Espirituialidades e Sociedade



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Augustin Lesage - o médium pintor francês

 

 

 

29/03/2012

O professor Ademir Xavier "apresentou-me" a um médium pintor francês, do qual confesso o meu desconhecimento anterior. Justamente, o que me motivou a lhes "apresentar".

 

O artigo de Luisa Victória Pessoa de Oliveira, na Revista Proa , nº 01, vol. 01 - Mediunidade e psicopictografia: reflexões preliminares acerca da pintura mediúnica - (http://www.ifch.unicamp.br/proa), traz informações sobre este médium francês, além de analisar outras pessoas que apresentam esta faculdade mediunica.

A prática psicopictográfica, ou seja, a capacidade de execução de quadros de artistas desencarnados por médiuns, já ocorria de forma paralela aos estudos de Kardec no século XIX. Como cita Luisa no artigo acima mencionado:

O fenômeno da psicopictografia é de tradição espírita, tendo sido inaugurado por Victor Hugo (1802 – 1885), célebre escritor e poeta francês, autor de Os Miseráveis, em seu exílio entre 1853 e 1855, na ilha de Jersey, Canal da Mancha. Nesse período, Hugo participou de mesas girantes, onde entrou em contato com os espíritos de Jesus Cristo, Maomé, Moliére, entre outros, que o levaram a desenhar centenas de obras, as quais tinham características insólitas, como a presença de impressões digitais, dobras do papel ao meio para permitir o espelhamento de manchas de tinta, rasuras, presença de penas de pássaros colados aos desenhos, manchas de café, etc.
(PEIRY, 2001, p. 17-18)

No entanto é com Victorien Sardou (1831 - 1908), dramaturgo francês e um dos primeiros seguidores de Allan Kardec, que o fenômeno ganhou maior visibilidade. Sardou fez águas-fortes onde incorporava o espírito do artista vidraceiro e ceramista francês Bernard Palissy (1510 – 1589).

(...)

Outro pintor mediúnico que ganhou reconhecimento, um pouco mais tarde, foi Augustin Lesage (1876 – 1954).


Augustin Lesage pinta no Instituto Metafísico Internacional em Paris, França. Abril – Maio, 1927. Descrição e imagem retirados de PEIRY, 2001, p. 19.

 

Sobre Augustin Lesage podemos lhes remeter a artigo na Enciclopédia Wikipédia -
http://pt.wikipedia.org/wiki/Augustin_Lesage - do qual apresentaremos aqui alguns trechos -

Augustin Lesage, nasceu a 9 de Agosto de 1876 em Saint-Pierre-les-Auchel (Pas-de-Calais), e faleceu a 21 de Fevereiro de 1954.

 

O mineiro

Augustin Lesage nasceu em Saint-Pierre-les-Auchel no dia 9 de Agosto de 1876. Com sete anos perdeu a irmã Maria mais nova do que ele quatro anos. É nesta região mineira do Norte da França onde, naturalmente, começa a trabalhar nas minas, desde os catorze anos, depois de terminada a escola primária. Logo depois viria a falecer a mãe, de cancro no lábio. Aos dezoito anos conhece a futura mulher, de quem teve uma filha em 1895. Aos 20 anos foi mobilizado para o serviço militar, nos regimentos de Dunkerque e Lille e de onde regressa em 1900 para retomar a vida simples e dura de um trabalhador do sub-solo.

O pintor médium

Uma noite de 1911, tinha 35 anos, enquanto trabalhava no fundo da mina, muito assustado, ouviu uma voz que lhe anunciava:

“Um dia serás pintor!”.

A mesma mensagem foi-lhe de novo comunicada pouco tempo depois, sendo a última vez que um desses recados lhe foi participado em termos orais.

No ano seguinte iniciou-se no espiritismo, participando em sessões mediúnicas. No decurso de uma delas, numa presença que atribuiu à pessoa da sua falecida irmã Maria que falecera com três anos, começou a executar desenhos automáticos. Dessa vez foi por escrita automática, e por sua própria mão, que recados começaram a ser-lhe entregues: “As vozes que ouviste falavam a verdade: um dia serás pintor”.

Algum tempo depois novo recado lhe é ditado:

“Hoje não se trata de desenhos, mas de pinturas. Não tenhas receio e segue os nossos conselhos. De facto serás pintor e as tuas pinturas serão analisadas pela ciência. De princípio acharás ridículo. Seremos nós – através das tuas próprias mãos – que executaremos. Não procures compreender. Sobretudo, deves seguir os nossos conselhos. Antes de mais vamos-te indicar por escrito o nome dos pincéis e das cores que irás comprar na loja do Senhor Poriche, em Lillers. Vais lá comprar e encontrarás tudo aquilo de que necessitas.”

