Espiritualidade e Sociedade



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Nova História do Espiritismo - dos precursores de Kardec a Chico Xavier

 



17
/10/2010


O livro Nova História do Espiritismo - dos precursores de Kardec a Chico Xavier está sendo relançado pela Editora do Conhecimento.

A nova edição foi revisada e ampliada pelo autor a partir da última edição feita em 2007 ganhando novos textos e uma atualização cronológica entre 1733 e 2010.


Diferente da obra clássica de Arthur Conan Doyle, essa nova historiografia avança no tempo e atualiza os principais fatos desde a publicação feita pelo famoso escritor inglês. Passaram-se mais de 150 anos, o movimento espírita tomou novos rumos, surgiram tendências, as divergências e a constante busca da convergência unificadora. Essa segunda parte da história não foi contada por Conan Doyle e nem poderia, já que a maioria dos acontecimentos marcantes ainda estava por vir e bem distante daquele contexto eurocêntrico da Belle Époque.

O Espiritismo praticamente desapareceu da França e explodiu no Brasil como opção religiosa de milhões de adeptos no século 20. Nesse novo capítulo da história espírita mundial o médium brasileiro Chico Xavier torna-se a figura mais expressiva do movimento espírita e sua obra literária brilha como a principal referência em relação a Allan Kardec, sendo transposta para a teledramaturgia e também para o cinema. Chico chega a ser apontado por adeptos mais afoitos como a reencarnação do próprio Kardec, em missão existencial complementar.

A Federação Espírita Brasileira e muitas outras entidades federativas vão assumindo as rédeas da propaganda e das diretrizes do movimento através da ação de inúmeros médiuns e influentes líderes espíritas, de múltiplas concepções e tendências sobre a filosofia espírita.

E finalmente, no início do século 21, o Brasil configura-se como a principal nação espírita do mundo e uma das principais culturas reencarnacionistas do planeta.

A Nova História do Espiritismo é composta de sete tomos (ver abaixo), contemplando não somente a linha cronológica factual, mas principalmente os personagens e questões mais influentes do movimento espírita.

Mais informações : http://site.edconhecimento.com.br/

Sobre o autor


Dalmo Duque dos Santos
, 49 anos, reside na Baixada Santista e é militante espírita desde o final da década de 1970. É professor de ensino fundamental e médio na rede pública paulista e de ensino superior na rede privada. É graduado em História, Pedagogia e fez mestrado na área de Comunicação e Cultura. O autor mantém desde 2007 na internet os blogs “ Observador Espírita” , “Espíritos nas Escolas” e “Nova História do Espiritismo”.


http://observadorespirita.blogspot.com

http://espiritosescolas.blogspot.com

http://historiaespiritismo.blogspot.com

 

Index

Introdução – Construindo uma História Espírita

Livro I – O ENCONTRO DOS MUNDOS
- A Tradição e o Dogma - O Tráfico e a Traição - O Investigador - Mesas que giram e falam - As Inteligências do Além - O Medo da Morte. – A Iniciação e o Erro - Cinco Encontros “casuais”- Zéphyr e a Evocação de Sócrates- Contra o Totalitarismo- Apóstolos da Idéia - A Fúria do Clero - O Auto-de-fé na Espanha - A Maçonaria - O Socialismo - As pedras vão falar - Mudanças à Vista - O perigo da clericalização - Evangélicos e Protestantes.

Livro II – UM SÉCULO PERIGOSO
- A Cidade-Luz - Uma Época de Desencanto - Deus e o Super-Homem - O Declínio da Igreja - O Espiritismo banido da História.

Livro III - A RAZÃO E A BÍBLIA
- A Palavra de Deus - O Terceiro Testamento - Os vivos e os mortos - O Espírito Verdade - A Identidade do Espírito - Espiritismo e Esoterismo - O Pentateuco Kardequiano - A Base Doutrinária: O Livro dos Espíritos - A Prova Científica: O Livro dos Médiuns – A Moral: O Evangelho segundo o Espiritismo - A Justiça Divina: O Céu e o Inferno - As Origens e o Destino: A Gênese.

Livro IV – O MOVIMENTO ESPÍRITA
- Os Seis Períodos do Espiritismo - A “Revue Spirite” - A Sociedade Espírita de Paris- Quem eram os Espíritas – Estatística do Espiritismo - Da França ao Brasil - A Falange de Benoît-Jules Mure - João do Rio e a Federação - Semelhanças e Diferenças - Kardec “Espírito” se comunica - Os Puros e os Impuros - O problema do Sectarismo - Quem somos? Para onde vamos?

