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Dente de ancestral humano indica que ele já cozinhava

 

 



27/09/2011

Dente de ancestral humano indica que ele já cozinhava.

Hominídeo de 1,8 milhão de anos não tinha molar forte para triturar comida. Uso do fogo para alterar alimentos facilitou o acesso a calorias e fez cair tempo que era gasto com mastigação


RICARDO BONALUME NETO
DA FOLHA DE SÃO PAULO


O primeiro cozinheiro da humanidade pode ter sido um ancestral que viveu há 1,8 milhão de anos, o hominídeo da espécie Homo erectus.

Os indícios dessas habilidades gastronômicas são indiretos. Foram identificados por pesquisadores da Universidade Harvard por meio da comparação de características como tamanho dos dentes molares e massa corporal de 14 espécies, entre hominídeos, chimpanzés, gorilas e seres humanos modernos.

Por trás do estudo está a ideia de que a redução no tamanho dos molares dos seres humanos ao longo da evolução está associada ao cozimento, que amacia a comida e exige menos esforço biomecânico dos dentes.

Um dos pontos comparados foi o tempo de alimentação do homem em relação ao de outros primatas.
Trata-se do tempo que se leva para mastigar e engolir a comida, sem contar o que se gasta para consegui-la, diz um dos autores do estudo, Chris Organ, de Harvard.

Grandes animais têm maiores necessidades calóricas e passam mais tempo comendo. Um chimpanzé passa 37% do tempo se alimentando. Os cálculos da equipe indicaram que um ser humano deveria passar 48% do tempo comendo. Na verdade, gasta apenas 4,7% do tempo com isso.

"Os humanos são capazes de gastar menos tempo se alimentando porque usam o cozimento para extrair mais calorias da comida", escreveram os pesquisadores na última edição da revista científica americana "PNAS".

"Comer carne traz um monte de calorias, mas comer carne cozida e processada traz ainda mais", diz Organ.

É aí que entra o tamanho dos dentes. Isso porque, até certo ponto da trajetória evolutiva humana, a relação entre tamanho do corpo e tamanho dos dentes seguia o padrão visto em chimpanzés em outros primatas. Ou seja, o tamanho dos molares dependia basicamente do tamanho do hominídeo e de sua alimentação.

Com o Homo erectus, essa relação se quebra. O hominídeo tem dentição muito menor do que a esperada para um primata de seu tamanho, mostra a comparação.

Isso sugere que seus dentes já não eram tão exigidos quanto o de seus ancestrais, provavelmente porque já cozinhava os alimentos.

Um dos autores do estudo, Richard Wrangham, especialista em comportamento de chimpanzés, é conhecido por um best-seller em que defende a tese de que cozer os alimentos foi um passo fundamental na evolução humana. Trata-se do livro "Pegando Fogo" (Editora Zahar, 2010).

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2308201101.htm

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