Espiritualidade e Sociedade



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>   A Polêmica sobre o aborto da menina de 9 anos: Saara Nousiainen comenta


08/03/2009

 

Amigos, gostaria de colocar o que penso sobre essa polêmica em torno do aborto praticado na menina de nove anos, estuprada pelo padrasto e grávida de gêmeos, já que nos meios espíritas também têm se erguido muitas vozes condenando aquele procedimento.

É bem verdade que cada pessoa tem seu modo peculiar de entender espiritismo, por isso vou dizer o que penso.
Sou contra o aborto por dois motivos:

01 – Entendo ser um procedimento cruel, pelo sofrimento que gera ao reencarnante e por frustrar-lhe aquela oportunidade em sua jornada evolutiva. O sofrimento do espírito no ato do abortamento certamente é mais moral ou psicológico, a depender do tempo da gestação, pois no começo ele ainda não possui sistema nervoso formado, a ponto de sentir dor física. Há também a questão do respeito pela vida, a partir dos seus primeiros momentos.
02 – A doutrina espírita é contra o aborto.

Mas sempre há exceções, que precisam ser analisadas com bom senso e pela ótica do amor universal, e não apenas do amor pelo feto, mas também pela mãe.

Com referência ao modo peculiar de cada pessoa entender espiritismo, isto depende muito dos antecedentes reencarnatórios. Quando tais antecedentes estão fortemente alicerçados em vivências na religião católica e/ou nas protestantes, a tendência é o dogmatismo, a imposição das verdades adotadas, a hierarquização, o foco no poder, a idolatria a seres como Jesus, Kardec, Bezerra de Menezes, etc., a ótica do pecado e do castigo, além de uma crença fechada dentro dos próprios conceitos, sem abertura para renovação do pensamento ou para enriquecer-se também com outros saberes.

Esse tipo de mentalidade fechada, com “verdades” cristalizadas e muitas vezes com enfoques acanhados, certamente é um freio ao crescimento e à evolução do espiritismo, tendo em vista que muitos, talvez a maioria dos espíritas, procede reencarnatoriamente de berço católico-evangélico.

Esse fato tem um lado positivo, por evitar distorções e excesso de inovações nas práticas espíritas, mas não se pode ignorar seu lado negativo que, inclusive, tem motivado “n” polêmicas agressivas, arrogantes, radicais, e tantas e tantas divisões e até inimizades nos meios espíritas, e isto é péssimo.

Entendo espiritismo como algo aberto a outros saberes e procedimentos que venham a nos ajudar em nosso crescimento como seres cósmicos que somos.

Não o aceito como algo a nos cercear, a nos amarrar com os liames do dogmatismo. Esses procedimentos a que me refiro são práticas, tais como, o relaxamento, a meditação e outras que possam ajudar a alavancar nossas transformações interiores.

Espiritismo para mim, mais que uma doutrina, é aquele conhecimento maravilhoso que nos pacifica a alma através das respostas que dá sobre todas as coisas relacionadas à nossa vida e evolução, respostas sensatas, que a nossa razão aceita.

Também entendo que espiritismo precisa ser vivenciado naquela forma aberta como foi orientada por Kardec, quando disse que se a ciência um dia provar erro em algum conceito espírita que se fique com a ciência; que é importante acompanhar-se a própria evolução humana no que ela tem de bom, embora sempre passando tudo pelo crivo do bom senso.

No caso em pauta, para analisar com bom senso, comecemos por visualizar o corpinho de uma menina de nove anos, com dois fetos crescendo em seu pequeno útero até chegarem ao sexto, ao sétimo mês de gestação... Como estaria a barriga dessa criança? Como estariam seus órgãos internos? Será que o útero já não estaria se rompendo?...

Quanto tempo acham que ela teria de vida, de vida útil e saudável, se continuasse grávida?
Nem é preciso ser médico para entender a necessidade do aborto.
E o que diz o espiritismo a esse respeito? Diz que em caso de perigo de vida para a mãe, deve-se optar pelo aborto, pois mais vale uma vida já formada, do que uma em formação.

E quanto ao frágil psiquismo dessa criança? Não acham que estaria mais comprometido ainda? Já não seria suficiente dor, desequilíbrio e desarmonia psíquica o horrível drama vivido ao ser estuprada pelo padrasto?
A meu ver, não há qualquer dúvida na escolha, desde que se use de bom senso.

Será que nós também vamos nos deixar influenciar pelo fanatismo e dogmatismo que o atual papa estabeleceu na igreja católica, em relação à questão do aborto e da procriação?

Entendo que espiritismo, acima de tudo, deve sempre refletir o bom senso.


Um abraço fraterno,
Saara Nousiainen



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