Livro V - OS APÓSTOLOS DO CRUZEIRO
– O Apóstolo de Sacramento - O Bandeirante do Espiritismo - O Médico dos Pobres - O Guia Ismael e a Trindade “Deus, Cristo e Caridade” - Anália Emília Franco.

Livro VI – A ERA CHICO XAVIER
- Nos tempos do Comandante - A Revolução Andragógica – Existe uma pedagogia espírita? - Armond e a Revolução Assistencial - O Ideal de Fraternidade - Da FEESP à Aliança - O Ideal de Unificação - As Controvérsias Doutrinárias - O Apóstolo de Uberaba.

Livro VII – O FUTURO DO ESPIRITISMO
– O Meio e a Mensagem - O Triunfo de Tomé - A Fé Raciocinada - A Busca da Verdade – O Reconstrutor da Fé - Imagens e Palavras - Católicos, Protestantes e Espíritas - O Espiritismo e a Nova Humanidade – A Educação Social Espírita – Espiritismo e a Pós-Modernidade. A Degeneração do Espiritismo



Construindo uma história espírita


Pierre-Gaetan Leymarie, Arthur Connan Doyle, Canuto Abreu e J. Herculano Pires


Escrever uma história do Espiritismo implica remover alguns obstáculos que estão além da capacidade de síntese e conhecimento dos principais fatos da memória do movimento espírita.

Quando Allan Kardec publicou o texto “O que deve ser a história do Espiritismo”, ele nem imaginava que, ao invés de contribuir para o estabelecimento de diretrizes historiográficas, o seu inesquecível artigo da Revista Espírita causaria no futuro, entre os intelectuais espíritas, um enorme receio quanto à responsabilidade de assumir essa tarefa. Desencarnado, continuou tendo a mesma opinião acerca desses critérios, segundo indica o conteúdo da mensagem mediúnica inserida em Obras Póstumas por P.G. Leymarie, como complemento do texto “Os desertores”.

Por que tanto receio? É simples: a historiografia é essencialmente ideológica e isso faz com que todos os trabalhos sejam suspeitos quanto à imagem tradicional e idealizada de neutralidade científica que deveria ter o historiador. E aqueles que se dispõem a produzir tal conhecimento acabam tornando-se referências e paradigmas, sejam como modelos ou como alvos de críticas, ainda que de natureza filosófica.

Conan Doyle, por exemplo, procurou ser imparcial e concentrou-se no aspecto fenomenal, a fase primitiva do movimento, colocando Kardec e a filosofia espírita num segundo plano. Não cometeu nenhum erro, mas simplesmente seguiu uma tendência de sua época, bastante atingida pelo ceticismo e pelo etnocentrismo cultural europeu e britânico. Seu grande mérito foi o pioneirismo e até hoje, após 80 anos, sua obra continua sendo uma grande referência, como foi anotado por seu tradutor brasileiro, Júlio Abreu filho: “Pode-se dizer que é a única História do Espiritismo surgida até agora. Fora dela o que apareceu até aqui não passa de estudo limitado no tempo e no espaço e que, de forma alguma pode emparelhar-se com o presente volume, onde, além da história descritiva, se encontra, realmente, muito da filosofia da história do Espiritismo”.

Canuto Abreu produziu textos interessantíssimos sobre as raízes da doutrina e do Codificador e, a partir disso, gerou-se uma grande expectativa sobre suas descobertas documentais, realizadas antes da II Grande Guerra, na sua famosa visita a Maison des Spirites. Da propaganda da sua vasta pesquisa permaneceu no ar a curiosidade pelas revelações históricas e a promessa de uma síntese. Seu trabalho biográfico sobre Bezerra de Menezes tinha, na verdade, a clara intenção de contar a história do movimento espírita brasileiro, mas recebeu dele mesmo apenas o tímido status de “subsídios”.

J. Herculano Pires - outra grande esperança – vasculhou quase tudo a respeito da doutrina, a ponto de ser definido pelo Espírito Emmanuel como “o melhor metro que mediu Kardec”. Sua introdução histórica em “O Espírito e o Tempo” e “Curso Dinâmico de Espiritismo”, bem como outros inúmeros textos sobre o assunto, embora de grande valor referencial, permanecem soltos e dispersos, carentes de uma unidade. Ele tinha condições intelectuais de sobra para realizar essa empreitada, mas receava, possivelmente, por não se considerar um “especialista”, estar se precipitando no tempo e ser mal interpretado pelos próprios companheiros de ideal.

