Espirituialidades e Sociedade



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Nossa maior bomba social - cresce a morte entre jovens

 

 


20/07/2012

Estudo mapeia mortes de jovens no Brasil

por Afonso Benites
DA FOLHA DE SÃO PAULO

Era 26 de março de 2010 quando o jovem Rafael Souza de Abreu, 16, virou mais um número para pesquisadores de segurança pública. Nessa data, ele foi morto com oito tiros perto da casa de um amigo em Santos (SP).

Segundo seu pai, o operador portuário José de Abreu, e a Promotoria, o rapaz foi confundido com um ladrão de uma loja de roupas e foi morto em represália a um furto que não praticou. Assim, ele passou a ser um dos 8.686 adolescentes e crianças assassinados naquele ano e engrossou a lista que, desde 1980, aumentou 376%. No mesmo período, entre 1980 e 2010, os homicídios como um todo cresceram 259%.

Os dados são do "Mapa da Violência 2012 - Crianças e Adolescentes do Brasil", pesquisa que lançada no dia 18/07/2012. O levantamento analisa as informações do Ministério da Saúde sobre as causas das mortes de pessoas entre zero e 19 anos de idade.

- O ritmo de crescimento da morte entre jovens é constante. Em 30 anos, só teve queda quatro vezes. Nos demais aumentou entre 0,7% e 30%.

 

Um dado que chamou a atenção do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da pesquisa, foi quanto os homicídios de jovens representava no total de mortes. Em 1980, eles eram pouco mais de 11% dos casos de assassinato. Já em 2010, 43%.

"Os homicídios de jovens continuam sendo o calcanhar de aquiles do governo. Esse aumento mostra que criança e adolescente não são prioridade dos governos", disse.

Entre os Estados em que houve maior aumento dos assassinatos de jovens estão Alagoas, com uma taxa de 34,8 homicídios por 100 mil habitantes, Espírito Santo (33,8) e Bahia (23,8). Segundo Waiselfisz, vários fatores influenciam o aumento em determinadas regiões. Um deles é a interiorização dos homicídios.

"Antes, a maior parte dos crimes acontecia nos grandes centros. Agora, com a melhor distribuição de renda, houve uma migração da população e os governos não conseguiram implantar políticas públicas para acompanhar essa mudança", disse.

Os Estados que apresentaram as menores taxas foram Santa Catarina, (6,4), São Paulo (5,4) e Piauí (3,6).

Para Alba Zaluar, antropóloga da Universidade Estadual do Rio, os dados devem ser analisados com "cuidado", já que entre 2002 e 2010 houve uma melhora na qualificação das estatísticas sobre mortes. Ou seja, casos que antes constavam como "outras violências" nos dados oficiais passaram a ser homicídios.

"É muito complicado falar do aumento de mortes por agressão no Brasil como um todo", afirmou Zaluar.

Waiselfisz diz que a pesquisa aponta que os problemas existem e serve de alerta para governos tentarem reduzir o índice, que já incluiu o assassinato do jovem Rafael. Em tempo: quatro pessoas, sendo três policiais, foram acusadas pela morte do adolescente. Mas o julgamento ainda não aconteceu.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1121817-estudo-mapeia-mortes-de-jovens-no-brasil.shtml

Nossa maior bomba social

por Gilberto Dimenstein

 

O aumento vertiginoso do assassinato de jovens no Brasil é apenas um reflexo do que considero nossa maior bomba social: o abandono da juventude. É um tema que, apesar de todos os avanços, ainda está não está na agenda do brasileiro.

O problema do assassinato é, claro, grave. Mais grave ainda, já que afeta milhões de brasileiros, é o maior gargalo da educação brasileira: o ensino médio, onde existe uma expressiva evasão. Mesmo os que não abandonam a escola veem pouco interesse no que aprendem (ou deveriam aprender) em sala de aula, tamanha a desconexão com a realidade.

É mínima a porcentagem dos alunos que saem do ensino público com conhecimentos apropriados em português e matemática. Basta ver que, mesmo entre universitários, existe uma espécie de analfabetismo funcional. Leem mas não entendem um texto.

Criam-se assim batalhões de jovens com baixa escolaridade e poucas perspectivas profissionais, vivendo em comunidade em que impera a delinquência. Na maioria das vezes, são lugares sem opções de lazer, tirando os bares. Natural a tentação de entrar no mercado da droga ou das quadrilhas.

*

Uma das saídas é a educação em tempo integral nas comunidades mais pobres, onde os alunos tivessem muito estímulo cultural e ensino técnico para obter um emprego.

É caro, eu sei. Mas não oferecer boa educação sai mais caro ainda. Muitas vezes, custam vidas.

Gilberto Dimenstein ganhou os principais prêmios destinados a jornalistas e escritores. Integra uma incubadora de projetos de Harvard (Advanced Leadership Initiative). Desenvolve o Catraca Livre, eleito o melhor blog de cidadania em língua portuguesa pela Deutsche Welle. É morador da Vila Madalena.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gilbertodimenstein/1121849-nossa-maior-bomba-social.shtml

 

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