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>  O Notável Luciano dos Anjos


20/04/2007

 

Alamar Régis Carvalho escreve sobre Luciano dos Anjos

 

Já estou imaginando as ações de alguns amigos, sempre preocupados comigo, que, ao lerem o título desta matéria, mandarão e-mails mais ou menos assim:

- “Tu és louco, Alamar, em escrever matéria chamando o Luciano dos Anjos de Notável?”

O problema é que, por se tratar do maior defensor da obra de Roustaing no Brasil, o espírita que se declarar amigo ou admirador de um homem desse está sujeito a sérias conseqüências, inclusive restrições terríveis no movimento.

Mas existe isto? É possível haver uma coisa desta no movimento espírita?

Infelizmente existe. É lamentável e é uma vergonha, mas já que todo mundo sabe que eu não tenho papas na língua nem submissão a ninguém, estou sempre a questionar os absurdos que acontecem em nosso movimento, principalmente essa coisa inquisitorial de aplicarem retaliações, perseguições e punições aos que se atrevem a contrariar as cabeças de alguns que se acham donos das “verdades” espíritas, eis-me aqui, novamente, a tratar de uma questão que não é nada fácil.

Vou dissertar, sim, sobre este nome que eu sempre ouvi falar, há muito tempo, mas sempre vinculando-o apenas à obra de J. B. Roustaing, sem procurar conhecê-lo melhor, em que pese o outro notável Hermínio Correa de Miranda me ter dito, há alguns anos atrás, que se trata de uma das maiores expressões culturais deste país, um homem bom, exemplar da mais alta dignidade, caráter, honestidade e competência em todos os sentidos.

Detalhe: Eu não sou roustainguista, portanto não vai aqui qualquer manifestação sutil para querer promover a referida obra, enaltecendo gratuitamente a figura do seu maior adepto.

Luciano dos Anjos tem vários livros publicados, é um homem que faz parte da história do Espiritismo no Brasil, mas eu não tinha lido nenhuma das obras dele até que me foi enviado de presente, por um amigo comum, um exemplar de “A anti-história das mensagens co-piadas”, também de sua autoria.

Trata-se de um livro com a proposta de esclarecer o que verdadeiramente aconteceu no episódio daquele suposto plágio que foi motivo para tentarem destruir a imagem do nosso querido Divaldo Franco, através do Fantástico, da Globo, em fevereiro de 2004.

Mas Alamar, não se trata de um livro escrito por um amigo do Divaldo que, por ser amigo, resolveu escrever para defendê-lo, assim como você também o defendeu para os seus milhares de leitores, logo que a matéria foi para o ar?

Não, nada disto. O livro não se resume a expressões de um amigo que quis simplesmente tomar partido e resolveu defender o médium baiano por gostar dele, assim como eu também, quando escrevi defendendo-o, não o fiz apenas por tê-lo como meu amigo; “A anti-história das mensagens co-piadas” é um extraordinário show cultural, uma obra de coerência, responsabilidade literária e absoluto bom senso, do começo ao fim.

Mas será que o Alamar tem essa cultura toda para avaliar uma obra daquele nível, a ponto de indicar, afirmando que se trata de um show cultural?

É válido este questionamento, sim.

Para uma pessoa avaliar outra, afirmando que tudo o que ela está dizendo ou escrevendo está correto, torna-se necessário que essa seja profunda conhecedora de todos os assuntos tratados, obviamente, e que tenha uma cultural no mesmo nível, ou maior, em relação aos assuntos abordados.

Mas não é o meu caso. Eu gostaria muito de ter pelo menos dez por cento do conhecimento e da cultura dessa fantástica expressão humana, que é o Luciano dos Anjos, que não se resume apenas ao conhecimento espírita, mas também à cultura geral, para avaliar a sua obra no simples folhear das páginas, entendendo e conhecendo tudo o que está sendo enfocado ali, mas não deu.

Quando senti o nível do livro, logo nas suas primeiras páginas, tive que pegar o dicionário e trazer para perto as enciclopédias, assim como disponibilizar-me às pesquisas aqui pela Internet, já que não aceito ser esse modelo de espírita que vive a dar impressão aos outros de que já leu e estudou toda a literatura espírita e que possui uma gigantesca cultura geral.

Tive que ler muito devagarinho o livro do homem, consultando outras obras, diante das citações e colocações que ele faz.

Posto que o triste episódio foi criado no início dos anos sessenta, Luciano dedica boa parte do livro a reportar sobre essa década que, no relato dele, constituiu-se na mais complicada década do século passado.

Ele entra no campo da música, da literatura, do cinema, da política, das artes, da ciência, fala das guerras, inclusive da quase destruição do planeta naquele episódio de 22 de outubro de 1962 quando, graças ao nível espiritual do John Kennedy, não houve a guerra nuclear entre Estados Unidos e União Soviética... enfim, ele mostra como a década foi complicada em muitos sentidos.