Lesage fez as compras indicadas e iniciou a tarefa. Nova mensagem:

“Agora vais trabalhar uma tela”.

Pede a um amigo para lhe encomendar uma pequena tela, mas acaba por receber uma enorme tela quadrada de três metros de lado. Preparava-se para a cortar em pedaços mais pequenos, mas uma outra mensagem dá-lhe parecer contrário:

“Não cortes a tela. Vai acabar por ser executada e tudo acabará em bem. Segue as nossas instruções e nós vamos ocupá-la por inteiro, na perfeição… começa a pintar”.

Deste modo tem início a tarefa de Augustin, que se ocupa com a tela, para ele de dimensões monumentais (que, aliás, ainda hoje está patente na "Colecção de Arte Bruta" da cidade de Lausanne). Deu início à pintura, começando pelo canto superior direito da tela, que levou dois anos a concluir-se.

“…todas as noites pintava, depois de findo o trabalho na mina. Chegava a casa fatigado, mas assim que dava início à pintura, a fadiga abandonava-me imediatamente. O espírito condutor manteve-me, durante três semanas, na execução de um pequeno sector da tela. A minha mão mal se mexia. A minha paciência esgotava-se; o trabalho não avançava. E havia tanto por fazer!”

A partir de Julho de 1913 Augustin Lesage interrompeu o trabalho na mina para se dedicar à tarefa de médium de cura. Dezenas de enfermos afirmam ter sido curados por ele, e conseguiu ser declarado inocente em tribunal pela queixa que dele tinha sido feita em Janeiro de 1914, pelo exercício ilegal da medicina.

Foi depois mobilizado para a guerra, entre 1914 e 1916, época em que continua a desenhar, desta vez postais de correio ilustrados por si. Depois de desmobilizado retoma a pintura que não irá deixar daí em diante e até ao fim da sua vida.

Em 1921 recebeu a visita de Jean Meyer, director da Revue spirite, que se torna imediatamente o seu mecenas, o que permite a Augustin deixar definitivamente a mina em 1923, para se dedicar inteiramente à pintura.

Em 1925 expõe duas telas na “Maison des Spirites”, em Paris, sendo depois organizada a sua primeira exposição pública no Congresso Espírita Internacional, onde se encontra com Léon Denis e com Arthur Conan Doyle. È o começo de uma série de exposições, como a do Salão das Belas Artes (Salão de Outono) em Paris e também o Salão dos Artistas Franceses.

Em 1927 foi convidado pelo Dr. Osty do “Instituto Metapsíquico Internacional”, e solicitado pelo mesmo a apresentar-se no mesmo, que tinha sido fundado em 1920 por iniciativa de personalidades ligadas ao meio científico com o objectivo de estudar os fenómenos paranormais numa perspectiva racionalista.

É ali que Augustin – perante numerosa quantidade de assistentes – executou uma tela de 2 por 1,5 metros e deu início a uma outra de tamanho menor. Dos encontros realizados entre os dois, o Dr. Osty realizará um estudo que foi publicado pela primeira vez em 1928 na “Revista Metapsíquica”.



O episódio egípcio

No fim de 1938 Augustin Lesage pintou uma tela com o título “A Colheita Egípcia”, onde podem observar-se diversas figuras e cenas do antigo Egipto. Desde 1922 que Lesage havia sido informado pelos espíritos:

“…quando pintares as colheitas de trigo no Egipto, a tua viagem ao Nilo estará próxima…”

Efectivamente, a ocasião de fazer essa viagem apresentou-se em 1939 no quadro da associação Guillaume Budé e, no dia 20 de Fevereiro, Lesage e os seus amigos partiram para Alexandria. Uma vez no navio Lesage afirmou que: “…os meus guias revelaram-me que iria encontrar o fresco executado no Egipto antigo, com a representação de cenas das colheitas…”

A estadia começou no Cairo, mas foi no Vale das Rainhas, junto de Lucsor que aconteceu o “milagre” tão esperado. Lesage foi convidado com os seus companheiros de viagem a visitar o túmulo de um egípcio chamado Mena. Qual não foi a estupefacção do grupo ao descobrir, numa das paredes a representação pintada a fresco de uma cena igual à que ele havia pintado, traço por traço, alguns meses antes. Lesage ficou persuadido nesse momento que a pintura fora feita por si, numa encarnação anterior, encarnando a pessoa do pintor Mena.

“…O país que estava visitando era portanto aquele que tanto amara, onde vivi e trabalhei…”

Uma polémica derivou a seguir do fato de o meio espírita e alguns biógrafos terem apresentado o episódio como sendo uma prova irrefutável da mediunidade de Lesage. Baseia-se ela, em grande parte, na afirmação segundo a qual Lessage não poderia ter visto o fresco egípcio antes da partida (com o pretexto de uma descoberta recente). Isso não tem, contudo, fundamento porque essa pintura foi mencionada numa obra a partir de 1905 e reproduzida em várias publicações antes de 1930. De fato, Lesage encontra a pintura como os seus guias espirituais lhe haviam anunciado, mas sem nunca ter dito que não a tinha encontrado alguma vez antes num livro, para depois a copiar para a tela.

