Espiritualidade e Sociedade



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>    Tese da USP analisa papel do álcool e das drogas na vida de moradores de rua

 


09/05/2010

 

Para a maioria dos moradores de rua, o uso de álcool e outras drogas não serve apenas como alívio do sofrimento físico e psíquico, é também uma forma de navegar por memórias emocionais, por meio de processos regressivos facilitados pelos estados alterados de consciência, tornando-se uma forma preponderante de mediação das relações sociais e de sobrevivência na rua.

Essas são as conclusões da tese de doutorado do psicólogo Walter Varanda, defendida recentemente na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Varanda explica que o uso de bebidas alcoólicas e outras drogas atinge a maioria dos moradores de rua na cidade de São Paulo e assume funções e significados inerentes à situação de rua, entendida como situação de liminaridade social.

O trabalho teve uma abordagem etnográfica, revelando trajetórias individuais, dinâmicas de grupos e sua interação com as redes públicas de assistência, caracterizando o abuso dessas substâncias como uma reação diante da situação de exclusão social, ao mesmo tempo em que reforça estigmas de culpabilidade e penalização. “Entender este uso sob a perspectiva da liminaridade permite o deslocamento analítico do agente patogênico e da vulnerabilidade individual para o “drama social” que o sujeito vivencia”, afirma o autor.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente

 

- clique aqui e veja o pdf com o artigo de Walter Varanda e Rubens de Camargo Ferreira Adorno:
"Descartáveis urbanos: discutindo a complexidade da população de rua e o desafio para políticas de saúde".

- Revista Saúde e Sociedade v.13, n.1, p.56-69, jan-abr 2004

 



Foto - ©Wendy Kaveney Photography/Shutterstock

 

Uso de álcool e drogas por moradores de rua tem abordagem equivocada

Após três anos de estudos com moradores de rua, o psicólogo Walter Varanda obteve subsídios para considerar que as políticas públicas empregadas para abordar esse problema estão equivocadas

Agência USP de Notícias


Na cidade de São Paulo há hoje cerca de 12.000 pessoas que vivem nas ruas. Após três anos de estudos com moradores de rua, o psicólogo Walter Varanda obteve subsídios para considerar que as políticas públicas empregadas para abordar esse problema estão equivocadas. "Não é possível resolver o problema retirando os albergues do centro e fechando as bocas de fumo da Cracolândia [zona do centro de São Paulo com alto consumo e venda de crack]. As pessoas que fazem uso de drogas, por exemplo, vão continuar usando, só não vão usar naquele mesmo local, ou seja, estão transferindo a Cracolândia, mudando de endereço", afirma.

Varanda trabalha há 20 anos com moradores de rua e em 2005 coordenou a área de Proteção Social Especial na Prefeitura. Para a sua pesquisa de doutorado realizada na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, o pesquisador entrevistou moradores de rua e depreendeu algumas situações recorrentes do uso de drogas. Geralmente, as razões para o uso abusivo de drogas e álcool é a mesma que os levou para as ruas. Estão relacionadas às dificuldades de afirmação no mercado de trabalho e experiências desestruturantes, como a violência familiar, trabalho infantil, abandono e prisão. "Existe a interpretação de que essas pessoas foram para as ruas por causa do vício, mas na maioria dos casos ocorre o contrário, a pessoa se tornou um usuário abusivo por estar na rua".

O psicólogo diz que é importante lembrar que o uso de psicoativos, drogas que causam alteração de consciência, está presente em toda a história. "Em todas as culturas, há o consumo de psicoativos, principalmente, ligado ao uso ritual e religioso." Hoje, além desses casos, há o uso cotidiano, o consumo em situações de sociabilização, como festas e eventos empresariais, por exemplo. "Temos que entender de formas diferentes esses usos. Os moradores de rua apresentam um consumo muito mais intenso do que nessas outras situações e por razões diferentes também, mas não podemos abordá-los simplesmente como pessoas que têm uma doença e que precisam de tratamento", explica o psicólogo.

