismo, mas hoje, percebo que fazê-lo assim é restringir a força e a capacidade que o teatro tem para transformar o indivíduo e se comunicar com a sociedade. O teatro espírita que fazemos não deve ser um objeto panfletário do Espiritismo. A divulgação do Espiritismo é resultado e consequência.

4. Muitos grupos espíritas de teatro, na atualidade, estão deixando a prática da adaptação de obras literárias para a produção de textos originais, criados especificamente para serem montados. Na sua avaliação, estamos caminhando para a formação de uma dramaturgia espírita?

Na história do teatro universal, o texto teve seu momento de importância e esse tempo já passou. Na atualidade, a encenação é o carro chefe de uma montagem, uma ideia, um princípio estético, uma linha de ação artística de um coletivo. Percebo, nos grupos de teatro espírita que conheço, a busca da renovação, mas estamos ainda muito influenciados por uma forma de fazer teatral das décadas de 50 e 60. Já existe uma dramaturgia espírita de amplas abordagens: do texto voltado a ser popular e atrair comercialmente o público leitor, passando por obras mediúnicas, até textos transgressores e experimentadores. É um caminho natural de aprimoramento técnico e busca de se comunicar artisticamente com o público da era do virtual. Nós, artistas espíritas de teatro, ainda timidamente entendemos a força que o fazer teatral tem para a sociedade e para a renovação do ambiente cultural espírita. Não podemos nos contentar com nossa zona de conforto. Precisamos manter a oxigenação de nosso fazer teatral, através do estudo, do exercício e da avaliação franca. Vejo cada vez mais os grupos terminarem suas apresentações e ficarem na porta do teatro recebendo os abraços e parabenizações do público. Que armadilha terrível! Essa é a zona de conforto que não podemos nos contentar. Não vejo a adaptação dos romances espíritas com olhos de censura. Basta uma pitada de originalidade para que receitas antigas tornem-se pratos saborosos.

5. Você coordenou o Fórum de Salvador, no qual foi fundada a Abrarte. Como você vê esse momento histórico e os rumos que o movimento artístico espírita tomou, a partir da fundação da Associação?

O Fórum Nacional de Arte Espírita, ocorrido na Bahia, foi realizado por uma equipe de jovens amigos reunidos por um ideal. Fiz parte de uma equipe de trabalhadores que se organizaram para atender as expectativas dos participantes do evento. Fui apenas mais um par de braços. A criação da Abrarte foi um grito de esperança dos artistas espíritas. Confesso que algumas de minhas expectativas ainda não se materializaram, mas tudo tem seu tempo. O maior ganho para o movimento tem sido nos conhecermos, estreitarmos laços, trocarmos experiências. Em poucos anos de existência, a Associação conquistou o respeito e a esperança de dirigentes espíritas e de instituições federativas. Temos sido corretos e cautelosos com as ações da Abrarte, mas, no meu entendimento particular, ainda tímidos nas realizações que só a Associação pode construir, apesar dos esforços que a atual gestão tem realizado para mudar esse quadro. Tenho esperanças com os rumos do movimento artístico espírita. Dias melhores virão...

Fonte: Informativo virtual da Abrarte

Associação Brasileira de Artistas Espíritas

Fundada em 08/06/2007 - Site: www.abrarte.org.br / Portal Arte Espírita: www.arteespirita.com.br

 

>>>   clique aqui para acessar a página principal de Notícias

>>>   clique aqui para voltar a página inicial do site

>>>   clique para ir direto para a primeira página de Artigos, Teses e Publicações


topo