Seja como for, isso nada tira ao poder e estranheza das pinturas que executou, nem às suas profundas e sinceras ligações ao Egipto.


O legado de Lesage

Quando faleceu, a 21 de Fevereiro de 1954, deixou perto de 800 telas repartidas por colecções públicas e privadas, a saber:

- Colecção de Arte Bruta de Lausanne (entre as quais a famosa primeira tela que se encontra permanentemente exposta e que foi adquirida em 1963 ;
- Colecção de l’Aracine – Museu de Arte Moderna Lille Métropole;
- "Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris" (da qual uma tela depositada nos "Abattoirs" de Toulouse);
- A USFIPES (União Científica Francófona para a Investigação Psíquica e para o estudo da Sobrevivência) de Paris;
- O "Instituto Metapsíquico Internacional" de Paris.

A obra

«Se as profundezas do nosso espírito escondem estranhas forças capazes de aumentar as da superfície, ou contra elas lutar vitoriosamente, há todo o interesse em captá-las, captá-las primeiro, para submetê-las depois, se for o caso, ao controle da nossa razão»
André Breton, Manifesto Surrealista, 1924.


Os inícios, 1911


Os primeiros desenhos de Augustin Lesage datam das sessões espíritas organizadas em 1911, por ele e pelo seu grupo de amigos, onde é imediatamente classificado como médium. Nessa qualidade recebe mensagens sob a forma de desenhos que assina como “Maria”, nome de sua irmã mais nova, falecida em 1883 com a idade de três anos. Esses desenhos eram totalmente abstractos, com grafias em espirais, por vezes ondulantes. O papel é inteiramente trabalhado em toda a sua superfície, como que “encaixilhado” por tiras planas ou grinaldas. Os fundos aparecem cobertos por pontilhados coloridos. O verde, o negro e as três cores primárias repartem-se em massas equilibradas, sem que nenhuma prepondere sobre as outras. Quando os « espíritos » lhe ordenam de passar à pintura, começa a recobrir a folha com toques de pincel que configuram uma multidão de pontos que vai preenchendo toda a superfície do suporte. Sob a dominante castanho e azul ou castanho e verde lá se reencontram as estruturas espiraladas dos desenhos. Não teria chegado com esta série de composições a fazer mais do que uma dezena de trabalhos, antes de dar início à sua “Grande Obra”.


A primeira tela 1912-1914

Em 1912, quando Augustin Lesage recebeu a imensa tela quadrada de três metros de lado, começa a trabalhar nela como nenhum pintor havia feito antes: pelo canto superior direito e sem nenhum projecto preconcebido do que iria executar de seguida. E explica: “… o espírito manteve-me a trabalhar numa pequena zona quadrada durante três semanas a fio. Trabalhava, em suma, sem nada fazer. Depois dessa fase inicial o desenvolvimento deu-se, o pincel começou a movimentar-se de um lado para o outro, construindo a simetria…” «A primeira grande pintura de Augustin Lesage é uma das mais audaciosas da arte moderna. Sem ser propriamente não figurativa (a figuração, tanto arquitectónica como antropomórfica, é abundante), explora quase todas as possibilidades da abstracção lírica bem como do constructivismo russo numa época em que este último, entre artistas profissionais, se encontra ainda a dar os seus passos iniciais. Ornamental, decorativa, não deixa de corresponder – tal como as obras de Kandinsky – da qual é contemporânea, a uma intenção espiritual. Será que é tão grande a distância entre a teosofia cara ao artista russo e o espiritismo ao qual se encontra ligado o mineiro francês? O primeiro identifica-se com Rudolf Steiner, o segundo com Léon Denis."


O período clássico 1916-1927

Regressado da guerra, Augustin Lesage desenvolve o que lhe tinha aparecido durante a execução da sua primeira tela. A simetria parcial desta última deu lugar a uma simetria total, ordenando-se as composições de ambos os lados de um eixo central, em invenções de carácter monumental que evocam arquitecturas fantásticas. É neste período de anos que Lesage atinge o apogeu da sua carreira de pintor, produzindo trabalhos abstractos de grande formato (em média entre um e 2 metros) constituídos por uma sucessão de motivos repetitivos, que se desenvolvem o mais habitualmente por camadas horizontais, o que pode entender-se como uma alusão ao cenário normal do seu ofício de mineiro. De acordo com testemunhas o ritmo de progressão do seu trabalho é surpreendentemente rápido (« ... a uma embalagem regular e louca, sem pausas para reflectir, como se fosse uma máquina, precisa e sem solavancos…»). Pinta portanto de modo espontâneo, inspirando-lhe os espíritos uma arte ornamental. Usa de preferência as cores puras, com um pincel para cada uma delas, em godés diferentes. Sendo as pinturas quase sempre abstractas podem encontrar-se, no entanto, aqui e ali, minúsculos rostos ou pássaros geometrizados que se aninham no intrincado das construções. A composição não ocupa a totalidade da superfície, recorta-se sobre um fundo único, ostentando cúpulas e torretas.