O problema do uso de drogas e álcool por moradores de rua, de acordo com Varanda, é multifatorial: "Se estas pessoas tivessem trabalho, uma condição mais humana de sobrevivência, não estariam bebendo. Comprovamos isso em várias situações em que não houve nenhuma intervenção diretamente relacionada à saúde, mas houve uma mudança nas suas condições de vida e a pessoa parou de usar". Ele faz a ressalva de que em alguns casos, o principal problema é a substância psicoativa "mas na maioria deles, não".

Entre outros fatores relacionados ao uso de drogas, estão o frio, a compensação do estresse da vida de rua e da degradação dessa situação, e mesmo para a sociabilização com outras pessoas na mesma situação por questões de sobrevivência e segurança. Segundo Varanda, "alguém que precisa carregar uma carroça pesada cheia de sucata, que tem de revirar latões de lixo em frente a outras pessoas, competir com carros e motos por espaço e tem essa como a única alternativa de ganho está mais propenso a usar álcool e drogas como forma de suportar e enfrentar tudo isso. Então, precisamos nos confrontar com a situação em que o morador de rua vive e não simplesmente com a doença que consideramos que ele tenha."


Abordagens do problema

As principais abordagens do problema "população de rua" ainda são consideradas higienizantes e medicalizantes. Entende-se por higienização a retirada e transferência dos moradores de rua de onde vivem, no caso de São Paulo, a tentativa de deslocamento dessa população do centro da cidade. "A população de rua é considerada uma contaminação do espaço público. Vistos desta forma, eles são o resíduo do descarte humano, uma população que é excedente do ponto de vista produtivo. Nesse caso, o foco não é a pessoa, mas o mal estar que ela provoca pela simples presença dela debaixo de uma marquise. Nós abordamos o problema retirando a pessoa do lugar em que ela se encontra, resolvendo o problema estético da cidade.", opina Varanda.

A medicalização, segundo ele, leva a uma culpabilização do indivíduo pela situação em que ele se encontra, tratando-se a droga e o álcool como substâncias patogênicas e minimizando os fatores sócio-econômicos relacionados à questão. "Se você resolver levar o morador de rua para um Narcóticos Anônimos ou para um Alcoólicos Anônimos, ele até pode parar de beber ou usar drogas temporariamente. Mas vai continuar na rua, sem ter onde morar e como se sustentar. Portanto, essas abordagens estão de antemão fadadas ao fracasso", afirma.

A melhor abordagem do problema seria, na opinião do pesquisador, uma atuação "intersecretarial". "O Poder Público pode proporcionar programas de moradia, trabalho, saúde e educação para essa população, dentro de uma política pública séria e abrangente para o enfrentamento do problema", conclui.

Fonte: http://sociologiacienciaevida.uol.com.br/ESSO/Edicoes/0/uso-de-alcool-e-drogas-por-moradores-de-rua-tem-143817-1.asp

 

Um olhar diferenciado sobre a dependência química

 

O Trecheiro - edição de julho/2009
por Cleisa Rosa

 

Walter Varanda formou-se em Psicologia pela Universidade São Marcos em 1997 e desenvolveu inúmeros trabalhos com a população de rua na cidade de São Paulo. Terminou o mestrado em Saúde Pública na Universidade de São Paulo em 2003 e, mais recentemente, escreveu a tese de doutorado “Liminaridade, bebidas alcoólicas e outras drogas: funções e signifcados entre moradores de rua” e a defendeu na mesma instituição em 30 de abril de 2009.

Com este trabalho, Walter procura oferecer elementos para compreensão de preconceitos que atribuem às próprias pessoas a responsabilidade da dependência química como se fosse uma questão meramente individual. Por outro lado, este estigma esconde a ausência absoluta de cuidados com esta população, às mais das vezes sob modelos de tratamento coercitivos que não dão contam dos signifcados atribuídos ao uso abusivo de álcool e drogas pelas pessoas em situação de rua.
“Transitam pelas ruas enquanto incapazes de se relacionar com o sistema produtivo, mas de maneira geral desenvolvem estratégias de
sobrevivência e estilos de vida onde experimentam prazeres, satisfações e sentimentos dos quais se orgulham, alimentando sonhos e buscando sentido para a vida”, analisa Walter em suas considerações fnais.

