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13/09/2007

Coexistir para a Paz

Psicóloga dissemina projeto israelense focado na cultura de paz

 

Em parceria com o Instituto de Recuperação do Patrimônio Histórico, psicóloga multiplica e divulga projeto israelense pela cultura de paz

Juliana Rocha Barroso
Setor 3 - Senac

 


Do projeto Coexistência, painel húngaro já percorreu até 24 países em 2006

"Existem hoje mais de três bilhões de pessoas abaixo do nível da pobreza; mais de 30 milhões de refugiados de guerras; 27 diferentes conflitos religiosos; três milhões de mortos em conflitos étnicos." O alerta é parte do projeto Coexistência - clique aqui para acessar o site - (Coexistence, em inglês), criado e iniciado em 2001, pelo Museu da Costura (Museum on the Seam, em inglês), organização sem fins lucrativos localizada em Jerusalém, Israel.

A idéia do designer e curador do museu, Raphie Etgar, foi criar uma exposição itinerante em resposta ao ciclo de violência na região, fronteira entre Israel e Cisjordânia, onde vivem árabes e os judeus. Um incentivo à paz mundial, o projeto contou com o auxílio da família alemã Von Holtzbrinck, da Fundação Jerusalém, que o viabilizou financeiramente.

Constituída por 42 painéis criados por artistas de vários países, três deles brasileiros (André de Castro, Sergio Luizzi e Fátima Miranda), a exposição sensibiliza pessoas de diferentes religiões, idades e nacionalidades por meio de imagens e citações sobre a diversidade, à aceitação mútua entre os povos de diferentes raças e crenças. As imagens foram ampliadas para o formato 3x5 metros e sempre são expostas em locais públicos, conhecidos e ao ar livre.

Para Raphie, a coexistência é mais do que um conceito e uma idéia bem aceita para a cultura global. "Ela envolve mudar as nossas vidas e desafiar a nossa maneira de pensar. A Coexistência não é necessariamente aprender a viver junto, mas talvez aprender a viver lado a lado", diz.

Até 2006, ano em que esteve no Brasil no Parque do Ibirapuera (São Paulo) e em Copacabana (Rio de Janeiro), a exposição já havia passado por 24 cidades em todo o planeta. Hoje está nos Estados Unidos de onde sai em direção à Europa Ocidental.

Com a finalidade de divulgar o projeto, o museu desenvolveu um material didático e pedagógico para ser usado em locais públicos e privados, junto a outras práticas de responsabilidade social. Esse desdobramento do projeto inicial, denominado Coexistência Móvel, propõe-se a levar educação e formação de cidadãos mais humanos, que promovam e propaguem a discussão sobre o tema da coexistência, direitos humanos, violência, diversidade ecológica e humana.

O projeto ganhou uma representante brasileira, a psicóloga junguiana, Maria Raymunda Ribeiro (na foto), 53 anos, através de um acordo de cooperação técnica. Ray Ribeiro, como é conhecida, é responsável por divulgar, desenvolver, executar e implantar o projeto pedagógico cultural Coexistência Móvel por meio de palestras e cursos em todo o País.

Natural de Lucélia (SP), Ray é palestrante e elabora workshops na área da saúde e qualidade de vida. Também presta consultoria empresarial nas áreas de desenvolvimento humano, saúde e responsabilidade social. Em 2001, criou a Diamante Psicologia, empresa que auxilia as organizações no desenvolvimento de programas para a promoção da saúde e prevenção de doenças.

Há dois anos ela se dedica à divulgação do projeto Coexistência Móvel no Brasil. Sensibilizada com a proposta, Ray elaborou as palestras Coexistência – Educação do Saber, que mostra como é possível conviver e compartilhar com o outro, e Coexistência e PPDsEducação: Inclusão e Responsabilidade Social, que trata da coexistência com deficientes.

Confira a entrevista com Ray, explicando o projeto e suas perspectivas.

Setor3 – Quando e como você conheceu o projeto?

Ray Ribeiro – A primeira vez que o meu coração foi tocado e prestei atenção no que era o projeto Coexistência foi no Parque Ibirapuera, na Praça da Paz. No dia 10 de setembro do ano passado, me chamaram atenção os painéis gigantes expostos naquele espaço. Chocantes! A perplexidade tomou conta, o entusiasmo falou bem alto. A dor de alguns painéis machucou minha alma, a sede de saber atingiu meu intelecto.

Setor3 – Como se tornou a representante do projeto? É a única no Brasil?

Ray Ribeiro – Através de um acordo de cooperação técnica celebrado entre o Museu da Costura, a Diamante Psicologia e o Instituto de Recuperação do Patrimônio Histórico no Estado de São Paulo (IPH) para divulgar, executar e implantar o projeto pedagógico cultural de educação crítica Coexistência Móvel no Brasil. Sou a única representante.


Nós - Philippe Apeloig - França

Setor3 – No que consiste sua parceria com o Instituto?

Ray Ribeiro – Esta parceria é um acordo para promover e aplicar esforços na obtenção de recursos junto à iniciativa pública e/ou privada para a viabilização, divulgação e execução do projeto Coexistência no Brasil.

Setor3 – Existem desdobramentos do projeto original, como este, em outros países?

Ray Ribeiro – Sim. Nos Estados Unidos, Argentina, Uruguai e Paraguai. Em cada país há adaptação com suas questões específicas.

Setor3 – O site Diamante Psicologia mostra que também há divulgação dos conceitos para empresas através do projeto Coexistência Móvel Empresarial. Esta variação do projeto, criada por você, é reconhecida e apoiada pelo museu?