O aparecimento de figuras 1927-1954

A transição “selvagem” 1927-1930


Nesse ano de 1927 Lesage informou: «os meus guias dizem-me desde há algum tempo que cheguei ao apogeu do meu primeiro apostolado, e que devo entrar na segunda fase do mesmo». Com efeito, a mudança dá-se, de forma nada menos que brutal, uma vez que, ocupando a tela até chocar com os seus limites, formas redondas e ovais parecem inchar e irromper como que livres do constrangimento das linhas limite e desabrocham em plumagens esplendorosas, reforçadas por pinceladas que fazem pensar no estilo inicial de Lesage, orgânico, tal como dera início à sua primeira tela. Agora, porém, são numerosas formas de pássaros que surgem, rostos cada vez mais presentes que chegam a ocupar o próprio centro das telas. Os tons puros rarefazem-se para dar lugar aos avermelhados, castanhos e malvas. A breve trecho, esses elementos “naturais” virão inserir-se e rodear os tabernáculos simétricos tão caros ao pintor.

O imaginário tradicional 1930-1954

Seguir-se-ão as reproduções de imagens de origens diversas destinadas a adornar as composições de forma mais ou menos feliz, mas retirando-lhe a força essencial e simbólica. O Egipto é a origem principal dessas imagens (mesmo omnipresente entre 1935 e 1942), mas também se conta um número importante de motivos cristãos e algumas referências ao Médio Oriente.

Os ornamentos 1930-1954

No entanto, paralelamente ao desenvolvimento das figuras, Augustin Lesage continua a pintar composições decorativas puras abstractas, mas menos espectaculares que as anteriores (de 1927), porque mais densas e estereotipadas. Tornam-se brilhantes por voltas de 1936, pelo uso quase exclusivo de tons puros. Empastamentos suaves realçam os pontos de cor aplicados aqui e ali, reforçando o preciosismo e prenunciando as pinturas de Crépin. As repetições de mandorlas e rosáceas (formas femininas por excelência) tornam-se cada vez mais sistemáticas. Sofrendo da vista, enfraquecido pela idade, Lesage tem de resignar-se a depor os pincéis no ano de 1952, menos de dois anos antes da sua morte. Mediante o espiritismo, Augustin Lesage terá conseguido a proeza de criar, sem nenhuma espécie de formação, uma obra de pintura que acompanha, e mesmo antecipa três dos mais importantes movimentos artísticos do século XX: A Arte abstracta (admite-se geralmente que a primeira obra não figurativa da arte ocidental é uma aguarela de Kandinsky de 1910, e o Quadrado Negro de Malévitch data de 1915) ; o surrealismo (as primeiras experiências de criação “automática” não têm o seu início senão depois de 1917 e a Art brut (cuja designação e fundamentos não aparecerão senão em 1945).


A Arte mediúnica

Por vezes os estados de transe e de comunicação com o Além conduzem certas pessoas à criação. Dizem-se “guiadas” naquilo que fazem, na condição de médiuns, como foi o caso de Augustin Lesage. Oriundos de meios modestos de camadas populares, frequentemente ligadas ao espiritismo, integraram uma parte importante da “l’Art brut” dado que alimentam o seu processo criativo fora de qualquer influência artística. Há um grande número de figuras desse tipo, como, por exemplo:

- Madge Gill (1882-1961)
- Raphaël Lonné (1910-1989)
- Hélène Smith (1861-1929)
- Laure Pigeon (1882-1965)
- Etc.


* -> Vejam mais sobre Augustin Lesage :

- no artigo na Enciclopédia Wikipédia -
http://pt.wikipedia.org/wiki/Augustin_Lesage -

- no artigo de Luisa Victória Pessoa de Oliveira, na Revista Proa , nº 01, vol. 01 -
Mediunidade e psicopictografia: reflexões preliminares acerca da pintura mediúnica
- (http://www.ifch.unicamp.br/proa)

- Neste website (em inglês) com alguns de seus incríveis quadros -
http://emilypothast.wordpress.com/2009/06/23/augustin-lesage-french-1876-1954/


Augustin Lesage. Symbolic Composition of the Spiritual World, 1925.

 

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