O Trecheiro: Por que a escolha desse tema?
A população de rua tem sido tradicionalmente alvo da caridade e da assistência pública pela situação de carência, mas a periculosidade e a permanência na situação de rua por muitos anos a torna por si só uma questão de saúde pública. Neste contexto, conceitos como alcoolismo, dependência química e uso de bebidas e outras drogas enquanto doença são insufcientes para entender e intervir sobre o problema. Além disso, o julgamento e a culpabilização do morador de rua pela situação em que ele se encontra faz com que outras questões importantes como trabalho, moradia e outros problemas de saúde sejam reduzidas à esfera individual e projetadas indevidamente no uso de álcool e drogas.

O Trecheiro: Quais as principais conclusões do seu trabalho?
Antes de tudo devemos considerar que o uso de substâncias que proporcionam alterações perceptíveis na consciência está presente em praticamente todas as regiões do planeta ao longo de toda a história da humanidade. Além do vinho inserido simbolicamente nos rituais cristãos, inúmeras plantas com intensos efeitos psicoativos são usadas ritualisticamente em diversos contextos até os dias de hoje, tornando esta prática inerente à natureza humana. É preciso, portanto, distinguir os supostos ganhos obtidos através da imersão em estados alterados de consciência dos danos decorrentes do uso banalizado e desregrado de álcool e crack principalmente.

As rupturas com o contexto familiar, social e de trabalho de origem e os desdobramentos da experiência de rua revelam uma trajetória inversa à desejada progressão social e econômica. A posição de descartável urbano induz e reforça comportamentos correspondentes a esta posição, onde o uso de álcool e drogas pode se tornar inevitável. As experiências gratifcantes podem ocorrer no âmbito do imaginário e no acesso recorrente de memórias emocionais ou de maneira concreta para enfrentar o frio, realizar trabalhos extenuantes, recusar trabalhos considerados vexatórios ou em situações como disputas de poder nas malocas.

Com a imersão nos dramas pessoais, buscam-se soluções para situações complexas como, por exemplo, a vivência e a expressão da sexualidade numa população predominantemente masculina. Entre os inúmeros aspectos funcionais da bebida e da droga, também destacamos a sociabilidade na rua. Esta sociabilidade não é somente uma opção, para muitos é uma necessidade por questões de
segurança, sustento e conforto emocional.

O Trecheiro: Que ações você indicaria para a política pública?
É preciso romper com as limitações institucionais e ir ao encontro do morador de rua tratando sua trajetória de vida como um processo inacabado que pode ter outros desdobramentos. Muitos usuários abandonaram o uso abusivo do álcool e drogas quando encontraram trabalho digno, reconhecimento e participação social. Através de intervenções multidisciplinares é possível resgatar os potenciais e qualifcações do sujeito e promover a resignifcação de sua história contribuindo para o desenvolvimento do autocontrole em relação ao uso. O respeito à sua individualidade é um principio fundamental neste processo.

É preciso observar também que a sonhada autonomia fi nanceira é incompatível com as trajetórias de dependência de instituições que infantilizam o usuário, reforçando sua suposta incapacidade de sobrevivência com os próprios recursos. Seus potenciais e qualifcações devem ser identifcados, valorizados e utilizados. Mesmo assim uma parcela signifcativa dos moradores de rua requer assistência social e de saúde qualificada por longos períodos para se refazerem e refazerem suas vidas. Isto implica em investimento em tecnologias de saúde mais precisas e orientadas para esta questão.

