Espirituialidades e Sociedade



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Denize Moura Dias de Lucena, da ABRARTE - fala sobre arte espírita

 


07/07/2012

Denize Moura Dias de Lucena, da ABRARTE - fala sobre arte espírita - Arte Espírita é a arte pensada e realizada a partir dos alicerces da Doutrina Espírita e compromissada com seus fundamentos

 

Denize Moura Dias de Lucena é natural de Belém (PA), morou por longo tempo em Salvador (BA) e atualmente reside em Curitiba (PR). Com formação em Dança (EDFUNCEB), Artes Visuais (CESV) e Teatro (UFBA), atua profissionalmente como professora e artista nas áreas de Dança e Teatro. Espírita desde 1998, atuou em diversas áreas, sendo sócia-fundadora da Comunidade Arte e Paz, de Salvador (BA). É associada da Abrarte desde novembro de 2007.


Denize Moura Dias de Lucena

 

1. Como você começou seu trabalho com arte espírita?

Estava na Faculdade de Teatro (UFBA) quando conheci alguns alunos que eram espíritas. O Renato Prieto estava em Salvador nesta época montando com elenco local a peça "Além da Vida". Fui convidada para operar a luz do espetáculo. Fizemos várias apresentações em Salvador e no interior da Bahia. Algum tempo depois eu estava envolvida com o grupo de Teatro da FEEB e daí foi um passo para a fundação da Comunidade Arte e Paz, onde todas as atividades eram baseadas na Arte sob a luz da Doutrina Espírita.

2. Como você define a arte espírita?

A arte com qualquer foco ou pretexto pode ser realizada em qualquer lugar por qualquer um. Há uma infinidade de escolas, oficinas e academias para este fim. A arte onde eu me reconheça como ser eterno, em processo de reconstrução; que me oportunize o autoconhecimento e as ferramentas para a compreensão de que estou em contato perene com um universo espiritual; que sou o resultado de minhas escolhas, necessidades e merecimentos; que me mostra a possibilidade de auxiliar enquanto sou auxiliada; e que fortaleça em mim a fé sobre os aportes da razão. Essa Arte eu só encontrei na Arte Espírita. Assim, defino Arte Espírita como toda arte que seja pensada e realizada a partir dos alicerces da Doutrina Espírita e com os compromissos ligados aos seus fundamentos. Costumo dizer que posso deixar de dançar, mas não abro mão da Doutrina Espírita.

3. É possível difundir o Espiritismo através da dança?

Nas questões 459, e 565 a 567, incluindo o comentário de Kardec, de O Livro dos Espíritos, os espíritos são claros em afirmar que ressalvado o nosso livre-arbítrio, estamos em constante intercâmbio com a espiritualidade, em todas as áreas do conhecimento. As Artes não são exceção. A Dança, por trabalhar com o instrumento do espírito, se tem por alicerce os conhecimentos doutrinários sobre o corpo, pode auxiliar tanto aos que à dança se dedicam quanto aos que vão apreciá-la. Ao eximir-se da fala, permite que o sentimento seja o emissário da mensagem doutrinária num intercâmbio mútuo de energias entre palco e plateia. Toda ação no bem é auxilio na divulgação da Doutrina.

4. Existe ainda o preconceito quanto à prática da dança vinculada à Doutrina Espírita?

Alguns companheiros ainda receiam o vínculo medieval do corpo com o sensualismo. A Doutrina nos assegura que o corpo é instrumento do espírito, bênção divina para que possamos atuar na matéria e avançarmos na senda do progresso. Estamos mergulhados num mar de sensualismos e erotismos para qualquer lado que olhemos. Não podemos responsabilizar o corpo pelas mentes ainda encerradas nas patologias do sexualismo. Considerando que ainda estamos mais próximos do primitivismo que da angelitude, não nos podemos furtar da terapêutica evangélica para a sublimação do ser em nós, e não há como sublimar o ser, sem sublimar o seu instrumento de atuação. É curioso ver que a resistência de alguns no movimento espírita foi, no entanto, um inspirador para que os grupos de dança se preocupassem ainda mais com o aspecto doutrinário, o que só veio a enriquecer os trabalhos realizados.