Também as inúmeras biografias e cronologias sobre os grandes vultos e acontecimentos espíritas, igualmente valiosas como fontes, não conseguiram preencher essa lacuna. São reportagens curiosas, ricas em fatos, porém, falta nelas a literatura do especialista, o texto do autêntico historiador, do “métier”, conhecedor do ambiente acadêmico e iniciado no espírito da “filosofia da história”. São essas marcas que geralmente encontramos nas grandes obras do gênero e nas múltiplas tendências da historiografia, porém ainda ausentes na produção espírita.

Allan Kardec, pela sua magnífica inteligência, ampla formação cultural e também pela sua experiência na manipulação seletiva de fontes, embora não freqüentando os bancos de um curso de História, possuía forte potencial para o ofício de historiador. Mas, no caso dele, era preciso realmente continuar sendo cauteloso, pois na sua época ainda circulava nos meios intelectuais a obra influente de Michelet e fazia grande sucesso o estilo demolidor de Ernest Renan e dos seus pares da Alta Crítica da Bíblia. Sem dúvida, o grande legado de Kardec permaneceu guardado nas páginas da sua “Revista Espírita”, principal fonte da memória dos primeiros períodos do Espiritismo.

Este tem sido o tratamento que vem sendo dado à história do Espiritismo: muitas promessas, algumas tentativas, incontáveis ensaios, o medo persistente de assumir essa grande responsabilidade de satisfazer as expectativas deixadas pelo Codificador e o olhar atento dos críticos e dos inimigos da Verdade.

Com certeza, não tratamos aqui de tudo o que representa o universo do Espiritismo e do seu movimento social, nem conseguimos responder plenamente todas as questões que o assunto levanta. Seguindo o exemplo dos nossos antecessores, fornecemos somente mais alguns “subsídios” para entendermos as origens e os rumos que o movimento espírita vem tomando.

Tanto o leitor espírita quanto o não iniciado vão perceber que muitas informações citadas são da esfera do conhecimento revelado, combinado com as chamadas informações científicas, que são de maior facilidade de comprovação material. Não temos essa pretensão científica, nem tal interesse, porque muito já foi escrito e comprovado nesse setor, restando apenas o problema ideológico da aceitação pessoal ou não dos fatos. A revelação é, portanto, não somente um problema de caráter lógico, de ciência, mas também de foro íntimo e psicológico. A pesquisa histórica é uma atividade essencialmente científica, mas a historiografia vai além dos instrumentos técnicos da coleta de informações e da organização de dados; ela é a síntese do conhecimento histórico e sua elaboração ocorre sob o efeito intelecto-emocional da expressão literária. A pesquisa é o meio e a historiografia é o fim; a pesquisa é a técnica e o método de acesso seguro, pelos documentos, aos portais da memória; a historiografia é a arte narrar essas revelações do tempo passado. Não foi por outro motivo que os gregos atribuíam aos historiadores a tarefa de imortalizar os fatos, os heróis e seus atos, sob a proteção e inspiração da titã Mnemósine e da sua filha Clio.

Outra característica que leitor vai perceber também é uma grande quantidade de citações (algumas muito extensas), em todos os capítulos. São documentos[1] que dão melhor autenticidade aos fatos narrados e facilitam a comparação das idéias. Mesmo assim, apresentamos um texto mais objetivo e didático; e nas entrelinhas, o enfoque idealizado da doutrina como marcas pessoais do autor. Como se sabe, não existe historiografia e historiadores totalmente imparciais e neutros, daí a ênfase em alguns assuntos e personagens que falam mais alto e esta forma de entender e praticar essas idéias.

Conhecemos as virtudes da obra, que são as virtudes dos fatos e dos personagens, porém desconhecemos muitos dos seus defeitos, que certamente são os nossos. Assim, as opiniões e críticas serão sempre contribuições enriquecedoras, mesmo porque este trabalho continuará sempre em processo de construção, como a própria história do Espiritismo.

Dalmo Duque dos Santos

http://historiaespiritismo.blogspot.com/2008/03/construindo-uma-histria-esprita_16.html


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