Fonte: O Trecheiro

 


Walter Varanda

 

 

Kassab fecha albergues e lota ruas

Filipe Vilicic - O Estadao de S.Paulo

"Dormia no Albergue Cirineu e depois fui para o São Francisco", conta Carlos dos Santos. "Mas os dois fecharam, não consegui vaga em outro da região e tive de voltar a pernoitar no Minhocão." Santos é um dos moradores de rua que preferem dormir ao relento a deixar o centro de São Paulo e bairros próximos. Em dois anos, a região já perdeu quase 700 leitos em albergues municipais. Outros dois abrigos estão com os dias contados para também fechar as portas. A medida eleva a conta para mais de mil vagas extintas.

A consequência é visível: vias e praças são ocupadas por uma massa cada vez maior de moradores de rua. Segundo estimativa da Associação Viva o Centro, são 2 mil na região. "E o número tem aumentado com o fechamento dos albergues", afirma o superintendente da instituição, Marco de Almeida. Ele diz que essa população cresceu na Avenida Duque de Caxias, na Praça da República e no Largo do Arouche. O Movimento Nacional da População de Rua estima que 15 mil pessoas vivam nas vias da capital (quase 5 mil a mais que há sete anos).

Queixas semelhantes tem a diretora da Associação Paulista Viva, Marli Lemos. "Depois que encerraram os serviços dos albergues, apareceu um monte de morador de rua por aqui", reclama. "Regiões onde não havia tantos mendigos, como a Alameda Santos e o vão do Masp, agora estão lotadas."

Desde 2008, a Prefeitura desativou dois albergues no centro: o Jacareí (antigo Cirineu), com quase 400 vagas, e o Glicério (conhecido como São Francisco), com 300 leitos, segundo a Secretaria de Assistência Social (Seads). "Mas chegamos a abrigar mais de 700 pessoas", relata frei José Santos, que administrava o Albergue do Glicério. "É claro que a maioria voltou às ruas." Neste ano, a Prefeitura pretende encerrar os serviços de outros dois centros: o República Condomínio AEB, com 85 vagas, e o Pedroso, com cerca de 400.

"O governo fecha os albergues centrais e diz para irmos para outros na periferia", relata Cícero Morais. "Quando me tiraram do Glicério, me mandaram para a zona leste." Morais afirma que os moradores de rua não quiseram ficar na periferia porque lá a infraestrutura é falha. "A segurança é ruim, não tem atendimento de saúde e falta lugar para vender lixo ou papelão."

Para o psicólogo Walter Varanda, cujo doutorado analisou o morador de rua, fechar vagas no centro para estimular a ida dessa população para outros bairros é tática ineficiente. "Há uma política de higienização, em que a Prefeitura tenta tirar os sem-teto da frente do cidadão", explica. "Mas eles não aceitam se afastar e voltam para baixo de viadutos."

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100204/not_imp506065,0.php

 

O mal das ruas

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – A ocorrência da tuberculose é mais de 60 vezes maior entre os moradores de rua da cidade de São Paulo do que na população em geral. A constatação vem de uma pesquisa realizada na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP). No último levantamento feito pela Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, com dados de 2005, foram registrados 7.906 casos da doença na capital.

Apesar de ser conhecida como "mal do século 19", a tuberculose não é uma doença do passado. Mesmo com diagnóstico barato e simples, tratamento gratuito e vacina eficaz, ela ainda atinge 2 bilhões de pessoas, quase um terço da população mundial. O novo estudo confirma uma explicação para a contradição: a tuberculose está fortemente associada à pobreza e às más condições sociais.

Coordenada por Rubens de Camargo Ferreira Adorno, professor do Departamento de Saúde Materno-Infantil da FSP, a pesquisa, que durou 14 meses, foi apoiada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e contou com recursos do Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE). O aluno de doutorado da FSP Walter Varanda é o outro autor do estudo.

"O estudo fez parte de uma linha de pesquisa da FSP que trabalha com o desenvolvimento de um modelo de atenção especial. O objetivo era não restringir a pesquisa à epidemiologia da tuberculose entre as populações vulneráveis, mas verificar os problemas do atendimento e do acesso aos serviços de saúde", disse Adorno à Agência FAPESP.

