Espiritualidade e Sociedade



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Simpósio Internacional Mente-Cerébro



01
/10/2010


I Simpósio Internacional Explorando as Fronteiras da Relação Mente-Cérebro

De 24 a 26 de setembro de 2010 foi realizado em São Paulo, no Centro de Convenções Rebouças, o 1º Simpósio "Explorando as Fronteiras da Relação Mente-Cérebro", o qual reuniu vários pesquisadores de renome internacional.

O simpósio foi organizado pela Disciplina de Emergências Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, pelo Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora, e contou com a parceria do Instituto Pinus Longaeva e o apoio da Associação Brasileira de Neurociência Clínica - ABRANEC -, e a Associação Brasileira de Medicina de Emergência - ABRAMEDE.

O Simpósio teve como principal objetivo discutir as relações entre mente e cérebro sob duas perspectivas: científica e filosófica. Foram debatidas uma série de questões relevantes na pesquisa científica sobre o problema mente-cérebro, mas normalmente negligenciados no debate acadêmico, destacando-se a discussão sobre a "consciência" e os processos cerebrais, as experiências de quase-morte e sua relação com o tema mente-cérebro, novas perspectivas de pesquisa no campo da física e a questão da espiritualidade no campo da pesquisa científica.

 

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Os organizadores apresentaram o Simpósio e suas intenções no parágrafo abaixo:

Descobertas em neurociência e em particular em neurotecnologias têm fornecido uma janela única, através da qual nós podemos vislumbrar o intrincado trabalho do cérebro humano. Tecnologias, tais como tomografia cerebral usando emissão de pósitrons e Ressonância Nuclear Magnética Funcional têm nos capacitado para monitorar e entender áreas cerebrais ligadas às emoções, sentimentos e pensamentos. Ainda que essas tecnologias tenham evoluído, elas também têm mostrado as limitações fundamentais que atualmente existem em nosso entendimento da mente humana; especialmente, em que bases consistiriam a natureza da relação entre o cérebro e a mente? O que nos torna humanos e nos fornece qualidades e habilidades para que possamos nos distinguir dos outros seres? O Simpósio apresenta como principal objetivo discutir as relações entre mente e cérebro sobre duas perspectivas: científica e filosófica.


As Palestras programadas contaram com os seguintes conferencistas:

1) Na sexta-feira, 24 de setembro, o Simpósio abriu com a seguinte conferência:
Ciência e Mente: análise empírica e filosófica do cartesianismo e do materialismo reducionista
Robert Almeder, PhD (EUA)

Professor Emérito de Filosofia na Georgia State University. Doutorado em filosofia pela University of Pennsylvania e pos-doutorado pela Stanford University. Autor de mais de 80 artigos publicados em periódicos acadêmicos e dezenas de livros.
Resumo:
Foi feita uma análise empírica e filosófica do cartesianismo e do materialismo reducionista. Questiona as promessas do materialismo reducionista e da ciência cognitiva de proporcionarem explicações adequadas do comportamento humano.



2) No sábado o longo dia de trabalho do simpósio abriu com a conferência do professor Saulo de Freitas com uma forte crítica analítica das teorias materialistas, o que predominou durante todo o simpósio.
Análise das teorias materialistas da mente
Saulo de Freitas Araujo, PhD (Brasil)

Professor adjunto do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Graduação em Psicologia pela UFJF, mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos UFSCar e doutorado em Filosofia pela Unicamp. Pesquisa na área de História e Filosofia da Psicologia, com ênfase em evolução do projeto de uma psicologia científica e o problema mente-cérebro na filosofia e na psicologia.

Vale pinçar algumas observações da conferência do professor, a destacar na sua crítica a incorporação aparentemente natural do materialismo nas academias universitárias.
O professor realçou várias vezes que o materialismo carece de base científica, e que o materialismo científico não é uma teoria científica, ou melhor, o materialismo é uma doutrina metafísica.

"O materialismo não é uma consequencia lógica das pesquisas científicas, o materialismo não é uma teoria científica, é uma teoria metafísica!"
"Não há uma ligação lógica entre ciência e materialismo, o materialismo é um mito".
Saulo de Freitas Araújo

Resumo:
A partir do desenvolvimento das novas neurotecnologias para estudar o funcionamento cerebral na segunda metade do século XX, uma nova onda de entusiasmo pelas explicações materialistas dos fenômenos mentais invadiu os departamentos de filosofia e psicologia em todo o mundo. O ponto culminante de todo esse entusiasmo foi a aposta na assim chamada “década do cérebro” nos anos 1990. Entretanto, uma análise mais detalhada dos argumentos apresentados por esses novos materialistas revela um padrão recorrente de analogias e metáforas, além de uma velha estratégia retórica de se apelar para um futuro distante, no qual todos os problemas serão resolvidos. O presente trabalho pretende mostrar que essas novas formas de materialismo repetem argumentos já desgastados da velha tradição materialista dos séculos XVIII e XIX. Finalmente, será oferecida uma interpretação para o eterno retorno do materialismo.