5. Como está o cenário da dança no movimento espírita brasileiro?

Tive conhecimento sobre a existência de um grupo de dança espírita em 2001, quando da realização da 1ª Mostra Espírita de Dança - Oficina do Espírito, em Araras. Pouco depois, através dos livros do Walter Oliveira Alves. No entanto, apenas em 2009 pude comparecer a este evento que estava então em sua oitava edição. Hoje, com muita facilidade podemos encontrar algumas dezenas de grupos utilizando as ferramentas de busca da internet. Há inúmeros blogs, vídeos e os eventos especialmente voltados para a área têm se multiplicado. Hoje, além da Mostra de Araras, já é uma realidade o Projeto de Capacitação - Dança na Casa Espírita, em sua segunda edição este ano, em Minas Gerais, e a 1ª Mostra de Dança Espírita do Rio de Janeiro que acontecerá em setembro.

6. Em novembro próximo será realizada a 1ª Mostra Nacional de Dança Espírita. Poderia falar sobre este evento? Quais seus objetivos? Que atividades estão programadas?

Esse desejo surgiu na 1ª Mostra de Dança Espírita de Belo Horizonte que aconteceu no ano passado. O crescimento no número de grupos e a necessidades de troca de experiências e aprofundamento no estudo dialogado entre Dança e Espiritismo, gerou a ideia de uma Mostra Nacional. Os trabalhos de construção de um estatuto que guiasse as Mostras Nacionais, como já acontece com as demais, foi iniciado logo após o retorno de BH. O planejamento de um evento nacional exigiu a reunião de várias pessoas e instituições. Atualmente, as coordenações criadas estão elaborando o evento, sempre que possível com a participação dos dançarinos espíritas, reunidos por meio da lista de e-mails chamada "Sapatilha". O evento prevê momentos de estudos e vivências sobre a dança espírita, além de apresentações abertas ao público de Vitória, no Espírito Santo, onde acontecerá o evento. A expectativa é que ele possa se tornar um evento bienal, intercalado com as Mostras locais.

7. Durante a Mostra será lançado um livro sobre dança espírita. Poderia adiantar em rápidos tópicos o que encontraremos nesta obra?

Quando a coordenadoria de Dança da Abrarte se reuniu em 2008 para elaborar o 1º Curso para Coreógrafos Espíritas, encontrou grande dificuldade na aquisição de material teórico que fundamentasse os estudos. Assim, decidimos pela construção deste material, partindo dos referenciais teóricos basilares da Doutrina Espírita e da história da dança, fazendo os vínculos necessários, tendo por base nossas experiências pessoais e dos grupos que conhecíamos. A ideia de transformar este material em um livro surgiu logo depois, em 2010, mas o tempo de Deus é diferente do nosso, e somente agora foi possível tornar este projeto em realidade. Assim, com a realização da Abrarte, temos a alegria de poder apresentar durante a 1ª Mostra Nacional de Dança Espírita o livro "Dançando com a alma - Diálogos sobre Dança Espírita", que traz entre outros temas a dança na educação do espírito e como expressão deste, os caminhos possíveis da dança na casa espírita, os cuidados com a técnica e a mensagem nas coreografias espíritas, a formação do artista espírita, entre outros. Nossa expectativa é que este material possa servir de base para os que atuam ou desejam atuar na dança espírita, multiplicando-se os grupos e estimule à criação de novos referenciais. Vamos Irradiar!

Fonte: Informativo virtual da Abrarte

Associação Brasileira de Artistas Espíritas

Fundada em 08/06/2007 - Site: www.abrarte.org.br / Portal Arte Espírita: www.arteespirita.com.br

 

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