Ray Ribeiro – Criei esta metodologia, que possibilita trabalhar num treinamento, oficina ou workshop. De acordo com as "queixas" e dificuldades apresentadas pela empresa, fazemos um "diagnóstico" e propomos um procedimento específico para sanar as dificuldades apresentadas. Utilizamos alguns painéis escolhidos para uma intervenção, além de montar uma apostila para cada caso. É uma forma diferenciada de treinamento, um tratamento específico. É, sim, conhecido e apoiado pelo coordenador do projeto.

Setor3 – Como e com que objetivo você desenvolve o projeto? Com que recursos? Quais as principais diferenças do projeto no Brasil?

Ray Ribeiro – A principal ação deste projeto é a exposição itinerante Coexistência. Também desenvolvo os subprojetos Coexistência Móvel Educacional, Coexistência Móvel Empresarial e, agora, estou desenvolvendo o Coexistência Móvel para Eventos. Os objetivos são os mesmos para todos: educar ampliando conhecimentos, revendo conceitos e preconceitos, informar, motivar e estabelecer o diálogo entre as pessoas, expandir os referenciais de conhecimento e compreensão das razões de desentendimentos entre os homens, que incluem religião, etnia e política. Estimular que as pessoas sejam capazes de argumentar e se posicionar a respeito da diversidade, ética, respeito, relação interpessoal, aceitação, pluralidade, tolerância etc. O que muda é apenas o público-alvo. No Brasil, estamos com o foco nas escolas e empresas.

Setor3 – Encontrou dificuldades para implementá-lo?

Ray Ribeiro – Não é tão fácil porque o tema Coexistência é transversal, ainda não é obrigatório para o currículo escolar. Recentemente na prova 1 do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), a proposta de redação teve como tema: O desafio de se conviver com a diferença. Para construirmos um mundo melhor, mais digno, menos cruel, precisamos ter o comprometimento em promover a paz e a justiça no mundo. Isto se faz pela educação, com um projeto como o Coexistência. É necessário inserir essa abordagem nas escolas. É este o nosso trabalho, com treinamento, palestras, oficinas. Estamos prontos para colocar também nas empresas, principalmente em casos de fusões, onde se faz necessário trabalhar as culturas diferentes que se aglutinam. Sabemos que violência gera violência. Não é a maneira adequada de resolver conflitos. Estimula a destruição, a hostilidade e a divisão. Em geral, produz o medo, o ódio, o desprezo.

Setor3 – Podemos considerar este projeto inserido no contexto do movimento mundial pela Cultura de Paz?

Ray Ribeiro – Sem dúvida. É a CULTURA PELA PAZ, ao mesmo tempo com a proposição de Co-existir pela diferença. É possível lidar com a diversidade, tolerância, democracia, indiferença, igualdade (religiosa, econômica, de ser), direitos iguais, amor, raça, respeito, censura, liberdade, bem, mal, ajuda, "tolerância zero", conflito, discriminação etc. Educar é transformar vidas e abrir caminhos para um futuro melhor. Tenho Fé ilimitada de transformar o mundo!

Setor3 – Qual a diferença entre levar estes conceitos para escolas e empresas? A multiplicação desta mensagem é cobrada em todos os casos (como, por exemplo, para escolas públicas ou organizações não-governamentais)?

Ray Ribeiro – Estamos buscando os caminhos para inserir nas escolas públicas e privadas. Temos casos de organizações não-governamentais, como a Fundação Bradesco, que já adquiriu um projeto e estamos em fase de procurar a melhor maneira de implementá-lo nas 40 unidades da Fundação. É preciso verificar com cautela qual a melhor forma de viabilizar o projeto, se pelo IPH, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), ou através da Lei Rouanet.

Setor3 – Como o projeto pode ser implantado? Tem disponibilidade para levá-lo a todos os Estados brasileiros?

Ray Ribeiro – Através da empresa Diamante Psicologia, o projeto prevê a formação de educadores na temática. O investimento é feito conforme as necessidades e adequações de cada instituição. É feito um levantamento da quantidade do material, questionários, número de professores, alunos, apostilas, palestras, treinamentos, número de horas / dias para a implantação e o pedido de cada lugar. E tenho disponibilidade de levar o projeto para todos os Estados brasileiros.

Convivemos hoje com esta semente que iniciou em Jerusalém, com artistas do mundo todo, nesta mega exposição. E o nosso país tem o germe da Terra da Paz para o mundo. Precisamos fazer nossa reflexão crítica, nossa transformação interior, para uma evolução espiritual universal, neste coração da Terra da Paz: o Brasil!

Se você odeia alguém, odeia neste alguém algo que faz parte de você. O que não faz parte de nós não nos incomoda... As coisas que vemos... são as mesmas que estão dentro de nós. Não há realidade exceto aquela que faz parte da nossa. É por isso que tantas pessoas vivem de modo tão irreal. Elas consideram realidade as imagens do mundo exterior e nunca permitem que o seu próprio mundo se manifeste. É possível ser feliz assim. Porém, uma vez conhecendo a outra visão, não existe mais a escolha de seguir a multidão... A via da maioria é fácil, difícil é a nossa.

Hermann Hesse

 

Coexistence
www.coexistence.art.museum

Para solicitar a visita da exposição, contate a Diamante Psicologia
Av. Dr. Altino Arantes, 895 # 34
V.Clementino
CEP 04042-034
São Paulo - SP
Tel.: (11) 5071-6265
Fax.: (11) 3017-4599
ray@diamantepsicologia.com.br
www.diamantepsicologia.com.br

Fonte: http://www.setor3.com.br


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