No meio espírita também o processo perturbador se fez presente. Foi, inclusive, naquela década que uns americanos vieram ao Brasil, em visita a Chico Xavier, empolgados com a sua obra, a fim de lhe pedirem autorização para traduzirem ao inglês toda ela e todos os outros livros espíritas que ele os indicasse, a fim de lançarem a literatura espírita lá e, conseqüentemente, no mundo inteiro, idéia que empolgou e emocionou o velho médium mineiro que os encaminhou à Federação Espírita Brasileira, posto que todos os direitos sobre as obras ele havia passado para ela, conforme todos sabem.

Foi uma alegria que durou pouquíssimo tempo no Chico, uma vez que a FEB recusou-se a permitir que os americanos realizassem aquela tarefa que seria uma verdadeira bênção para o mundo, sob a alegação da famigerada “pureza doutrinária”, esta que tem trazido tanta desgraça ao movimento espírita, por constituir-se num verdadeiro “santo ofício” espírita, que leva tantos companheiros a se odiarem.

Achava a FEB que no processo das traduções dos livros os americanos poderiam distorcer a doutrina, deturpar os ensinamentos nela contidos o que, de fato, representaria um problema. Todavia esse achismo foi determinante e, mesmo com os apelos dos editores para que ela apontasse elementos, de sua confiança, capazes de acompanharem os processos das traduções, a fim de preservar a integridade da obra; na sua intolerância e na falta de bom senso, a exemplo do que tem sido muito comum em nosso movimento, a FEB insistiu em dizer não, encerrou o assunto e praticamente botou para fora os visitantes.

Consta que, quando Chico Xavier tomou conhecimento deste fato, entrou no maior processo de irritação de toda a sua vida, tendo até complicações de saúde, passando, inclusive, a partir daquele momento a não mais entregar qualquer obra recebida pela sua psicografada para ela, a FEB, o que pode ser observado por qualquer um que se dispuser a pesquisar.

Recomendo aos leitores que, ao tomarem conhecimento deste fato, não criem qualquer ânimo desarmonioso em relação à venerável Federação Espírita Brasileira, haja vista que este foi um episódio isolado em uma época extremamente conturbada, pelas arbitrariedades insensatas não da instituição como um todo, mas de algumas cabeças retrógradas e estúpidas que, infelizmente, sempre existiram e continuam a existir ali dentro, como em várias instituições espíritas, aqueles que se acham os “donos” do Espiritismo, os mesmos que promovem a manutenção do “index” que tenta calar valorosos confrades da mais alta competência, o que se constitui no verdadeiro cancro que impede a divulgação da doutrina e o desenvolvimento do Espiritismo no Brasil e no mundo.

Foi no início daquela década que espíritas promoveram um movimento para jogarem o Chico Xavier contra o Divaldo Franco, num movimento insano, irracional e profundamente contraditório a tudo o que nos ensina a doutrina espírita, assunto este que eu já falei aos meus leitores, através da longa carta que escrevi assim que a matéria do Fantástico foi ao ar e não vale a pena relatar tudo novamente agora.

Aos que se interessam em saber o que de fato aconteceu, estou recomendando a buscarem hoje este livro de autoria do Luciano dos Anjos que, conforme eu disse, não apenas se resume a tomar partido de ninguém, mas se constitui no relato dele, testemunha ocular da história, amigo muito próximo do Chico e do Divaldo, homem que viveu grande parte da sua vida dentro da intimidade da Federação Espírita Brasileira, jornalista da mais alta competência que jamais se veria diante de um fato deste sem procurar estar a par de todos os detalhes com os olhos bem abertos.

Ainda tem outro detalhe, fundamental, a considerarmos:

Luciano não apenas relata os fatos que vivenciou, mas aproveita a obra para nos dar uma aula sobre esta questão do que é e o que não é plágio, quais são os aspectos psicológicos que poderiam levar uma pessoa a um plágio inconsciente, as possibilidades de um espírito relatar um mesmo fato através de dois médiuns diferentes e vários outros estudos nesta área, que é também complexa, onde ele vai buscar a Física, a Química, a Psicologia, etc. para respaldar muito bem tudo o que nos ensina.

Ele mostra, de forma cristalina, que fizeram o que se chama de “tempestade em copo d’água” em cima de algo que, mesmo que tivesse ocorrido como foi denunciado, seria algo altamente irrelevante, o que denota, portanto, que se tratou de um movimento movido por sentimentos de inveja, ignorância, invigilância, perversidade, ódio e, na linguagem do Alamar, de muito mau caratismo fraterno.

Infelizmente, gente, as pessoas não têm limites quando desejam extravasarem as suas invejas e os seus desejos de destruírem alguém que se torna destaque em alguma coisa. Até mesmo no movimento de uma doutrina fantástica e coerente como é o Espiritismo, que é cem por cento ensinamentos para que nos conduzamos dentro da autêntica moral, nós encontramos esses espécimes sem compromisso até mesmo com os mais elementares princípios de moralidade.

Bom, o importante agora é procurar conhecer o livro que citado, que eu recomendo.

O livro é da Leymarie Editora, tem 224 páginas e custa na faixa dos 20 reais.

Meu forte abraço à notável, fantástica, brilhante e admirável cultura do mestre Luciano dos Anjos, sem dúvida alguma uma honra para o Espiritismo tê-lo como seu adepto.

Destemidamente.

Alamar Régis Carvalho

alamar@redevisao.net

www.redevisao.net

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