3) 
O professor Mario Bearegard apresentou sua conferência, a qual teve muito boa repercussão, tanto pela apresentação como pelos longos aplausos.
O Cérebro, a mente e experiências transcendente
Mario Beauregard, PhD (Canadá)

Professor associado de pesquisa, Departments of Radiology and Psychology
Centre de recherche en sciences neurologiques (CRSN)
University of Montreal
Autor de mais de 100 publicações em neurociência, psicologia e psiquiatria. Foi selecionado pelo World Media Net (2000) para estar entre "Os cem pioneiros do século 21". Seu trabalho inovador na neurobiologia da regulação emocional e das experiências transcendentes tem recebido atenção da mídia internacional.
http://www.mapageweb.umontreal.ca/beauregm/index_en.htm


Ele recentemente lançou The Spiritual Brain (já lançado em português) e co-editou "Consciousness, Emotional Self-Regulation and the Brain (Advances in Consciousness Research)" coletânea na qual escreveu o capítulo "Neural Basis of Conscious and Voluntary Self-Regulation of Emotion".

Em sua conferência tratou dos pressupostos metafísicos da ciência clássica; do questionamento "mente e consciência são idênticos a cérebro?"; análise crítica das falhas nas teorias materialistas; da influência da atividade mental na atividade cerebral; da neurociência da transcendência; e finalmente apresentou uma série "cases".

Para o professor Beauregard os "estados subjetivos não podem ser reduzidos a estados cerebrais". Os humanos não são robôs biológicos e já há provas de mudanças eletroquímicas por oração e meditação. Na relação Psyche and nature, a parte psíquica não pode ser reduzida ao mundo físico. O cérebro pode ser apresentado como um duto transmissor de informação.

Resumo:
Sua apresentação visa revisar os dados que sugerem um papel do lobo temporal em experiências transcendentais. A possibilidade de induzir experimentalmente essas experiências, estimulando o lobo temporal com fracas correntes eletromagnéticas são analisadas. São também discutidos os resultados dos estudos de neuroimagem de Experiências Trancendentais realizados até o presente, bem como a implicação desses resultados com relação ao problema mente-cérebro.




4) Logo depois do almoço tivemos como sequencia a conferência do professor Chris Clarke.
Física sem colapso, mecanicismo e espiritualidade
Chris J. S. Clarke, PhD (Inglaterra)

Professor visitante de matemática aplicada e ex-diretor da faculdade de matemática da University of Southampton (Reino Unido). Pesquisava originalmente nas áreas de relatividade geral, cosmologia e física do cérebro humano. Desde 1999 tem enfatizado investigações interdisciplinares. Recebeu mais de 600 citações em artigos científicos computados no Web of Science. Recentemente publicou os livros Ways of Knowing (Academic Press) e Weaving the Cosmos (O-books).


Consciência - What is that? - O professor Clarke procurou trazer argumentos para um dualismo alternativo e discutir critérios para consciência.

Resumo:
O paradigma científico mecanicista é baseado em idéias que pouco se transformaram ao longo dos últimos 80 anos. Nesta visão dominante, o universo, incluindo os seres humanos como partes irrelevantes deste, é uma máquina um tanto vacilante. Suas engrenagens giram de modo bastante previsível de um momento para o outro, perturbado apenas ligeiramente por momentos de “colapso quântico” aleatório, tido como inteiramente explicado por Niels Bohr em 1927. Qualquer fenômeno que não se encaixe nesta descrição é, ou desqualificado, ou atribuído a um “fantasma na máquina” cartesiano cujas ações são quase igualmente mecanicistas e cuja relação com a matéria é impenetrável. Hoje, porém, podemos vislumbrar uma visão mais coerente. A cosmologia quântica em conjunto com a teoria da decoerência de Giulini, Zeh et al. desmantelaram a noção de colapso Bohr e chamam a atenção para a forma como a natureza do saber humano influencia o modo pelo qual o universo se mostra para nós. Inversamente, as idéias de Heidegger têm influenciado o desenvolvimento recente da lógica quântica. Uma visão mais sofisticada da natureza da experiência humana está sendo elaborada a partir de tradições e experiências espirituais. Todos estes aspectos apontam para uma investigação mais radical das questões em que a lógica rigorosa é conjugada com uma maior abertura para o nosso espaço interior.



5) Ainda no sábado a tarde houve a conferência do professor Stuart.
Os processos quânticos cerebrais fornecem explicações científicas plausíveis para a consciência e a alma Stuart Hameroff, MD (USA)
Professor dos Departamentos de Anestesiologia e Psicologia
Diretor do Centro de Estudos da Consciência
Universidade do Arizona, Tucson, Arizona

O professor procurou tratar das possibilidades de superação do dualismo reducionista mente-matéria - matéria-mente. Para Stuart Hameroff a "consciência se move através do cérebro".