A equipe trabalhou nas regiões das subprefeituras do Centro e de Pinheiros, que abrigam 65% da população de rua da capital paulista, segundo o censo municipal. "Dividimos essa região em dez setores, a fim de pesquisar os circuitos dessa população. Fizemos um mapeamento dos albergues e locais prováveis de concentração. Observamos também alguns indivíduos dispersos", disse o pesquisador.

A segunda etapa consistiu da aplicação de um questionário e da coleta de escarro. Cada um dos circuitos foi visitado três vezes. Foram aplicados 823 formulários e feitas 300 coletas. "O estudo envolveu uma logística complexa de transporte. Trabalhamos com monitores que tinham sido moradores de rua ou trabalhado com eles", contou Adorno.

Foram detectados 12 casos de tuberculose em uma amostra de 300 pessoas, indicando uma incidência de 4%. "Os valores são coerentes com a alta incidência de tuberculose entre moradores de rua cadastrados no Programa de Saúde da Família, no âmbito municipal", disse o pesquisador da FSP. Estima-se que haja 12 mil pessoas em situação de rua na cidade.

A Secretaria Municipal da Saúde registrou, em 2003, uma taxa de 3,36% de casos de tuberculose em um total de 3.270 moradores de rua cadastrados no programa, 67 vezes maior que a ocorrência da doença na população em geral, em torno de 0,05% em mais de 3,3 milhões de cadastrados.


Unidade exclusiva de atendimento

O estudo aponta que a rede de assistência social, de maneira geral, é refratária à população de rua. Os moradores de rua, segundo os pesquisadores, sofrem preconceito quando chegam às unidades de atendimento em más condições de higiene, muitas vezes alcoolizados.

"A vida sob os viadutos, em condições de alto estresse, torna essas pessoas mais vulneráveis. Por outro lado, o atendimento não chega onde elas estão e o SUS não tem experiência para tratar populações com tais características. As limitações de horários em algumas unidades não são propícias para a realidade do morador de rua. Para eles, um atendimento agendado para dois dias depois é algo impensável", disse Adorno.

Segundo o pesquisador, o estudo indica que há necessidade de criação de uma unidade de referência em saúde exclusivamente voltada para a população de rua, combinando serviços de higiene e acolhimento terapêutico, em espaço de recepção incondicional.

"Seria preciso ter uma equipe de profissionais que trabalhem diretamente nas ruas, intermediando a relação entre moradores de rua e a rede do SUS. Em algumas unidades, encontramos um pessoal técnico extremamente sensibilizado com o atendimento a esse segmento. Mas são pessoas dispersas em um sistema de funcionamento precário", disse.

De acordo com Adorno, algumas instituições sociais, como o Lar de Nazaré e a Toca de Assis, têm serviço diferenciado, com maior sucesso no tratamento da população de rua, oferecendo estrutura física adequada ao abrigo coletivo. "O trabalho deles é muito bom. O problema é que são iniciativas que não estão integradas ao sistema de políticas públicas", disse.

O pesquisador da FSP afirma que falta, no Brasil, uma gestão técnica para a saúde das populações de rua. "Cidades norte-americanas, européias e japonesas mostram preocupação técnica com essas populações em mobilidade. São Paulo não tem tal política pública. Aqui ainda há um abismo entre o sistema e a população", disse.

O Programa de Equipamentos Multiusuários da FAPESP tem o objetivo de financiar a aquisição de equipamentos de valor bastante elevado e de uso compartilhado por pesquisadores e instituições.

Criado em 1996, como um módulo do Programa de Apoio à Infra-Estrutura de Pesquisa, foi tratado de 1998 a 2002 como um programa especial autônomo. Reativado por meio do edital 02/2004, o Programa de Equipamentos Multiusuários desembolsou mais de R$ 50 milhões em 113 projetos em 2005 e 2006.

Fonte: Fapesp


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