Espiritualidade e Sociedade



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A participação da comunidade brasileira e dos espíritas no Japão no socorro as vítimas do terremoto/tsunami



17/04/2011


Brasileiros fazem contribuições: situação em cidades ainda é precária.

Dia 11 de abril fez 30 dias da maior tragédia natural do Japão dos últimos 140 anos.

A comunidade brasileira continua contribuindo com as vítimas da tragédia do grande terremoto de Tohoku-Kanto e do tsunami. Várias iniciativas de grupos, entidades, associações, empresas e voluntários anônimos se esforçam em oferecer doações de produtos e assistência.

Nos dias 9 e 10, brasileiros de diversas partes do Japão foram levar solidariedade e doações para as cidades mais afetadas na região de Miyagi.


Endo Kenji, vice-prefeito de Minami Sanriku recebe as doações de brasileiros

No abrigo central da cidade de Minami Sanriku-cho, a Embaixada do Brasil em Tóquio através da primeira secretária e chefe do setor de comunidades, Patrícia Côrtes, entregou 200 bicicletas de adultos e 2.000 litros de álcool para o vice-prefeito da cidade, Endo Kenji, doadas pela Petrobrás, Vale do Rio Doce, Banco do Brasil e Banco Itaú.

O vice-prefeito ficou sensibilizado com a entrega e agradeceu a ajuda que está chegando de toda parte do país. Outras 100 bicicletas para crianças foram entregues no abrigo central da cidade de Ishinomaki.


Brasileiros participam da entrega de doações para cidade de Minami Sanriku


Carlos Shinoda, presidente do CRBE (Conselho de Representantes Brasileiros no Exterior), Adalberto Prado de Morais, da Associação de Divulgadores Espírita do Japão e Lilian Hatano entregaram material escolar e brinquedos para crianças, doados por brasileiros de Nagóia e Toyota (Aichi), Nara, Kyoto, Tsurumi (Kanagawa) e de várias cidades de Nagano. Cerca de 1.000 cadernos foram arrecadados.



Silvio Mukudai em Minami Sanriku: muitos ainda precisam do básico


Outro grupo vindo de Nagóia foi para Minami Sanriku-cho, Ishinomaki e Sendai e distribuiu alimentos, água e produtos de higiene pessoal para várias famílias que ficaram em suas casas e não foram para abrigos, apesar da falta de energia elétrica, gás e água.

Os produtos foram doados por alunos da escola ATEC e pela agência do Banco do Brasil de Nagóia. Mesmo após trinta dias do terremoto e do tsunami, para várias famílias que estão nas cidades mais afetadas falta comida, água potável, roupa e produtos de higiene pessoal.


LIÇÃO DE VIDA

Mas a grande maioria dos moradores diz que não vão sair da cidade e querem reconstruir tudo. Apesar da situação de total calamidade, onde houve perda de milhares de vidas e toda infraestrutura foi afetada, os sobreviventes já estão olhando para o futuro e acreditando na retomada da vida e muito trabalho. Silvio Mukudai, voluntário de Aichi, disse que nas conversas com os moradores durante a entrega das doações não houve nenhuma queixa ou lamentação e todos mostraram uma grande gratidão pela ajuda dos brasileiros. “A palavra mais falada no final de cada conversa era: gambarimassu!”.

NÚMEROS

Segundo a última apuração da polícia japonesa, o número de mortos por causa do terremoto e do tsunami ocorrido há um mês no nordeste do Japão aumentou para 13.116 enquanto outras 14.377 pessoas continuam desaparecidas.

Nos 2.350 abrigos temporários 147 mil pessoas continuam evacuada, a maioria proveniente das províncias de Miyagi, Iwate e Fukushima, as mais afetadas pelo desastre de 11 de março.
Segundo o jornal Asahi de domingo (10), mais da metade das vítimas identificadas tinha 65 anos de idade ou mais. O fato foi constatado depois que os investigadores checaram a idade de 7.935 pessoas mortas pela onda gigante, cujas identidades foram confirmadas até quinta-feira (7), e perceberam que 4.398 delas, ou 55,4%, tinham mais de 65 anos.

Os idosos representavam 25% da população desta parte do país antes da tragédia. Segundo o jornal “muitos morreram quando o tsunami passou, porque provavelmente não tiveram tempo de fugir ou talvez porque não conseguiam se movimentar sem ajuda”.

Como famílias inteiras foram arrastadas pela água, sem que seu desaparecimento tenha sido reportado às autoridades o balanço deve aumentar, diz a mídia. A destruição de documentos oficiais e a falta de funcionários públicos, muitos deles mortos na catástrofe dificultam ainda mais a contagem e identificação das vítimas fatais.


PREJUÍZO RURAL

Estima-se que mais de 20 mil hectares de terras férteis do nordeste do país que sustentavam povoados inteiros foram perdidos após o tsunami. Outro agravante é a proibição de cultivar em solos com alta radiação devido ao acidente na usina nuclear de Fukushima Daiichi. O comércio de leite e verduras está limitado em quatro províncias.

As autoridades decidiram que todo terreno que tenha uma radioatividade superior aos 5 mil becquerel por quilo não está adequado para o cultivo. A venda de todo o arroz que supere os 500 becquerel está proibida. Os agricultores afetados por estes novos padrões deverão ser ressarcidos pela Companhia de Eletricidade de Tóquio (TEPCO).

De acordo com o Ministério da Agricultura, além dos problemas com a radiação, o tsunami levou para os mais de 20 mil hectares inundados um manto de sal que tornou as áreas impróprias para a produção agrícola. Os produtores rurais temem não conseguir quitar as dívidas contraídas antes da colheita.

Adalberto Prado de Morais
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