Resumo:
A maioria das concepções de como o cérebro produz a mente consciente considera apenas a computação entre neurônios cerebrais. Porém, a teoria Orch OR (Redução Objetiva Orquestrada) de Penrose-Hameroff propõe que a consciência depende de computações quânticas menores e mais rápidas, que ocorrem em microtúbulos no interior dos neurônios, associando a consciência ao nível mais básico do universo – à geometria fundamental do espaço-tempo na escala de Planck. Penrose propôs também que a consciência seria guiada por informações platônicas na geometria da escala de Planck. Na qualidade de processo no tecido do universo, a consciência quântica fornece uma explicação científica plausível para a espiritualidade – interconexão através do entrelaçamento, sabedoria cósmica acessível baseada na geometria da escala de Planck, e a possibilidade de vida após a morte e da reencarnação.


6) O professor Peter, pesquisador de renome internacional, abriu as conferências de domingo
Experiências de quase morte e relação mente-cérebro
Peter Fenwick, MD (Inglaterra)
Neuropsiquiatra, Fellow do Royal College of Psychiatrists

Detaca-se na apresentação de Peter Fenwick a apresentação do século 21 como uma renascença espiritual, além da informação de que a espiritualidade já é estudada de alguma forma como matéria em mais de cem faculdades de medicina pelo mundo. Na área específica das experiência de EQM o professor insistiu que todos procurem saber mais sobre as recentes pesquisas de Tony Parsons na área.

Resumo:
Serão apresentados os principais achados das pesquisas já realizadas em experiências de quase morte, bem como sobre outras experiências relacionadas ao final da vida. Serão discutidas as principais explicações propostas para estas experiências e suas implicações para o problema mente-corpo.



7 )
O professor Erlendur trouxe o tema da reencarnação ao simpósio
Casos Sugestivos de Reencarnação e Relação Mente-Cérebro
Dr Erlendur Haraldsson, PhD (Islândia)

Professor Emérito de Psicologia – Universidade da Islândia. Professor visitante da Universidade de Freiburg (Alemanha) e da Virginia (EUA).
Mais de 200 artigos publicados principalmente sobre testes psicológicos, sugestionabilidade e experiências espirituais. Investigou e realizou testes psicológicos em mais de cem casos de crianças que referem lembrar episódios de uma vida passada. Autor de cinco livros traduzidos para vários idiomas.
http://www3.hi.is/~erlendur/english/index.html

O professor apresentou uma série de slides e pequenos vídeos trazendo alguns casos de estudo profundo sobre o tema - o link logo acima do professor indica uma série de artigos e pesquisas disponíveis de seus trabalhos.

Resumo:
A palestra abordará casos sugestivos de reencarnação e suas implicações para a compreensão do problema mente-corpo. Serão apresentados relatos detalhados de alguns casos investigados pelo conferencista e descritas as tentativas de verificar / falsear as declarações feitas pelas crianças. Será apresentado um panorama das características gerais destes casos que emergiram gradualmente a partir de estudos de casos em vários países e culturas. Por fim, serão analisadas as implicações destes achados para o problema mente-corpo.


8) A última conferência do simpósio foi do psiquiatra brasileiro Alexander Moreira-Almeida, que vem realizando trabalho pioneiro na área da psiquiatria e da mediunidade no Brasil, com repercussão internacional.
Pesquisas sobre experiências mediúnicas e relação mente-cérebro
Alexander Moreira-Almeida, MD, PhD (Brasil)

Professor Adjunto de Psiquiatria e Semiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF
Residência e doutorado em psiquiatria pela Universidade de São Paulo USP
Pós-doutorado em Pesquisa em Religiosidade e Saúde pela Duke University (EUA)
Diretor do NUPES – Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da UFJF
www.ufjf.br/nupes e www.hoje.org.br/bves


O Dr. Alexander discorreu sobre a busca de um paradigma para a relação mente-cérebro, a necessidade de construir gradualmente este paradigma. Explanou sobre a confusão existente entre "ciência x cientificismo" e voltou a questão da metafísica do materialismo. Colocou a questão da mediunidade, apresentando-a como "útil" para compreender o funcionamento da mente e apontou a importância da retomada de estudos em mediunidade; neste sentido, como estudo de casos, apresentou os médiuns Leonore Piper e Chico Xavier e a série de fenômenos por eles produzidos como fortes evidências que a mente não é redutível ao cérebro.

Resumo:
A Mediunidade, entendida como uma experiência em que uma pessoa (o médium) alega estar em comunicação ou sob influência de uma personalidade de uma pessoa falecida ou outro ser não material, tem estado presente ao longo da história em praticamente todas as civilizações, estando na base de grande parte das religiões. Esta hipótese implica na sobrevivência da personalidade à morte do corpo, o que teria grandes implicações para o problema mente-corpo. Desde o século XIX há uma substancial, mas negligenciada, tradição de investigações científicas sobre a mediunidade e suas implicações para a natureza da mente. Será apresentado um panorama dos melhores estudos realizados já realizados na área, as hipóteses explicativas levantadas e suas implicações para o problema mente-corpo.

 


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