Espiritualidade e Sociedade



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III Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade



16
/07/2010


Especialistas acreditam na atuação de redes sociais e comunicação pacífica para mudanças sociais

 

Para iniciar o III Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, a Carta da Terra serviu de estímulo aos participantes. A jornalista Arcelina Helena Publio Dias, ex-repórter redatora no Jornal do Brasil e no Estado de S. Paulo e autora dos livros a Crônica do Salário Mínimo e Sinais de Esperança, preparou o público para compreender da melhor forma a mensagem dos princípios desse documento e dos assuntos que seriam debatidos a seguir. “Quanto maior nossa liberdade, maior nossa responsabilidade. Não podemos ter medo. Os meios de comunicação denunciam os conflitos. Acho que a mídia poderia apresentar ideias mais positivas, que começam em geral como ações pequenas”, opina.

Após a leitura da Carta, inicia o primeiro debate Democracia, não violência e paz, com enfoque na responsabilidade da comunicação em relação à sociedade e o impacto das redes sociais nos novos modelos de comunicação. Participaram: Mona Dorf, mediadora e jornalista multimídia e escreve sobre cultura, diversão e arte; Lucian Tarnowski, idealizador da BraveNewTalent.com, uma plataforma de recrutamento social que constrói comunidades de mídia social aos empregadores; Rigoberta Menchú Tum, indígena guatemalteca do grupo guichê-maia que foi agraciada pelo Nobel da Paz de 1992 por sua atuação na defesa dos direitos humanos; Genival Oliveira Gonçalves, conhecido como GOG, poeta; Débora Garcia, pedagoga e mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense e gerente de conteúdo e novas mídias do canal Futura; Vicent Defourny, representante da UNESCO no Brasil; e Gilberto Puiq Maldonado, geólogo graduado e pós-graduado em sistemas de gestão e empreendedorismo social e gerente de comunicação da Petrobras.  

O jovem de 26 anos ressaltou em sua apresentação as diferentes formas de comunicação, como esses novos tipos de mídia estão influenciando as pautas atuais. “A mídia social é uma realidade, não uma fase. As pessoas jovens entendem melhor essas mudanças, estamos formando uma geração de líderes. Não vivemos agora num mundo sustentável”, pontua. Lucian, homenageado como o mais jovem europeu Young Global Leader (YGL) pelo Fórum Econômico Mundial, comentou que a comunicação saiu do monólogo para o diálogo, com a participação de diferentes atores sociais. Ao invés de competição, o lema da vez é a cooperação para a construção de uma sociedade sustentável. “Nunca tivemos tanta comunicação como agora. A maioria das pessoas é educada para conseguir emprego. Se você mostrar canais de comunicação de massa para fornecer educação, essa relação de emprego também muda. Nós crescemos com celulares e internet, já meus pais tiveram que aprender. Os meus avós são refugiados da tecnologia. Hoje o mercado é marcado pela geração Y.”

Lucian defende nos novos canais de mídia social que ajudam a identificar os líderes sociais. Ele teve uma experiência em reunir mais de dois mil pelo Facebook de mais de 100 países para participarem de uma plataforma e trocarem experiências. O idealizador da plataforma BraveNewTalent.com reforçou a eficácia em educar uma adolescente e seu papel no sucesso da atuação da Girl Effect.
Clique aqui e assista o vídeo sobre a campanha. “Você precisa usar as ferramentas que tem em suas mãos para se tornarem multiplicadores. A internet é poderosa para mudanças.”

O gerente de comunicação da Petrobras falou sobre os modelos de comunicação. A mais usada, segundo o geólogo, é aquela focada na empresa, ou seja, a organização só fala de suas ações. Dificilmente designa departamentos para dialogarem com diferentes stakeholders. “Esse é o modelo que mais gera instabilidade, esse perfil bilateral”. Ao contrário desse modelo, Gilberto fala do formato de rede social, em que a maioria dos jovens está acostumada a trabalhar e as futuras gerações não entenderão o modelo centralizado de comunicação. Temos clareza que a comunicação em sustentabilidade é pelas redes sociais. Imagina combater o aquecimento global apenas com especialistas? Temos que ouvir mais a sociedade. Hoje, na Petrobras, temos vários exemplos. Na comunicação interna, temos o voluntariado como um Orkut e o blog Fatos e Dados para disseminar documentos e decisões importantes a todos.”

Com muita rima, o poeta GOG enfatizou sua fala sobre a importância da democratização dos meios de comunicação, de diferentes atores sociais terem o mesmo espaço dentro da programação de grandes mídias. Ressaltou a ética como um dos princípios da comunicação. Na periferia, o poeta comentou sobre o papel das rádios comunitárias, especificamente no bairro Sobradinho, no Distrito Federal. “Precisamos discutir as diferenças entre informação e notícia.”

Débora Garcia, do canal Futura, falou da área de Mobilização Comunitária, que repassa programas a uma rede de organizações sociais que atuam com essa programação em suas iniciativas. A Cor da Cultura, por exemplo, um projeto educativo de valorização da cultura afro-brasileira com apoio da Petrobras, é responsável por montar um kit e colaborar com orientação escolar e ser distribuída em sete mil escolas. Ela pontuou ainda que o canal consegue realizar sua programação educativa com 30 milhões de reais por ano. A maioria dos programas se dá por produtores independentes e parceria com TVs universitárias de diferentes regiões que ajudam em uma linguagem diversificada.

“Uma boa troca me leva a pensar: informação e relação. Quando se transforma em relação, torna-se em comunicação. Acreditamos que a comunicação faz acontecer com muita liberdade”, sugere Vicent Defourny. O representante da UNESCO no Brasil contou o caso que aconteceu na França, em que um piquenique foi organizado via Facebook e Twitter. As redes sociais colaboram com a multiplicação desse fenômeno, da instantaneidade da comunicação. “Algo simples permite criar grandes mudanças, uma sociedade organizada nova”, afirmou.

Vicent explica que, para o caminho da sustentabilidade, a comunicação precisa estar relacionada com ethos (ética), patos (a emoção) e o logos (a racionalidade). Para ele, é possível tornar um futuro diferente se a sociedade conseguir se comunicar bem, usando princípios da cultura de paz.

Para colaborar com o debate da construção de uma comunicação pacífica, a indígena guatemalteca ressaltou que o indivíduo não pode continuar colaborando apenas como consumista sem pensar em seu impacto local. O mais importante, para ela, é dizer o que está combatendo e ver os efeitos da crise. “Toda nossa atitude é reativa e não preventiva”, alerta.

Para a ativista dos direitos humanos, cada um olha apenas para seu interesse e coloca seus valores da forma que quer. “A gente faz mudanças de acordo com nossa forma de vida, com que pensamos, e como que sentimos. Os jovens que encontro têm uma autoestima muito baixa. Eles não sentem ter espaço para opinar, e sem oportunidades. Se o desenvolvimento não respeita a necessidade da diversidade, não há desenvolvimento. Aí temos uma equidade dividida. O único que temos que salvar é nós mesmos, uma espécie vulnerável. Deixar de pensar como proprietários, mas como vivente”, reflete a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1992.


Serviço:

Confira o site do III Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade:
http://comunicacaoesustentabilidade.com/2010/

Carta da Terra
www.cartadaterrabrasil.org

Vídeo sobre Girl Effect:
http://www.youtube.com/watch?v=WIvmE4_KMNw

Blog Fatos e Dados:
http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/

canal Futura:
www.futura.org.br

A Cor da Cultura, programa educativo do canal Futura:
www.acordacultura.org.br


Fonte: http://www.setor3.com.br

 


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